Santa Teresinha do Menino Jesus: a Teologia do Amor e devoção a Cristo menino

Santa-TerezinhaEm 02 de janeiro de 1873 nasce a nona filha do casal Zélia Guérin e Luiz Martin, em Lisieux, França. Dão-lhe o nome de Maria Francisca Teresa. Sua mãe morre em 1877. Sua irmã mais velha, Paulina, é sua segunda mãe, segundo seu próprio depoimento. Em 1884, em 08 de maio, faz sua primeira comunhão, cuja catequista foi sua irmã Paulina, é crismada em 14 de junho. Datas que marcam sua espiritualidade para sempre, estreitando cada vez mais sua entrega e comunhão de vida com o Menino Jesus.

Desde muito cedo Teresa já cultivava devoção particular ao Menino Jesus. Com seis anos e meio inicia sua preparação para a Primeira Comunhão. A catequese faz crescer seu amor ao Menino Jesus que a acompanhará por toda a vida. E caracteriza sua espiritualidade, fundada na confiança e no abandono à vontade de Deus. Coloca-se como “a bolinha” (brinquedo) do Menino Jesus. Um abandono sem reserva à misericórdia de Deus.

Em 1888 entra no Carmelo, no dia 09 de abril. Em 10 de janeiro de 1889 recebe o hábito de monja. Morre com 24 anos de idade, de tuberculose, em 30 de setembro de 1897. Foi canonizada por Pio XI, em 17 de maio de 1925.

Dos seus escritos e de depoimentos de pessoas que a conheceram, os cultores de sua memória assinalam algumas características de sua personalidade. Vejamos algumas: Um coração sensível, um caráter feliz, uma inteligência aberta que entende e mantém facilmente o sentido das coisas, o olho que vê detalhes, a imaginação viva e muito desperta para o símbolo, como suas poesias dão testemunho; o gosto pelo grande, pelo belo, pelo verdadeiro; a capacidade de trabalhar bem com inteligência; a intuição e a intensidade que fazem nascer nela pensamentos profundos e sentimentos profundos; uma memória para os pensamentos e as impressões profundas e poéticas; uma longa familiaridade com o espiritual e o divino; pureza e vigor de alma; tem um dom de expressão, por isso é boa escritora.

 Legado de Teresinha do Menino Jesus

 Em 1898 aparecia a primeira edição da “História de uma alma” (Hitoire d’âme), sua autobiografia. Escrita a pedido da Madre priora do Carmelo, sua irmã mais velha, Paulina, sua ex-catequista. Essa obra tornou-se a marca de uma espiritualidade, cujas características são a simplicidade, a força da mensagem evangélica e a teologia da graça e do amor.

Numerosas pessoas pautaram sua vida espiritual, seguindo este estilo de espiritualidade, sobretudo, a teologia do amor, a teologia do coração. O amor é o caminho que nos leva e eleva até Deus. Deus é amor. Teresa é o testemunho vivo que a teologia não pode ser feita, apenas, pela razão. Não pode ser somente abordagem científica e crítica do dado revelado.

Em sua obra, Teresinha relata, com simplicidade, sua “arte de amar”, os “segredos de Jesus”. Aí, estão os seus sonhos, o tormento dos desejos incompatíveis, a pacificação do amor, a vida para o perfeito amor, a justificação, o amor e suas obras, a descrição mais detalhada: o pequeno pássaro e a águia, visão teológica sintética e súplica final.

Além desta linha fundamental de sua teologia do amor, deixo também algumas, particularidades de sua rica espiritualidade. Teresinha soube aproveitar bem os dons que recebeu de Deus. Dedicou-se à pintura, à poesia, a composição de peças piedosas para recreação, orações, tendo sempre como referência sua devoção ao Menino Jesus.

A sabedoria está na simplicidade, seja no brilho de uma rosa e na brancura do lírio, não tiram o perfume da pequena violeta ou a simplicidade da arrebatadora margarida do campo. Teresinha amava as flores. Elas estão sempre presentes em suas reflexões e orações. São símbolos sempre presentes em suas considerações. Por isso, escreve e vive de tal modo que a perfeição consiste em ser o que Deus quer que sejamos.

E, também, cultivava o hábito de nunca se queixar, mesmo quando era tratada injustamente, preferia calar-se e não se desculpar. Mais ainda, “Meu Deus, escolhi tudo. Não quero ser uma santa pela metade. Não tenho medo de sofrer por vós, só tenho medo de uma coisa: é guardar minha vontade, tomai-a, pois eu escolho tudo o que quiserdes”. Por isso, no final da vida, pouco antes de morre, dá este testemunho: “Não morro, entro na vida”.

 Teresinha, desde cedo, alimentou amor aos pobres. Ao passear com o pai, sempre gostava de levar consigo algo para oferecer aos pobres que encontrava pelo caminho. Claro para isso era estimulada pela educação cristã que recebia em casa. De casa, também, aprendeu a manter intimidade profunda com Maria de Nazaré. Ela mesma sempre a tratava como sua Mãe do Céu. Sentia uma alegria indescritível em estar com ela.

Santa Teresinha do Menino Jesus tornou-se mestra de espiritualidade que enriqueceu e enriquece, até hoje, a vida da Igreja e de todos os que desejam viver a proposta da Boa Nova do Reino, trazida e testemunhada por Jesus. Recordar, neste Natal, seu estilo de vida simples e tentar seguir algumas de suas sugestões, certamente, será proveitoso para qualquer seguidor do Mestre Jesus.

P. Adilson José Colombi, scj

Fonte: Revista A Palavra, Santa Teresinha do Menino Jesus: a Teologia do Amor e devoção a Cristo menino, págs 13-14, ed. 44, dezembro de 2014.

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