Solenidade de Pentecostes

Solenidade de Pentecostes

“E ficaram cheios do Espírito Santo” (cf At 4, 2), foi assim que os apóstolos ficaram após receber a visita do paráclito no Cenáculo. Esta solenidade da Igreja é muito preciosa para nós, pois, depois desse encontro os apóstolos foram em missão para levar o Evangelho aos quatro cantos do mundo. “Celebrar Pentecostes é reconhecer que Deus está conosco em todos os momentos até o fim dos tempos” nos diz o Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM.

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Sacerdote sequestrado pelo ISIS: sobrevivi às torturas rezando o Rosário

Sacerdote sequestrado pelo ISIS: sobrevivi às torturas rezando o Rosário

DouglasBazi_BlancaRuizACIPrensa_130515O Pe. Douglas Bazi testemunhou em primeira pessoa os horrores cometidos pelo Estado Islâmico no Iraque. Foi sequestrado por este grupo terrorista muçulmano durante nove dias e agora pede para que o mundo não esqueça dos cristãos e protejam as minorias neste país do Oriente Médio.

“Não me surpreendeu que me sequestrassem, o que me surpreende é seguir vivo”, expressou o Pároco da Igreja de São Elias em Erbil (Iraque). “Um dia, depois de celebrar a missa, estava indo à casa de uns amigos, quando dois carros interromperam meu caminho e me sequestraram. Meu primeiro pensamento foi: ‘Este será o meu fim, me mataram’”, recordou o Pe. Douglas em sua entrevista ao grupo ACI.

“Vendaram os meus olhos e em seguida ameaçaram matar-me se visse os meus sequestradores. Me colocaram no porta-malas de um automóvel e me levaram a uma casa onde permaneci preso durante nove dias. Sangrava muitíssimo porque bateram no meu rosto com um martelo e com joelhadas”, relatou o Pe. Bazi.

“Me colocaram umas correntes e algemas. Permaneci lá durante nove dias horríveis. Neste momento o meu único consolo era rezar o rosário”, destacou o sacerdote.

O Pe. Bazi relatou: “Rezei os melhores rosários da minha vida com a ajuda das correntes”. Ele aconselhava os sequestradores durante o dia e de noite eles o torturavam. Ficou durante nove dias sem comer e sem tomar água.

O sequestro somente foi um dos inumeráveis ataques que recebeu, além disso os grupos radicais haviam lançado morteiros enquanto celebrava a missa. Em outra ocasião colocaram uma bomba em sua paróquia e também lhe dispararam um tiro na perna.

“Nossa comunidade está constituída por quatro pontos: Jesus, o Papa, o Bispo e o sacerdote. Por isso, quando querem atacar começam pelo sacerdote porque assim atacam a base”, assegurou o padre.

Segundo afirmou o Pe. Bazi: “Durante 100 anos meu povo sofreu oito momentos de violência contra eles. Em quatro ocasiões foram obrigados a saírem do país ou da cidade”.

“Os muçulmanos radicais não aceitam nenhum grupo educado e os cristãos são um dos últimos grupos assim”, explicou o sacerdote Iraquiano.

“O problema do Oriente Médio não é a disputa pelo petróleo, mas a briga entre os (muçulmanos) sunitas e chiitas que disputam pelo território. Isso é o único que lhes preocupa”, assinalou.

Diante desta situação dramática o Pe. Douglas admitiu: “Ninguém pode viver eternamente em uma caravana e muito menos famílias inteiras em habitações pequenas”. Por isso, pede ajuda para a construção de lugares de acolhida para os refugiados.

Além disso, insistiu: “O ponto mais importante para melhorar esta situação seria criar oportunidades culturais entre os jovens: “Pertenço a um país com mais de 6000 anos de civilização, mas agora não temos cultura, necessitamos educação, escolas. Além disso é muito importante pensar como ajudaremos nosso povo no futuro quando tirem de dentro o trauma que carregam”.

“Muitos não querem deixar o país. Nós estamos orgulhosos de ser iraquianos e também da nossa fé católica, embora o Iraque não esteja orgulhoso de que sejamos parte deste país”, conclui a entrevista do Pe. Bazi.

Fonte: ACI Digital

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Papa canoniza quatro novas santas e pede reconciliação

Papa canoniza quatro novas santas e pede reconciliação

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As beatas irmãs Joana Emília de Villeneuve, da França, Maria Cristina Brando, da Itália; irmãs Maria Baouardy e Maria Alfonsina Danil Ghattas, árabe-palestinas, foram canonizadas na manhã deste domingo (17/05) em cerimônia presidida pelo Papa na Praça São Pedro.

Francisco recordou que irmã Joana “foi um sinal concreto do amor misericordioso do Senhor” ao consagrar sua vida a Deus, aos pobres, aos doentes e aos reclusos.

Sobre irmã Maria Cristina, o Pontífice afirmou que a santa “foi completamente conquistada pelo amor ardente ao Senhor” e do encontro “coração a coração” com o Senhor, recebia a força para suportar os sofrimentos.

A respeito da vida de irmã Maria Baouardy, o Papa disse que o seu constante diálogo com o Espírito Santo a permitiu “dar conselhos e explicações teológicas com extrema clareza”, apesar de ser humilde e iletrada.

“A docilidade ao Espírito – continuou Francisco – fez com que ela fosse também instrumento de encontro e de comunhão com o mundo muçulmano”.

Já irmã Maria Alfonsina Danil Ghattas “soube bem o que significa irradiar o amor de Deus no apostolado”, disse Francisco. Ao se transformar em uma testemunha de mansidão e unidade, “ela é um claro exemplo do quanto é importante sermos uns responsáveis pelos outros, de vivermos um a serviço do outro”.

Reconciliação

Ao final da celebração, o Papa agradeceu a presença das delegações oficiais da Palestina, França, Itália, Israel e Jordânia. Ao saudar as filhas espirituais das quatro novas santas, pediu que, pela intercessão das novas santas, o Senhor conceda um novo impulso missionário aos respectivos países de origem.

“Inspirando-se aos seus exemplos de misericórdia, de caridade e reconciliação, possam os cristãos destas terras olhar com esperança ao futuro, prosseguindo no caminho da solidariedade e da convivência fraterna”, concluiu Francisco para, então, recitar a Oração Mariana do Regina Coeli e conceder a todos a sua bênção apostólica.

Fonte: Rádio Vaticano

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Ascensão do Senhor: Por que ficais aqui, parados, olhando para o céu?

Ascensão do Senhor: Por que ficais aqui, parados, olhando para o céu?

meio2Ite, missa est”, dizia o sacerdote ao fim da celebração na liturgia pré-Conciliar. “Podem ir, estão dispensados”, seria uma das traduções possíveis. Na atualidade, a fórmula passou a ser: “Ide em Paz, o Senhor vos acompanhe”. É mais do que uma despedida. É um envio missionário ou, conforme diz a expressão, “Termina a missa e começa a missão”. Aos apóstolos e discípulos, o contato íntimo e próximo com Jesus vivo e ressuscitado conferiu a maturidade suficiente para que levassem adiante a missão confiada pelo Mestre. Estavam qualificados para serem testemunhas fiéis de Jesus Cristo, que voltava para junto do Pai.

Encantados com a despedida, os discípulos permaneceram olhando para o céu, no que foram imediatamente advertidos: “Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu?” (At 1,11). A proposta agora é que partissem, levassem ao mundo e às pessoas a mensagem do Evangelho, encarnada em palavras, ações e atitudes de transformação, sempre para melhor, da realidade. Antes de subir aos céus para junto do Pai, o Ressuscitado fez questão de mostrar aos discípulos que estaria sempre com eles pela ação do Espirito Santo.

Assim permanece até hoje. O encontro com Cristo na missa, através da Palavra de Deus proclamada e partilhada, da Eucaristia repartida e distribuída, da comunidade de fé que se reúne, é a garantia de que Ele permanece conosco, de que caminha ao nosso lado. Levá-lo para todos os ambientes onde vivemos e convivemos é a nossa missão.

Neste Domingo da Ascenção, celebramos também o Dia Mundial das Comunicações. É para nos recordar que comunicar a ação efetiva de Cristo no mundo é tarefa central de nossas vidas. Em sua mensagem para o Dia das Comunicações deste ano, o Papa Francisco aponta a Família como ambiente por excelência para se viver os valores do encontro e da gratuidade, no amor. Mesmo com todas as lutas e dificuldades vividas no contexto familiar, é neste ambiente que o ser humano se introduz no mundo, é através da família que é chamado à vida, ao crescimento e à maturidade. Em sua mensagem, em momento nenhum o Papa assume um tom pessimista ou de lamentação mas, ao contrário, nos convida a olharmos a realidade das famílias e das pessoas com os olhos da misericórdia, buscando encontrar as sementes da Boa Nova que o Senhor espalha entre seus filhos e filhas. Vamos seguir em frente. Trabalho não nos falta. O Senhor sobe aos céus para ficar mais perto de nós. Ele está conosco!

Fonte: Frei Gustavo Medella
Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

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Os dons infusos do Espírito Santo

Os dons infusos do Espírito Santo

Os dons infusos produzem os frutos, perfeições que o Espírito Santo forma em nós como primícias da glória eterna

Desde o batismo ,o Espírito habita em nós (cf. 1 Cor 3,16; 6,19) e gera em nós os dons de santificação, também chamados dons infusos: Ciência, Entendimento, Sabedoria, Conselho, Piedade, Fortaleza e Temor de Deus. Com a Crisma, esses dons crescem no cristão. Os Sete dons do Espírito Santo.

Os dons infusos do Espírito Santo
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

“Não sabeis que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Porque o templo de Deus, que sois vós é santo” (1 Cor 3,16). “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual vos foi dado por Deus? (1 Cor 6,19).
O nosso Catecismo diz: “A vida moral dos cristãos é sustentada pelos dons do Espírito Santo. Estes são disposições permanentes que tornam o homem dócil para seguir os impulsos do mesmo Espírito” (n. 1830).

Os dons do Espírito Santo são como que “auxiliares das graças”, os seus “lubrificantes”. São predisposições para a santidade que o batismo infunde na nossa alma junto com a graça santificante e as virtudes teologais (fé, esperança e caridade) e morais (justiça, fortaleza, prudência e temperança).

Além dos dons infusos, o Espírito Santo produz nos fiéis os frutos, que são perfeições que o divino Espírito forma em nós como primícias da glória eterna. A Tradição da Igreja enumera doze: “caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade” (Gl 5,22-23 vulg.).

Os sete dons do Espírito Santo em plenitude pertencem a Cristo. Completam e levam à perfeição as virtudes daqueles que os recebem. Tornam os fiéis dóceis para obedecer prontamente às inspirações divinas. “Que o teu bom espírito me conduza por uma terra aplanada” (Sl 143,10). “Todos os que são conduzidos pelo Espírito Santo são filhos de Deus. Filhos e, portanto, herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo” (Rm 8,14.17).

Somente pela ação do Espírito Santo em nós é que podemos conquistar a santidade. É ele que, desde o batismo, vem habitar em nós para nos fazer “templos do Deus vivo”; ou, como disse São Pedro, “pedras vivas, vós também vos tornais os materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo, a oferecer vítimas espirituais agradáveis a Deus, por Cristo” (1Pe 2,5). São Pedro Julião Eymard disse que “é dogma de fé que, sem o auxílio do Espírito Santo, não podemos ter um pensamento sobrenatural; apenas naturais”.

O Espírito de Jesus habita em nós para fazer-nos imagens de Jesus (Rom 8,29), o Homem perfeito e Santo. Desde o batismo, o Espírito habita em nós com a Trindade Santíssima e nos dá os dons de santificação: Sabedoria, Ciência, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Piedade e Temor de Deus. A Igreja nos ensina que, mediante esses dons, o Espírito nos dirige para a santificação, à medida que a nossa disposição coopera com a graça.

Muitas vezes, pedimos um ou outro dom do Espírito Santo. Devemos ter a coragem de pedir todos eles, para que Deus venha sempre em socorro de nossas fraquezas e nos ajude a crescer na busca da santidade de vida e no engajamento à missão evangelizadora de anunciar a Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – ao mundo, para que o mundo creia e a paz, a concórdia e a misericórdia reinem entre nós.

Peçamos, humildemente, a Virgem Maria Aparecida,  esposa do Espírito Santo, que  interceda por nós junto a Deus, concedendo-nos  a graça de recebermos os divinos dons, apesar de nossa indignidade, de nossa miséria, de nossa fragilidade e fraqueza. O próprio Jesus, Nosso Redentor, recomenda-nos:  “Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto”(Mt 7, 7).

Façamos a experiência e possamos experimentar as chuvas de bênçãos que Pentecostes nos proporcionará. Amém!

Fonte: Prof. Felipe Aquino – Canção Nova

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Peregrinar a pé ao encontro de Nossa Senhora

Peregrinar a pé ao encontro de Nossa Senhora

nossa senhora de fátima

As motivações dos jovens que peregrinam a pé a Fátima

Seis horas da manhã. O dia ainda não nasceu, mas os pés fazem-se à estrada depois do “Envio”. Às costas, a vontade de agradecer a Nossa Senhora de Fátima a licenciatura que terminou no verão passado, porque “durante os pontos mais baixos da minha vida, durante a licenciatura, sempre tive Nossa Senhora ao meu lado, e este é o meu agradecimento”. As palavras são da Catarina Trabulo, 22 anos, escoteira desde pequena, que em outubro passado resolveu peregrinar a Fátima. Cinco dias a andar, para chegar e enfrentar uma chuva torrencial na sua primeira noite numa procissão das velas em Fátima. Tudo por «agradecimento». “Sempre disse que, no final do curso, queria vir a Fátima a pé agradecer por tudo”, diz.

Mas porquê a pé, se há meios de transporte bem mais rápidos e confortáveis? “É muito diferente ir a Fátima a pé ou de carro. Ir a pé… nem se explica bem, mas há toda uma engrenagem de coisas que nos envolvem e nos fazem ir com vontade de alguma coisa, que de carro não é possível conseguir”, tenta explicar, enquanto sorri, recordando o caminho.

São muitas as motivações que levam jovens católicos a, todos os anos, se juntarem a grupos para peregrinarem para Fátima. Até o Benfica e o famoso – e fatídico – minuto 92. “Numa aposta com um amigo peregrino disse que se o Benfica não fosse campeão que eu ia a pé na próxima peregrinação. O Benfica não foi, e eu tive de cumprir com a aposta.”

Entre risos e algum espanto perante a forma como «Deus sabe o que faz», Paulo Sérgio, de 29 anos, explica como surgiu a possibilidade de ir a pé até Fátima. Há anos que ajudava o grupo da Igreja de São João de Deus em Lisboa na logística, providenciando as refeições, mas nunca se tinha aventurado a fazer o caminho a pé, apesar da vontade que o invadia cada vez mais. “Foi preciso aquele “clique”, que vale tanto como outro qualquer, para me fazer ir. E valeu bem a pena”, confessa, já que, “hoje em dia, ainda não encontrei palavras para descrever o quão gratificante e importante aquilo foi”.

São muitas as motivações, mas todas com fundos semelhantes: agradecer, louvar… e refletir. “Ser escoteira, católica, catequista, tudo isso foram fatores que me levaram a fazer isto”, diz a Catarina. “Andar sozinho foi uma das melhores partes da peregrinação. Sou uma pessoa introvertida, e acabou por ser bom fugir da rotina do dia-a-dia e caminhar pela natureza e estar sozinho com Deus. O silêncio conseguia levar-me a pensar em coisas que ao longo do dia-a-dia não pensamos ou não damos importância. Naquele momento fazemos uma retrospetiva do que nos aconteceu e que nos poderá acontecer, e acaba por ser uma das fases muito boas” do caminho, conta Paulo Sérgio.

Para a Catarina, a possibilidade de reflexão pessoal é também um dos pontos fortes do caminho. “Querer ir refletir, pensar muito sobre nós próprios, sairmos do nosso dia-a-dia e termos um tempo só para nós, que é muito útil. Nem sempre é possível na nossa vida pensarmos no que queremos fazer, e ali conseguimos isso”, diz a Catarina.

A peregrinação a pé de ambos os jovens durou cinco dias. Um tempo que deu “para tudo”, já que, ao caminho individual, se juntam momentos de reflexão em grupo ao final do dia ou nas paragens, orações em conjunto durante o caminho, tudo orientado por sacerdotes ou dinâmicas que ajudam a direcionar a reflexão.

Tudo isto… e selfies. “Ia colocando fotos do caminho no Facebook, os meus amigos iam colocando likes e as pessoas mais velhas iam deixando comentários e pedindo para rezar por elas também”, conta Catarina, para quem estas fotos e esta dinâmica de partilha do caminho nas redes sociais é uma ferramenta de evangelização. “Acaba por servir como evangelização, porque me veem a mim no meu caminho, a mostrar que a peregrinação não é uma seca, ou uma coisa em que estamos a rezar não sei quantos dias seguidos quase por obrigação. Há momentos para tudo, e foi uma forma de mostrar que, ali, estava contente e alegre, a viver aquele momento de fé. Tenho orgulho da minha fé, e não a devo esconder”, referiu.

Mesmo que, como lhe aconteceu, muitos dos seus amigos não compreendam estas «loucuras». “Nem todos os meus amigos compreendem o que fiz. Muitos chamaram-me maluca, principalmente quem está mais afastado da Igreja ou do escotismo, perguntaram-me que raio ia eu fazer a Fátima, ainda por cima a pé”, diz, entre risos.

Suor, lágrimas… e Fátima no horizonte

Depois de todo o caminho, a ânsia maior é pela chegada a Fátima. A última etapa da peregrinação é também a mais emotiva. “A chegada é o culminar de cinco dias de vivência e preparação. Vamos com uma ideia do que irá acontecer, mas o momento só pode ser compreendido por quem faz e o experimenta, porque é uma coisa única. Eu não sou muito emotivo, mas as lágrimas acabaram por me escorrer pela face”, reconhece o Paulo, meio envergonhado. A Catarina é bem mais expansiva. “Quando chegamos parece que há um sentimento de realização que se apodera de nós e todo o cansaço é esquecido. A primeira coisa que fazemos é ir à estátua do Sagrado Coração de Jesus que está no centro do santuário, porque é a imagem principal dos peregrinos e ia ao encontro do tema do grupo que era “Com Maria ao encontro de Jesus”, e por isso é essa a nossa primeira passagem. Entramos por uma das laterais, vamos diretos à estátua, paramos durante algum tempo, refletimos, agradecemos, choramos, caiu-me tudo e senti-me muito mais aliviada”, recorda.

O alívio surge depois do sacrifício de cinco dias a caminhar, majoritariamente por estradas de alcatrão, à chuva e ao sol, a uma média de mais de 20 km por dia. “O primeiro dia correu-me muito bem, mas ao segundo dia eu já estava a dizer que ia desistir, porque sentia o corpo num estado de exaustão nunca visto”, diz o Paulo. A Catarina sentiu menos o esforço, já que uns meses antes tinha ido com os escoteiros a Santiago de Compostela, mas reconhece os benefícios espirituais do esforço físico. “O sacrifício ajuda muito à reflexão, porque pensamos sempre que não somos capazes, mas depois vemos que somos capazes de nos superarmos a nós mesmos, e se o conseguimos fazer no corpo, conseguimos em tudo o resto da nossa vida”, afirma. O Paulo conta que, na sua peregrinação, foram também as palavras que moldaram a mente e ajudaram o corpo. “Por norma, o Pe. Carlos Azevedo costuma ir celebrar missa ao final do dia, e as palavras dele inspiraram-me e deram-me uma força que me permitiu no dia a seguir levantar-me sem dores, parecia um passarinho de tão leve”, brinca.

Depois de tudo, para além das reflexões individuais e do agradecimento a Nossa Senhora, ficam as amizades que se constroem no caminho. “No final ficamos todos muito amigos, e as redes sociais ajudam a manter o contacto. Para além disso, temos um terço mensal que costumamos organizar em casa dos peregrinos que foram na peregrinação”, conta a Catarina. “As partilhas entre pessoas que não se conhecem de lado nenhum e que criam uma grande ligação não se explicam, simplesmente acontecem. É mesmo isso que para mim significa fazer este caminho», diz o Paulo, que mudou completamente a perspetiva que tinha do caminho enquanto membro do staff de apoio aos peregrinos.

Por: Ricardo Perna
Fonte: Aleteia

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Arquidiocese de Florianópolis realiza III Festival da Família

Arquidiocese de Florianópolis realiza III Festival da Família

festival da familiaEste ano o tema para o dia mundial das comunicações é “Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor”, em que o Papa Francisco nos pede que levemos aos quatro cantos do mundo os valores da família cristã. Atentos à necessidade de difundir essa mensagem trazida pelo Papa, a Comissão Arquidiocesana para a Vida e Família vai realizar o III Festival da Família.

O Festival vai acontecer no dia 17 de maio, no bairro Balneário, no último bolsão da Avenida Beira Mar Continental, com início às 09h e termino às 17h. O evento tem se tornando tradicional no calendário da Arquidiocese, e tem como objetivo reunir as famílias para viver um momento de confraternização e descontração em unidade.

Na parte da manhã as famílias serão acolhidas com a apresentação da Comunidade Católica Abba Pai, e às 10h30 vai ser celebrada a Santa Missa presidida pelo Arcebispo Dom Wilson Tadeu Jönck. Seguindo a programação vai acontecer o piquenique das famílias, os alimentos podem ser levados de casa ou comprados nas barraquinhas que vão estar à disposição durante todo evento.

Nesta edição haverá algumas novidades, como tendas com apresentações para todas as idades. Acontecerão shows com Ministério Glória Eterna, Simone Medeiros e família, Ministério do Santuário Nossa Senhora de Fátima, Comunidade Aba Pai a partir das 13h. E o “Cine Família” que já aconteceu nas edições passadas vai voltar com novidades que vão levar a reflexão sobre o que é ser família.

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Papa Francisco: os verdadeiros cristãos fazem bem ao próximo e à sociedade

Papa Francisco: os verdadeiros cristãos fazem bem ao próximo e à sociedade

xico“É preciso manter-se fiel ao Batismo, e crescer na amizade com o Senhor mediante a oração, a oração cotidiana, a escuta e a docilidade à sua Palavra, ler o Evangelho, participar dos Sacramentos, especialmente o da Eucaristia e o Sacramento da Reconciliação.” Foi o que disse o Papa Francisco no Regina Caeli ao meio-dia deste domingo na Praça São Pedro, diante de mais de 50 mil fiéis, peregrinos e turistas presentes.

Atendo-se ao Evangelho deste domingo que nos apresenta Jesus durante a Última Ceia, o Santo Padre ressaltou que Jesus, sabendo que era chegada a sua hora, quis fixar na mente de seus discípulos uma verdade fundamental: mesmo quando Ele não mais estará fisicamente no meio deles, eles poderão permanecer unidos a Ele num modo novo, e assim dar muitos frutos.

De fato, um cristão pode permanecer tal somente com uma condição, que reste unido a Cristo como um ramo à videira. Esse é o modo novo indicado por Jesus, ressaltou o Pontífice, e que se tornou possível mediante os Sacramentos, o “manter-se fiel ao Batismo”, mediante a “oração todos os dias”, “ler o Evangelho”, numa palavra, no “crescer na amizade com o Senhor”:

“Os ramos não são autossuficientes, mas dependem totalmente da videira, na qual se encontra a fonte de suas vidas. Assim é para nós, cristãos. Inseridos em Cristo mediante o Batismo, recebemos d’Ele gratuitamente o dom da vida nova, e podemos permanecer em comunhão vital com Cristo.”

Desta comunhão, brota a novidade cristã que pode incidir em qualquer relação pessoal, qualquer âmbito social, prosseguiu o Pontífice:

“Se alguém permanece intimamente unido a Cristo, goza dos dons do Espírito Santo, que – como nos diz São Paulo – são ‘amor, alegria, paz, magnanimidade, benevolência, bondade, fidelidade, mansidão, domínio de si’ e esses são os dons que nos são dados se permanecemos unidos a Jesus; e, consequentemente, faz muito bem ao próximo e à sociedade, é uma pessoa cristã. Efetivamente, dessas atitudes se reconhece se alguém é um verdadeiro cristão, como a árvore se reconhece através dos frutos.”

Verdadeiramente, em um cristão que permanece unido a Jesus tudo é transformado – “alma, inteligência, vontade, afetos, e também o corpo, porque somos unidade de espírito e corpo”, observou Francisco. E os frutos, que daí derivam, são maravilhosos, definiu o Papa:

“Recebemos um novo modo de ser, a vida de Cristo torna-se nossa: podemos pensar como Ele, agir como Ele, ver o mundo e as coisas com os olhos de Jesus. Consequentemente, podemos amar nossos irmãos, a partir dos mais pobres e sofredores, como Ele o fez, e amá-los com o seu coração e assim levar ao mundo frutos de bondade, de caridade e de paz.”

Após a oração mariana, o Papa recordou a Beatificação, este sábado, de Luigi Bordino, leigo consagrado da Congregação dos Irmãos de São José de Cottolengo, que dedicou sua vida aos enfermos e sofredores, sem cessar, em favor  dos mais pobres, medicando e lavando suas chagas.

O Pontífice dirigiu uma especial saudação à Associação Méter, neste domingo dedicado às crianças vítimas da violência, agradecendo “pela abnegação com que busca prevenir esses crimes”. E exortou:

“Todos devemos empenhar-nos a fim de que toda pessoa humana – e especialmente as crianças – seja sempre defendida e protegida.” (RL)

Rádio – Rádio Vaticano

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