Publicado Anuário Pontifício: católicos são 1 bilhão 254 milhões

Publicado Anuário Pontifício: católicos são 1 bilhão 254 milhões

catolicos_no_mundoOs católicos batizados no mundo passaram de 1,115 a 1,254 bilhões, entre 2005 e 2013, o que representa um aumento de 12%. No mesmo período, a população mundial passou de 6,463 a 7,094 bilhões. A percentagem de católicos batizados no mundo, portanto, representa 17,7% da população. Os dados estão contidos no Anuário Pontifício 2015, publicado esta quinta-feira (16/04).

Os percentuais, no entanto, sofrem variações nos diversos continentes. A Europa, por exemplo, com um crescimento populacional tendendo ao declínio nos próximos decênios, observou um leve aumento dos batizados em 2013, totalizando 287 milhões, 6,6 milhões a mais em relação a 2005.

Na realidade africana, por sua vez, os católicos tiveram um incremento de 34%, passando de 153 milhões em 2005 a 206 milhões em 2013. O aumento deve-se, sobretudo, à elevação da presença dos fiéis batizados. Os católicos, que representavam 17,1% da população africana em 2005, oito anos mais tarde passaram a representar quase 19% da população no continente.

Católicos em crescimento na América e Ásia

O crescimento de fiéis na América e Ásia, por sua vez, teve um incremento de 10,5 e 17,4%, explicável em parte pelo aumento populacional registrado no período. Em termos relativos, de fato, os católicos americanos mantém o percentual de 63% da população, enquanto na Ásia a incidência de católicos passou de 2,9% em 2005 a 3,2% em 2013. Na Oceania a incidência de católicos batizados por cada cem habitantes permanece estável, não obstante em valores absolutos tenha observado um leve decréscimo.

Apostolado em aumento

A força do apostolado, constituída por bispos, sacerdotes, diáconos permanentes, religiosos não sacerdotes, religiosas professas, membros de institutos seculares, missionários leigos e catequistas, perfazia um total de 4.762.458 ao final de 2013, com uma variação positiva de 300 mil em relação à mesma data de 2005. Os percentuais entre os diversos componentes que constituem as forças de apostolado possuem grande variação nos diversos continentes. Na média mundial, a relação percentual entre a soma dos bispos, dos sacerdotes e dos diáconos permanentes e o complexo de todos os agentes pastorais resultava, no final de 2013, de 9,7%, com valores inferiores na África (8,1%) e no sudeste asiático (9,4%) e valore superiores na Europa (19%) e na América do Norte (12,5%). Os territórios de missão, assim, se caracterizam por um acentuado apostolado leigo.

Hierarquias locais substituem bispos missionários

Em 31 de dezembro de 2013 estavam presentes em todas as circunscrições eclesiásticas 5.173 bispos, o que representa um aumento de 40 prelados em relação ao ano precedente, número um pouco inferior à média dos últimos oito anos. A presença mais numerosa de bispos está na América e Europa, onde vivem, respectivamente, 37,4 e 31,4 dos bispos do planeta, seguidos pela Ásia (15,1%), África (13,6%) e Oceania (2,5%). Um aspecto interessante a ser destacado é o do lento mas gradual processo de substituição dos bispos missionários pelas hierarquias locais. Considerando como indicador deste fenômeno a relação percentual entre os bispos não-nativos no continente e o total, se observa que no período de 2005 a 2013 o valor deste índice diminuiu na Oceania, África e América, enquanto aumentou na Europa e Ásia, mesmo que levemente.

Sacerdotes em aumento na África e Ásia

O número total de sacerdotes – diocesanos e religiosos -, no final de 2013, era de 415.348, 0,3% superior ao ano precedente. O incremento verificou-se em todos os territórios, com exceção da América do Norte e Europa, onde o número de sacerdotes reduziu de 1,4 a 1,2%. A América Central teve um aumento de 1,6% no número de sacerdotes, a América do Sul de 1,0%, o Sudeste asiático de 2,4% e a África 4,2%. Comparando com o ano de 2005, o aumento total do número de sacerdotes foi de 2,2%. As maior variações positivas ocorreram na África (29,2%) e na Ásia (22,8%), enquanto na Europa houve uma queda de 7,1%. A distribuição dos sacerdotes por área geográfica coloca em evidência uma acentuada concentração, com 44,3% dos sacerdotes no continente europeu, onde vivem pouco menos de 23% de todos os católicos no mundo, contra 29,6% dos sacerdotes na América, onde vivem 49% dos católicos. A Ásia tem 14,8% dos sacerdotes para 10,9% de católicos; a África 10,1% com 16,4% de católicos e por fim, a Oceania, com 1,2% dos sacerdotes e 0,8% dos católicos.

Diáconos permanentes em crescimento

Os diáconos permanentes, diocesanos e religiosos, estão em forte expansão, quer a nível mundial, quer em cada continente em particular, passando de um total de 33.391 em 2005 para mais de 43 mil em 2013, com um aumento percentual de 29%. Europa e América registram quer a consistência numérica mais significativa, quer o aumento mais dinâmico. Na América, por exemplo, existiam mais de 21 mil diáconos em 2005 que passaram a 28 mil em 2013. Estes dois continentes, sozinhos, representavam em 2013, 97,6% do total mundial, com o restante dividido entre África, Ásia e Oceania.

Religiosos não-sacerdotes aumentaram

O grupo dos religiosos professos não-sacerdotes teve um aumento percentual de 1,0% entre 2005 e 2013. Em 2005 eram 54.708 em todo o mundo, passando a 55 mil em 2013. A África e a Ásia observam uma variação positiva de 6 e 30%, respectivamente. Em 2013, estes dois continentes representavam mais de 36% do total. No sentido inverso, o grupo constituído pela Europa (com variação negativa de 10,9%), América (-2,8%) e Oceania (-2,0%).

Religiosas em diminuição

As religiosas professas diminuíram 1,3% entre 2012 e 2013, valor que iguala a média anual entre 2005 e 2013, quando passaram de 760.529 para 693.575, com uma variação negativa total de 8,8%. A queda, também neste caso, diz respeito à Europa, América e Oceania, com redução de 18,3%, 15,5% e 17,1%, respectivamente. Na África e na Ásia, por sua vez, o incremento foi de 18% e 10% respectivamente. A incidência em relação ao total mundial em 2005 e em 2013 é praticamente a mesma na Oceania. O peso da Europa e da América, pelo contrário, caiu de 42,5% para 38% e de 28,3 para 26,2% respectivamente, enquanto o da Ásia subiu de 20,2 para 23,8% e das religiosas africanas de 7,7 a 10,1%.

Vocações sacerdotais em queda

Após um período de constante aumento do número de vocações sacerdotais, com um maior crescimento observado em 2011, se assiste no último biênio a uma inversão desta tendência. O número total dos inscritos nos cursos de filosofia e de teologia dos centros diocesanos e religiosos de formação ao sacerdócio de todo o mundo católico foi de 118.251 em 2013 contra 120.616 em 2011, uma leve queda de 2%. A diminuição das vocações sacerdotais em 2013 foi geral, com única exceção no continente africano, que viu um aumento de 1,5%. Na América do Norte, em particular nos Estados Unidos, houve uma redução de 5,2% entre 2011 e 2013. A América Central viu um contração de 0,1% das vocações sacerdotais, enquanto a América do Sul registrou, no mesmo período, uma diminuição de quase 7%, com destaque para a Colômbia (-10,5%), Chile (-11,2%) e Peru (-11,2%). O Brasil, por sua vez, viu reduzir em 6,7 % o número de vocações sacerdotais.

Também no continente asiático houve uma leve queda de 0,5% em relação a 2011. O fato foi observado sobretudo na Indonésia, na Coreia e nas Filipinas, enquanto na Índia o número de seminaristas cresceu 0,5%. No continente europeu, verificou-se uma queda de 3,6% no biênio. Contribuíram para este fenômeno sobretudo a Polônia (-10%), Grã Bretanha (-11,5%), Alemanha (-7,7%), República Tcheca (-13%), Áustria (-10,9%), França (-3,5%) e Espanha (-1,8%). Por outro lado, as vocações tiveram um aumento na Itália (0,3%), Ucrânia (4,5%) e Bélgica (7,5%). Já na Oceania, o número de seminaristas reduziu-se em 5,1% entre 2011 e 2013.

A redação do Anuário Pontifício esteve sob os cuidados de Mons. Vittorio Formenti, encarregado do Departamento Central de Estatística da Igreja, do Prof. Enrico Nenna, além de outros colaboradores.

Fonte: Rádio Vaticano

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Papa identifica retrocesso na teoria do gênero

Papa identifica retrocesso na teoria do gênero

ANSA783688_ArticoloA Praça S. Pedro ficou lotada de fiéis nesta quarta-feira (15/04) para a Audiência Geral com o Papa Francisco. Antes de tomar a palavra, o Pontífice saudou os cerca de 30 mil peregrinos a bordo do seu papamóvel, acenando para a multidão e beijando as crianças. Prosseguindo o ciclo de catequeses sobre a família, o Papa falou de um tema que ele considera central: a complementariedade entre homem e mulher.

“Deus criou o ser humano à sua imagem: criou-os homem e mulher.” Esta afirmação do Gênesis, explicou Francisco, diz que nem só o homem nem só a mulher são imagem de Deus, mas ambos, como casal, são imagem do Criador. A diferença entre eles tem em vista a comunhão e a geração, e não a contraposição nem a subordinação. “Somos feitos para nos ouvir e nos ajudar reciprocamente. Sem esse enriquecimento recíproco, não se pode entender profundamente o que significa ser homem e mulher”, disse o Papa.

Retrocesso

Todavia, a cultura moderna e contemporânea abriu novos espaços para a compreensão dessa diferença, introduzindo dúvidas e ceticismo.

“Pergunto-me, por exemplo, se a chamada teoria do gênero não seja expressão de uma frustração e resignação, com a finalidade de cancelar a diferença sexual por não saber mais como lidar com ela. Sim, corremos o risco de retroceder”, afirmou Francisco, advertindo que a remoção da diferença é o problema, e não a solução.

Se o homem e a mulher têm divergências, as mesmas devem ser resolvidas com o diálogo, para amarem-se mais e conhecerem-se melhor. “O elo matrimonial e familiar é algo sério, e o é para todos, não só para os fiéis. Gostaria de exortar os intelectuais a não abandonarem este tema, como se tivesse se tornado um empenho secundário a favor de uma sociedade mais livre e mais justa.”

Francisco recordou que Deus confiou a terra à aliança do homem e da mulher: a falência desta aliança gera a aridez dos afetos no mundo e obscurece o céu da esperança. Os sinais são visíveis e preocupantes, disse, indicando duas reflexões que merecem atenção.

Complementaridade

A primeira é a certeza de que se deve fazer muito mais a favor da mulher para reforçar a reciprocidade entre os dois gêneros.

“De fato, é necessário que a mulher não seja só mais ouvida, mas que a sua voz tenha um peso real, que seja reconhecida na sociedade e na Igreja. Ainda não entendemos em profundidade o que pode nos dar o gênio feminino, por saber ver as coisas com outros olhos que complementam o pensamento do homem. Trata-se de um caminho a percorrer com mais criatividade e audácia”, afirmou Francisco, citando como exemplo o modo como o próprio Jesus considerou as mulheres num período em que eram relegadas ao segundo plano.

O segunda reflexão diz respeito ao tema do homem e da mulher criados à imagem de Deus. “Pergunto-me se a crise de confiança coletiva em Deus não esteja relacionada à crise de aliança entre homem e mulher, já que a comunhão com Deus se reflete na comunhão do casal humano.”

Responsabilidade

Eis então a grande responsabilidade da Igreja e de todos os fiéis para redescobrir a beleza do projeto criador.

“A terra enche-se de harmonia e confiança quando a aliança entre o homem e a mulher é vivida no bem. Jesus nos encoraja explicitamente ao testemunho desta beleza”, concluiu o Papa.

Ao saudar os numerosos grupos na Praça, aos de língua árabe pediu esforços para que, na Igreja e na sociedade, a igualdade entre os gêneros seja respeitada, rejeitando toda forma de abuso e de injustiça, em especial contra as mulheres.

Fonte – Rádio Vaticano

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Processo diocesano de beatificação de dom Helder terá início em maio

Processo diocesano de beatificação de dom Helder terá início em maio

domheldercamaraNo próximo dia 3 de maio, fiéis de toda a Arquidiocese de Olinda e Recife se encontrarão na Igreja Catedral do Santíssimo Salvador do Mundo, em Olinda, para celebrar a abertura oficial do processo de beatificação de Dom Helder Câmara.

A Missa será presidida pelo Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido. Na ocasião, serão apresentados os membros da comissão jurídica responsável por reconhecer as “virtudes heroicas” de Dom Helder e também a oração para pedir a intercessão do religioso. A solenidade está marcada para às 9h.

O tribunal, como é chamado o grupo de trabalho, será formado por cinco membros. “O objetivo deles será analisar os novos textos publicados por Dom Helder e ouvir pessoas que tiveram contato com o Servo de Deus. Também será fundamental a atuação das comissões histórica e teológica, esta última ainda será criada”, explicou o Postulador da causa, Frei Jociel Gomes.

Em coletiva de imprensa na quarta-feira (08/04), Dom Saburido assinou o edital que torna pública a autorização da Santa Sé. O texto cita a carta enviada pelo Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, que chegou à Arquidiocese na segunda-feira (06/04).

“Tenho um carinho enorme por Dom Helder e desde que cheguei à Arquidiocese há esse desejo do povo de Deus. Enviamos o pedido no dia 27 de maio do ano passado e nos surpreendeu positivamente o retorno rápido da Santa Sé. Agora vamos trabalhar para concluir a etapa diocesana do processo. Em seguida, será a vez do Vaticano realizar a outra parte”, declarou Dom Saburido.

Fonte: Rádio Vaticano

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Audiência: as crianças nunca são um erro

Audiência: as crianças nunca são um erro

Catequese_0804_2A Praça S. Pedro ficou lotada de fiéis para a Audiência Geral desta quarta-feira (08/04). Antes de pronunciar sua catequese, Francisco cumprimentou a multidão a bordo do seu papamóvel, recebendo e retribuindo o carinho dos peregrinos.

Já diante da Basílica Vaticana, o Papa tomou a palavra para retomar o ciclo de catequeses sobre a família, depois da pausa da Semana Santa.

Mais uma vez, o Pontífice falou da infância, mas no contexto de uma triste realidade: a de tantas crianças que são rejeitadas, abandonadas, que veem roubadas a sua infância e o seu futuro.

“Às vezes, há quem diga que pode ter sido um erro trazer uma criança ao mundo. Trata-se de uma afirmação vergonhosa! As crianças nunca são ‘um erro’. Não joguemos sobre elas as nossas culpas. Que devemos fazer com as declarações dos direitos do homem e da infância, se depois punimos as crianças com os erros dos adultos?”

O Papa prosseguiu ressaltando que todos os adultos são responsáveis pelas crianças e cada um deve fazer o que pode para mudar a situação de quem vive marginalizado, sem educação e saúde.

Para Francisco, toda criança abandonada é um clamor que sobe a Deus e que acusa o sistema que construímos. “E, infelizmente, essas crianças são presas de delinquentes, que as exploram para tráficos e comércios indignos ou adestrando-as para a guerra e a violência.”

Todavia, advertiu o Pontífice, também nos países ricos muitas crianças vivem dramas que as marcam, como a crise da família, vazios educativos e condições de vida desumanas. Muitas vezes, destacou, os filhos pagam o preço de uniões imaturas e de separações irresponsáveis; sofrem o êxito da cultura dos direitos subjetivos exasperados.

“Nenhuma criança é esquecida pelo Pai que está nos céus”, disse o Papa, recordando que Jesus sempre demonstrou um carinho especial por elas: as chamava para si e as abençoava.

Assim, a Igreja tem a obrigação de estar ao serviço das crianças e de acompanhar as suas famílias, sobretudo aquelas cujos filhos têm graves dificuldades.

“Com as crianças não se brinca!”, disse Francisco, convidando a pensar o que seria uma sociedade que decidisse uma vez por todas estabelecer o seguinte princípio: “É verdade que somos imperfeitos e cometemos muitos erros. Mas quando se trata de crianças que veem ao mundo, qualquer sacrifício dos adultos não será julgado exagerado se isso fizer com que nenhuma criança se sinta um erro ou sem valor”.

Após a catequese, o Papa saudou os diversos grupos presentes na Praça. Pessoalmente, cumprimentou o fundador da Casa do Menor, Pe. Renato Chiera, acompanhado de alguns auxiliares.

Fonte: Rádio Vaticano

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53ª Assembleia Geral será eletiva e atualizará Diretrizes Gerais

53ª Assembleia Geral será eletiva e atualizará Diretrizes Gerais

CNBBDurante a 53ª Assembleia Geral (AG) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que acontecerá de 15 a 24 de abril, em Aparecida (SP), os bispos atualizarão as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). As orientações pastorais aprovadas em 2011 serão apenas revisadas a partir da Exortação Apostólica Evangelii Gaudium e do pronunciamento do papa Francisco aos bispos ocorrido no Rio de Janeiro (RJ), em julho de 2013.

“As diretrizes gerais continuarão a inspirar o trabalho da Igreja nos próximos quatro anos, levando em consideração a atuação do papa Francisco”, explica o arcebispo de São Luís (MA) e vice-presidente da CNBB, dom José Belisário da Silva.

O arcebispo afirma que as DGAE 2011-2015 foram bem acolhidas pelas comunidades do Brasil. “As pessoas realmente receberam com o coração muito aberto, e aquelas cinco urgências pegaram muito bem. Tanto assim que foi aprovado que essas diretrizes continuarão por mais quatro anos, porém com algumas revisões, inspiradas nos pronunciamentos do santo padre Francisco”, conta.

As Diretrizes Gerais estão ligadas à natureza da CNBB, definida em Estatuto Canônico ratificado pela Congregação para os Bispos do Vaticano. Cabe à Conferência colaborar com os bispos na dinamização da missão evangelizadora, “para melhor promover a vida eclesial, responder mais eficazmente aos desafios contemporâneos, por formas de apostolado adequadas às circunstâncias, e realizar evangelicamente seu serviço de amor, na edificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária, a caminho do Reino definitivo”, diz o texto.

As atuais DGAE contêm cinco urgências para a ação evangelizadora: Igreja em estado permanente de missão; Igreja: casa da iniciação à vida cristã; Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral; Igreja: comunidade de comunidades; e Igreja a serviço da vida plena para todos.

Assembleia Geral

O encontro anual do episcopado brasileiro reúne mais de 450 bispos, entre cardeais, arcebispos, bispos auxiliares e eméritos, além dos que fazem parte das igrejas de Rito Oriental. No total, serão 274 circunscrições eclesiásticas representadas.

O bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, avalia a assembleia geral como momento de comunhão, de encontro, de alegria e de celebração da Igreja no Brasil. “A assembleia é um momento extraordinário para nós bispos. Essa troca de ideias, essa troca de afeto colegial. Imagina todos nós podermos celebrar juntos a Eucaristia? Todas as Igrejas particulares ali presentes na figura do bispo. Isso é extraordinário!”, sugere.

Neste ano, além da atualização das DGAE, os bispos terão a missão de eleger a nova Presidência da entidade, composta pelo presidente, vice e secretário geral; os presidentes das doze comissões episcopais pastorais; além de delegados da CNBB para o Conselho Episcopal Latino Americano (Celam) e para a XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, marcada para outubro deste ano, no Vaticano.

Tema prioritário

Na grade de atividades da 53ª AG, está previsto o debate sobre o novo texto que trata dos cristãos leigos e leigas, preparado após recebimento de sugestões e emendas pela comissão responsável. Aprovado em 2014, o texto de Estudos 107, Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade – Sal da Terra e Luz do mundo, volta à pauta da reunião episcopal para nova avaliação.

“Esse estudo está sendo muito bem acolhido nas nossas dioceses, especialmente pelos leigos organizados em comunidades, em movimentos etc. Eu espero que talvez ele se torne um documento oficial da CNBB”, afirma dom Belisário da Silva.

No contexto dos 50 anos do Concílio Ecumênico Vaticano II, o vice-presidente da CNBB considera que a Igreja vive em um momento de “plena consciência” de sua identidade como povo de Deus. “Acho que vivemos numa fase em que toma-se plena consciência que a Igreja é o povo de Deus, e dentro do povo de Deus a maior parte é leigo, sem dúvida nenhuma. A hierarquia, os ministérios ordenados estão a serviço, são ministérios, então, a Igreja é fundamentalmente esse povo de Deus, e dentro desse povo de Deus, o povo que caminha no mundo que são os leigos e leigas”, explica.

Fonte: CNBB

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O sentido do domingo da Páscoa e da oitava a partir dos Padres da Igreja

O sentido do domingo da Páscoa e da oitava a partir dos Padres da Igreja

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Introdução

A Páscoa é a festa das festas, na expressão de Gregório de Nazianzo e em outros padres da Igreja, na qual Jesus Cristo saiu vitorioso da morte. Aludindo também a nossa páscoa, aqueles e aquelas que acreditarem na ressurreição da carne para a vida eterna, essa é a palavra final do Deus Uno e Trino para todas as pessoas que amaram a Deus, ao próximo como a si mesmo. Deus Pai ressuscitou o seu Filho, não deixando-o na morte. Como esta festa é grandiosa, é celebrada não só no dia pascal mas também em outros dias, como a oitava e durante todo o período da Páscoa. Os padres da Igreja colocam-nos ensinamentos sobre a ressurreição de Jesus, na qual esta verdade de fé nos concedeu a alegria de uma nova criação, de um novo êxodo para assim viver a superação da morte eterna. Como diz Agostinho é preciso ter fé nele, porque Aquele que morreu, ressuscitou dos mortos, de modo que agora o Ressuscitado não é visto, mas Ele está conosco. A seguir nós temos considerações dos primeiros teólogos cristãos, os padres da Igreja sobre o domingo da Páscoa e da oitava que segue a grande a festa.

Domingo da Páscoa

A obra “Odes de Salomão”, escrito cristão do final do segundo e início do terceiro século, tem presente a Páscoa da ressurreição do qual afirma que o sol da justiça manifestou-se não proveniente dos céus, mas dos infernos, da mansão dos mortos. De fato algo de extraordinário ocorreu: os infernos tornaram-se imagens do Oriente e o sol da justiça se levantou daquela parte(cf. Ml 3,20) porque Cristo Jesus desceu para iluminar aqueles que estavam em baixo, por meio da sua morte, e saiu para iluminar aqueles e aquelas que estavam no alto por meio da sua ressurreição. Ele alegrou aqueles e aquelas que estavam nos infernos(mansão dos mortos), iluminou aqueles e aquelas que habitavam sobre a terra, deu alegria para aqueles e aquelas que estavam nos céus. Ele ao descer na mansão dos mortos, ressuscitou os mortos para dessa forma sair para os céus e anunciar a felicidade aos seres espirituais. A obra Odes de Salomão tem presente a ação de Jesus Cristo como Ressuscitado dos mortos. O Criador de Adão visitou Adão nos infernos: desceu e o chamou na região inferior, ele que o colocou entre as árvores do paraíso. Aquela mesma voz que o chamou entre as árvores, desceu para chamá-lo entre os mortos. Se a chamada entre as árvores Adão respondeu com angústia, porque tinha pecado, agora entre os que dormiam, respondeu ao Cristo com alegria. Na região das trevas, o Senhor Jesus o chamou e esse foi logo ao encontro do Senhor, porque o débito por ele realizado foi pago pelo seu Senhor e a sua debilidade fora reparada. Então ele levantou a sua cabeça com confiança e o fez sair da região dos prisioneiros. Dessa forma, o Senhor Jesus deu uma nova condição de vida para o gênero humano, homem e mulher. Assim, a morte que fez morrer a todos, morreu pela morte de um só e pelo poder que tudo submeteu foi destruído pela ressurreição de um só: Jesus Cristo.

Segunda Feira na oitava da Páscoa

São Jerônimo coloca-nos reflexões bonitas a respeito da segunda-feira da Páscoa. Ele diz que todo o saltério canta Nosso Senhor Jesus na qual possui a chave de Davi, que abre e ninguém fecha, é Ele que fecha e ninguém abre(cf. Ap 3,7). No entanto anuncia-se de uma forma evidente pelo Salmo 117(118) o mistério da ressurreição. É Ele que na sua subida vitoriosa ao Pai dá a ordem aos anjos de abrir as portas da justiça para entrar e confessar o Senhor(cf. 117, 118,19). Ou também pelo saltério encontramos a referência que diz que as portas antigas deveriam se elevar para que entrasse o rei da glória(cf. Sl 23,4, 7-9). É coisa linda que se mande as portas levantarem-se pelo desígnio de salvação, do mistério da encarnação e da vitória sobre a cruz, na retornou o Senhor ao céu, maior de quando veio sobre a terra. Esta é a porta do Senhor e os justos nela entrarão(Sl 117(118), 20). Através desta porta entrou Pedro, Paulo, os apóstolos, os mártires e cada dia entram os santos e as santas. Tenham confiança e esperem que seja assim também para vocês. O salmo fala não só em uma categoria de pessoas, mas dos justos e das justas que nela entrarão. Quem age na justiça e mereça ser enumerado entre os justos e as justas do Senhor entrará através da porta, que é o Senhor Jesus Ressuscitado.

Terça feira na oitava da Páscoa

O papa Leão Magno(440-461) falou a respeito da terça feira da oitava da Páscoa como participantes da ressurreição neste corpo. A observância dos quarenta dias em preparação à Páscoa do Senhor possibilitou a experiência da cruz no tempo da paixão do Senhor para que assim participássemos da ressurreição de Cristo, passando da morte à vida(cf. Jo 5, 24), enquanto vivamos neste corpo. O povo de Deus reconheça ser uma nova criatura(cf. 2 Cor 5,17) e com ânimo vivo compreenda por quem esta criatura foi assumida e o que tenha acolhido nela, de modo que não se torne criatura velha. Ninguém recaia nesta situação também se a fragilidade do corpo é ainda enfraquecida, mas deseje ardentemente ser curada e de poder elevar-se até às alturas. De fato é esse o caminho da salvação e a imitação da ressurreição iniciada por Cristo Jesus que transferiu os nossos passos do terreno escorregadio àquele sólido, pela sua vida nova dada a nós. Leão convida os féis para ressurgir de toda a caída no pecado ou limitação para assim alcançar a ressurreição da carne que será glorificada em Jesus Cristo, Nosso Senhor, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos.

Quarta feira na oitava da Páscoa

Cipriano de Cartago teve presentes considerações a respeito da quarta feira depois da Páscoa. Ele observa as considerações de Paulo para que ninguém se desespere na morte de seus caros, familiares para não cair na tristeza como se não tivesse mais esperança, mas pelo fato de que se acredita em Jesus que morreu e ressuscitou, cremos que Deus por meio de Jesus, conduzirá os mortos à ressurreição(cfr. 1 Ts 4,13-14). Nós que vivamos de esperança, temos fé em Deus, acreditamos que Cristo sofreu por nós e ressuscitou dos mortos, permaneçamos em Cristo para ressurgir por meio dele e nele. Quando Jesus diz que é a ressurreição e aquele que acredita nele, também se morre viverá e aqueles que vivem e crêem nele não morrerão para sempre(cf. Jo 11,25-26), devem possibilitar fé em Cristo nas suas palavras e nas suas promessas para assim jamais morrer, com confiança alegre de andar com Cristo, com o qual viveremos e reinaremos para sempre. A morte não é um fim, mas uma passagem à vida eterna ao final do caminho neste mundo. Quem não desejaria receber o quanto antes a forma de Cristo e a dignidade da graça celeste? O Cristo Jesus promete-nos a transformação para que nós possamos nos alegrar com Ele nas demoras eternas e no reino dos céus.

Quinta feira na oitava da Páscoa

Nós queremos trazer para o povo de Deus as considerações de Agostinho de Hipona. Quem passou da morte à vida, ressuscitou. Ele interpreta desta forma as palavras de João(cf. Jo 5,24) que quem acredita nas palavras de Jesus tem a vida eterna, passando da morte à vida. Agostinho afirma que ninguém passaria da morte à vida se antes não fosse morto, privado da vida, mas uma vez ressuscitado será vivo e não mais morto. A ressurreição se realiza quando as pessoas passam da morte à vida. O Senhor Jesus fez-nos conhecer uma primeira ressurreição dos mortos que precede à ressurreição dos mortos, a segunda ressurreição, a final dos tempos. Não se trata de uma ressurreição como aquela de Lázaro, ou do filho da viúva de Naim e outros relatos nas quais Jesus ressuscitou as pessoas de sua morte porque elas ressuscitaram para depois morrerem de novo, mas se trata daquela que tem a vida eterna porque a pessoa passa da morte à vida eterna. Os mortos que ressurgirão no fim do mundo passarão à vida eterna. Dessa forma para Agostinho é claro o ponto de que se nós acreditarmos em Jesus e fizermos o bem, pela morte, somos já ressuscitados através da primeira ressurreição, de modo que esperamos a outra ressurreição ao fim do mundo.

Sexta feira na oitava da Páscoa

Basílio de Silêucia compreende que o lenho da cruz trouxe o triunfo. É inexprimível o amor de Cristo para todas as pessoas no mundo de modo que enriqueceu a sua Igreja. Aquele que é grande nos pensamentos e potente nas obras(cf. Jr 3,19) nos resgatou da maldição da Lei(cf. Gl 3,13), libertou-nos do antigo documento escrito pelo nosso débito(cf. Cl 2,14). Sobre a cruz triunfou Jesus sobre aquele que o enganara (Adão) por meio de um lenho, de uma árvore. Pelo túmulo que o acolheu por três dias, fez a porta da ressurreição. A todos quantos estranharam os sofrimentos da promessa, concedeu-lhes os mistérios celestes. A quantos eram sem Deus neste mundo, deu-lhes a graça de serem templos da Trindade pela graça de sua ressurreição.

Sábado na oitava da Páscoa

Agostinho de Hipona fala para os seus féis para terem fé, porque Aquele que não se vê, está com a pessoa. Ele fala dessa forma ao interpretar o encontro do Senhor Jesus ressuscitado dos mortos com os dois discípulos que falam das coisas ocorridas na cidade santa de Jerusalém. Tendo Jesus aparecido no meio deles, viam-no, mas não o reconheceram. O Mestre caminhava com eles no caminho, sendo Ele mesmo o caminho, mas eles não caminhavam no caminho verdadeiro. Ele tinha dito antes da paixão que sofreria, morreria e ressurgiria no terceiro dia. Jesus tinha predito toda coisa, mas a sua morte foi para eles uma perda de memória. Cristo vive e a esperança neles é morta. O Cristo vivente encontra mortos os corações dos discípulos. Ele era visível e também escondido para eles. Ainda que caminhasse com eles no caminho como um companheiro, era Jesus ressuscitado quem os conduzia. Eles eram incapazes não de vê-lo, mas de reconhecê-lo. Porém na fração do pão quis Ele ser reconhecido. Temos a certeza de que ao repartir o pão, reconhecemos o Senhor. Ele quis esse reconhecimento por causa nossa, que nós não o tínhamos visto na carne, porém o comamos na sua carne, pelo pão eucarístico. A fração do pão é a nossa consolação porque manifesta a sua ressurreição. Deste modo é preciso ter fé porque aquele que não se vê, está conosco.

Conclusão

O sentido da Páscoa e da Oitava tiveram considerações lindas a partir dos padres da Igreja. Eles viveram o mistério da ressurreição em unidade com Cristo Jesus e com a comunidade. Para eles, a Páscoa é a alegria da vida sobre a morte a partir de Jesus Cristo. È a passagem de sua morte para a vida. Cristo sofreu pelo ser humano, homem e mulher, morreu na cruz e ressuscitou dos mortos por Deus Pai pelo seu Espírito. Nós afirmamos que o mistério da morte de cada pessoa humana é bem lembrado pelos padres por uma doutrina sobre a ressurreição dos corpos a partir da ressurreição de Jesus. Hoje fazemos Páscoa todos os dias quando superamos o egoísmo, o individualismo, para se dar na generosidade e no serviço aos outros. Nós ressurgimos com Cristo quando amamos a vida familiar, comunitária, social dando testemunho da verdade e do amor em Deus para um dia ressurgir para sempre com Jesus Cristo no Espírito Santo na unidade com o Pai para sempre.

Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)

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Páscoa, festa da Ressurreição de Cristo

Páscoa, festa da Ressurreição de Cristo

“Com a sua morte destruiu a morte e com sua Ressurreição deu-nos a vida.”

Jesus Ressuscitado (3)A Páscoa já era celebrada solenemente pelo povo judeu desde Moisés, para comemorar a passagem do Mar Vermelho, onde sucumbiram as forças do Faraó que perseguia o povo de Deus. Foi a passagem da escravidão do Egito para a liberdade da Terra Prometida por Deus a Abraão. Por isso os judeus a celebravam, e ainda celebram solenemente.

Cristo celebrava a Páscoa como bom judeu, fiel às Sagradas Escrituras, e celebrou-a juntamente com os seus Apóstolos na Última Ceia, onde nos deixou o memorial da sua Paixão: a Eucaristia.

A Páscoa cristã, que tem as sua imagem na dos judeus, é a celebração da Ressurreição de Cristo, a vitória da Vida sobre a morte, o triunfo da graça sobre o pecado, da luz sobre as trevas. Cristo desceu à mansão da morte para destruir a morte. “Com a sua morte destruiu a morte e com sua Ressurreição deu-nos a vida.”

Esta é a alegria e a esperança cristã. O verdadeiro cristão jamais se dá por vencido porque sabe que já é vitorioso Naquele que venceu a morte.

Cada criança ao ser batizada participa desta Morte e da mesma Ressurreição de Cristo; é regenerada; e vive uma vida nova na liberdade dos filhos de Deus.

Jesus, sendo Deus e Homem ao mesmo tempo, trazendo em si de modo harmonioso as duas naturezas, pôde morrer como homem e oferecer á Justiça divina, como Deus, um sacrifício de valor Infinito, e assim pôde conquistar para todos os homens de todos os lugares e de todos os tempos, o resgate do pecado e da morte.

Após a Ressurreição Jesus instituiu no mesmo domingo desta, o Sacramento do perdão, a Confissão; na verdade Ele estava ansioso para distribuir aos homens o perdão que Ele haveria de conquistar com sua morte e Ressurreição; por isso no mesmo dia em que ressurgiu dos mortos Ele enviou os seus Apóstolos a perdoar aos pecados em seu Nome. “Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados, os pecados serão perdoados” (João 20,22).

Cristo ressuscitou e vive entre nós; isto é um fato histórico que os Evangelhos narram. São Paulo afirma na Carta aos Coríntios que “Ele apareceu para mais de quinhentos, dos quais muitos ainda são vivos”.

A verdade da Ressurreição de Cristo é que explica a força dos Apóstolos a saírem pelo mundo pregando Jesus vivo e presente entre eles. Nesta certeza eles enfrentaram o império romano e o tornaram cristão. Nesta certeza eles enfrentaram os dentes dos leões sob Nero, Dioclesiano, Vespasiano, Domiciano e outros imperadores que os massacraram. Foi na força da Ressurreição de Jesus que a Igreja sempre venceu todos os seus inimigos: as heresias, o comunismo, o nazismo, o ateísmo, o racionalismo, as perseguições terríveis da Revolução Francesa e as do século XX na Espanha e no México.

Acreditar que a Igreja chegou até nós com 2000 anos de vitórias, sem acreditar na Ressurreição de Cristo, seria acreditar num milagre maior do que a própria Ressurreição.

Cristo Ressuscitou e vive entre nós. Ele disse aos Apóstolos antes da Ascensão ao Céu: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”.

Coragem meu irmão, Jesus venceu a morte, venceu a dor, venceu o pecado … não tenha medo, porque Ele caminha conosco.

Feliz Páscoa!

Prof. Felipe Aquino

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A espiritualidade da Quinta-feira Santa

A espiritualidade da Quinta-feira Santa

Aqui começa o Tríduo Pascal, a preparação para a grande celebração da Páscoa, a vitória de Jesus Cristo sobre a morte, o pecado, o sofrimento e o inferno

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Este é o dia em que a Igreja celebra a instituição dos grandes sacramentos da ordem e da Eucaristia. Jesus é o grande e eterno Sacerdote, mas quis precisar de ministros sagrados, retirados do meio do povo, para levar ao mundo a salvação que Ele conquistou com a Sua Morte e Ressurreição.

Jesus desejou ardentemente celebrar aquela hora: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa antes de sofrer.” (Lc 22,15).

Na celebração da Páscoa, após instituir o sacramento da Eucaristia, ele disse aos discípulos: “Fazei isto em memória de Mim”. Com essas palavras, Ele instituiu o sacerdócio cristão: “Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribuí-o entre vós. Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.” (cf. Lc 22,17-19)

Na noite em que foi traído, mais Ele nos amou, pois bebeu o cálice da Paixão até a última e amarga gota. São João disse que “antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou.” (Jo 13,1)

Depois que Jesus passou por toda a terrível Paixão e Morte de Cruz, ninguém mais tem o direito de duvidar do amor de Deus por cada pessoa.

Aos mesmos discípulos ele vai dizer, depois, no Domingo da Ressurreição: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20,23). Estava, assim, instituída também a sagrada confissão, o sacramento da penitência; o perdão dos pecados dos homens que Ele tinha acabado de conquistar com o Seu Sangue.

Na noite da Ceia Pascal, o Senhor lavou os pés dos discípulos, fez esse gesto marcante, que era realizado pelos servos, para mostrar que, no Seu Reino, “o último será o primeiro”, e que o cristão deve ter como meta servir e não ser servido. Quem não vive para servir não serve para viver; quem não vive para servir não é feliz, porque a autêntica felicidade o tempo não apaga, as crises não destroem e o vento não leva; ela nasce do serviço ao outro, desinteressadamente.

Nessa mesma noite, Jesus fez várias promessas importantíssimas à Igreja que instituiu sobre Pedro e os apóstolos. Prometeu-lhes o Espírito Santo, e a garantia de que ela seria guiada por Ele a “toda a verdade”. Sem isso, a Igreja não poderia guardar intacto o “depósito da fé”, que São Paulo chamou de “sã doutrina”. Sem a assistência permanente do Espírito Santo, desde Pentecostes, ela não poderia ter chegado até hoje e não poderia cumprir sua missão de levar a salvação a todos os homens de todas as nações.

”E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós.” (Jo 14, 16-17).

Que promessa maravilhosa! O Espírito da Verdade permanecerá convosco e em vós. Como pode alguém ter a coragem de dizer que, um dia, a Igreja errou o caminho? Seria preciso que o Espírito da Verdade a tivesse abandonado.

”Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito.” (Jo 14, 25-26)

Na Última Ceia, o Senhor deixou à Igreja essa grande promessa: O Espírito Santo “ensinar-vos-á todas as coisas”. É por isso que São Paulo disse a Timóteo que “a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3, 15). Quem desafiar a verdade de doutrina e de fé, ensinada pela Igreja, vai escorregar pelas trevas do erro.

E, na mesma Santa Ceia, o Senhor lhes diz: “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade…” (Jo 16, 12-13)

Jesus sabia que aqueles homens simples não tinham condições de compreender toda a teologia cristã; mas lhes assegura que o Paráclito lhes ensinaria tudo, ao longo do tempo, até os nossos dias de hoje. E o Sagrado Magistério dirigido pelo Papa continua assistido pelo Espírito de Jesus.

São essas promessas, feitas à Igreja na Santa Ceia, que dão a ela a estabilidade e a infalibilidade em matéria de fé e costumes. Portanto, não só o Senhor instituiu os sacramentos da Eucaristia e da ordem, na Santa Ceia, mas colocou as bases para a firmeza permanente da Sua Igreja. Assim, Ele concluiu a obra que o Pai Lhe confiou, antes de consumar Sua missão na cruz.

Por: Prof. Felipe Aquino

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