O Projeto de Deus

O Projeto de Deus

Quando  se diz “projeto de Deus”, muitos tendem logo a pensar que se está dizendo que Deus tem desde sempre um projeto sobre o mundo e sobre a história já definido, pensado e minuciosamente calculado, independente de tudo o que as pessoas possam fazer. Mas não é assim. Pelo contrário, desde o começo, o projeto de Deus conta com os homens, é um projeto compartilhado. É um projeto por e para nós, que não se leva a cabo sem nós.

Um dos aspectos mais originais e característicos do Deus dos cristãos é que Ele se revela e se manifesta na história, de modo progressivo, humano. E não se faz em forma de explicação ou de comunicação conceitual dirigida ao entendimento, senão em forma de doação, de acolhida gratuita, de convite a participar de sua vida, de sua plenitude, de seu gozo. É um mistério de amor e solidariedade. Convida a relacionar-se com Ele: “Eu serei teu Deus e tu serás meu povo” (Ex 6,8).

O projeto de Deus não é um conjunto de enunciados, programas e planos pré-concebidos. A Bíblia é o testemunho dos atos de Deus, da ação de Deus na história humana, que começa com a criação livre e amorosa do mundo, continua com o acompanhamento dos homens nas promessas, a aliança e os profetas e culmina com a intervenção definitiva do mesmo Deus feito homem. O projeto de Deus se constrói e se desenvolve em função dos homens. Jesus é a melhor resposta de Deus às perguntas, às interrogações, às buscas, aos anseios, aos sofrimentos e às esperanças dos homens. Ele é a palavra de Deus, próxima, íntima, compreensível, “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6).

A liberdade é dom de Deus e tarefa do homem. Deus a faz possível criando o homem como um ser capaz de decidir e de eleger, chamado a realizar-se. Deus impulsiona, estimula, acompanha com sua presença sempre atuante; mas é o homem quem tem que realizar-se em liberdade. É uma dialética de “graça” e “liberdade”: a ação de Deus não anula a responsabilidade do homem, a possibilita e a estimula.

O projeto de Deus se realiza em Jesus, por seu Espírito (Ef 1,3-14). É um projeto de salvação, de realização plena do humano: corresponder ao amor livre e gratuito de Deus. É a realização plena do ser humano e se dá quando os homens reconhecem e acolhem o amor de Deus. É a plena comunhão de Deus com os homens.

O Antigo e o Novo Testamento mostram como Deus sai continuamente ao encontro do homem, busca ao que está perdido, se preocupa pelos mais pobres… É um Deus compreensivo e misericordioso. Um Deus apaixonado pelo homem, Um Deus que busca sua resposta livre e amorosa; um Deus paciente e confiado, fiel, comprometido até o final, que quer construir entre todos um mundo mais fraterno e solidário, um mundo no qual todos sejam e se sintam filhos e irmãos.

Ao comunicar-se como relação plena e como doação total, Deus dá origem a uma alteridade sem ruptura e a uma perfeita comunhão entre vida e missão. Aparece como a fonte, a referência  e a meta das possibilidades dos seres humanos, chamados a viver a plena comunhão com Deus e com os demais (Jo 17,21-23).

Pe. Horácio Penengo, sdb

Fonte: Revista A Palavra: O projeto de Deus. pág 13, ed.33, janeiro/2014.

Share
Ano Novo, Nova Vida

Ano Novo, Nova Vida

(Baseado no livro “Tecendo o fio de ouro”)

Christmas_2016_Gold_449512

Parece um tanto clichê, mas é comum que ao início de cada ano tenhamos uma necessidade de traçar metas e objetivos novos, marcando uma espécie de recomeço. Em contrapartida surge, às vezes, certo medo de encarar os novos desafios e até mesmo um desânimo pelos possíveis fracassos anteriores. Certa vez Carlos Drummond de Andrade escreveu:

“Para ganhar um ano-novo, que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo. Eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente”.

Neste processo de planejamento, existe uma ferramenta que tem auxiliado muitas pessoas, que é o Projeto de Vida Pessoal – PVP. Este sistema favorece o autoconhecimento, norteia e orienta os passos na caminhada. Planejar, traçar novas metas e ter uma orientação para a vida é a maneira mais sólida para aliviar diminuir a distância entre o “eu atual” e o “eu ideal”.

Desta forma é essencial que se tenha, acima de tudo, coragem. Encarar a verdade, a realidade, para tomar as rédeas da vida nas mãos e dar a ela o rumo que se deseja. Coragem de olhar para o passado e clareza para enxergar ali os erros e acertos, o que deve permanecer como é e o que precisa ser modificado.

Mas como saber o que é realmente necessário mudar em nossa vida? O que, de fato, está atrapalhando os planos? Estas são questões difíceis de serem respondidas e fazer isso é uma tarefa que exige disposição, pois requer aprofundamento.  Fazer uma reflexão é essencial, colocar-se diante de Deus e pedir a Ele que dê clareza e discernimento e que ilumine seu coração com a luz divina.

Confira o vídeo e saiba mais

De maneira mais prática, pode-se anotar algumas perguntas, num papel ou no computador, e respondê-las com objetividade e sinceridade. São elas: 

Quais áreas da vida preciso modificar?

Familiar, profissional, afetiva, espiritual… 

Como estou atualmente?

Que pessoas quero perdoar? Como estão meus relacionamentos em casa, no trabalho? Que situações da minha história ainda trazem ressentimentos no meu coração? Que traumas e medos preciso vencer? Como concretamente estou vivendo esta situação na minha vida, que respostas estou dando?

Como gostaria de ser /estar?

Responda com aquilo que você deseja alcançar, aonde quer chegar.

O que meios preciso para isso?

No PVP é muito importante ser concreto, objetivo. Então, pense que meios lhe ajudarão a chegar ao ideal na área em questão.

Quando farei isso?

Defina dia, horários, frequência na qual você irá desenvolver a ação proposta na pergunta anterior.

Fonte: Revista A Palavra

Paróquia São Luís Gonzaga de Brusque, SC

Share
A vocação da Igreja é ser missionária, sem proselitismo, diz Papa na Epifania

A vocação da Igreja é ser missionária, sem proselitismo, diz Papa na Epifania

Papa_epifania 01No dia em que a Igreja celebra a Solenidade da Epifania do Senhor, o Papa Francisco presidiu a Santa Missa na Basílica de São Pedro, reiterando na homilia que a “Igreja não pode iludir-se de brilhar com luz própria”, “mas com a de Cristo”. A exemplo dos Reis Magos, somos chamados “a sair dos nossos fechamentos, a sair de nós mesmos, para reconhecermos a luz esplendorosa que ilumina a nossa existência”.

“Cristo é a luz verdadeira, que ilumina – disse o Papa – e a Igreja, na medida em que permanece ancorada n’Ele, na medida em que se deixa iluminar por Ele, consegue iluminar a vida das pessoas e dos povos”. Por isso – explicou – “os Santos Padres reconheciam, na Igreja, o «mysterium lunae»”, isto é, “é como a lua”, que não brilha com luz própria. E como cristãos, “temos necessidade desta luz, que vem do Alto, para corresponder coerentemente à vocação que recebemos”:

“Anunciar o Evangelho de Cristo não é uma opção que podemos fazer entre muitas, nem é uma profissão. Para a Igreja, ser missionária não significa fazer proselitismo; para a Igreja, ser missionária equivale a exprimir a sua própria natureza: isto é, ser iluminada por Deus e refletir a sua luz. este é o seu serviço. Não há outra estrada. A missão é a sua vocação: resplandecer a luz de Cristo é o seu serviço. Quantas pessoas esperam de nós este serviço missionário, porque precisam de Cristo, precisam conhecer o rosto do Pai”.

Francisco explica que os Magos, de que nos fala o Evangelho de Mateus, “são um testemunho vivo de como estão presentes por todo lado as sementes da verdade, pois são dom do Criador que, a todos, chama a reconhecê-Lo como Pai bom e fiel”:

“Os Magos representam as pessoas, dos quatro cantos da terra, que são acolhidas na casa de Deus. Na presença de Jesus, já não há qualquer divisão de raça, língua e cultura: naquele Menino, toda a humanidade encontra a sua unidade. E a Igreja tem o dever de reconhecer e fazer surgir, de forma cada vez mais clara, o desejo de Deus que cada um traz dentro de si”.

Coração inquieto

O Papa observa, que como os Magos, ainda hoje, “há muitas pessoas que vivem com o “coração inquieto”, continuando a questionar-se sem encontrar respostas certas; existe a inquietude do Espírito Santo que se move nos corações. Também elas andam à procura da estrela que indica a estrada para Belém”:

“Quantas estrelas existem no céu! E todavia os Magos seguiram uma diferente, uma nova, que – segundo eles – brilhava muito mais. Longamente perscrutaram o grande livro do céu para encontrar uma resposta às suas questões – tinham o coração inquieto – e, finalmente, a luz aparecera. Aquela estrela mudou-os. Fez-lhes esquecer as ocupações diárias e puseram-se imediatamente a caminho. Deram ouvidos a uma voz que, no íntimo, os impelia a seguir aquela luz – é a voz do Espírito Santo, que trabalha em todas as pessoas -; e esta guiou-os até encontrarem o rei dos judeus numa pobre casa de Belém”.

Pequena luz

A experiência dos Magos é uma lição para nós hoje, afirma o Papa. ”Somos chamados, sobretudo num tempo como o nosso, a procurar os sinais que Deus oferece, cientes de que se requer o nosso esforço para os decifrar e, assim, compreender a vontade divina”:

“Somos desafiados a ir a Belém encontrar o Menino e sua Mãe. Sigamos a luz que Deus nos oferece, pequenina! O hino do breviário poeticamente nos diz que os Magos “lumen requirunt lumine”, aquela pequena luz. A luz que irradia do rosto de Cristo, cheio de misericórdia e fidelidade. E, quando chegarmos junto d’Ele, adoremo-Lo com todo o coração e ofereçamos-Lhe de presente a nossa liberdade, a nossa inteligência, o nosso amor. A verdadeira sabedoria se esconde no rosto deste Menino. É aqui, na simplicidade de Belém, que a vida da Igreja encontra a sua síntese. Aqui está a fonte daquela luz que atrai a si toda a pessoa no mundo e orienta o caminho dos povos pela senda da paz”.

Fonte:Rádio Vaticano

Share