Mais do que uma data, ser pai é uma vocação

No mês dos pais, conheça histórias de amor incondicional pelos filhos

“O pai deve estar sempre presente”. As palavras do Papa Francisco são ensinamentos. São recomendações para fazerem parte da vida de todos os pais, compartilhadas para o bem dos filhos, das famílias e Essas palavras estão escritas no coração de Luis Antônio Vogel, 45 anos. Estão na mente de Jean Carlos Taboni, 32. São um lema de vida para o engenheiro agrônomo Carlos Alberto Rockenbach, 54. Para todos eles, o Dia dos Pais, comemorado no segundo domingo de agosto – em 2016 será no dia 14 –, é especial.

Luis Vogel e Família
Luis Vogel e Família

Mas pai, assim como mãe, não precisa de data para ser lembrado. Eles formam a família. “O bem da família é decisivo para o futuro do mundo e da Igreja”, escreveu o pontífice na Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia (alegria do amor), publicada em abril deste ano.
Engenheiro agrônomo com pós-graduação em Ciência do Solo e especialização em Recursos Hídricos, Carlos Alberto gosta de ser chamado de “hidrólogo”. Na vida profissional é pesquisador da Epagri/SC e trabalha com medições e monitoramento de rios para a prevenção de enchentes. Em casa é apaixonado pela esposa, Rita Conti, “uma companheira excepcional”, com quem é casado desde 2002, e pelos filhos, Júlia e Thiago Gabriel, “dois filhos queridos”. Quanto ao envolvimento com a Igreja, ele lembra com carinho de quando participaram da coordenação do XVI e XVII Acampamentos Sênior das Paróquias de Brusque, Guabiruba e Botuverá. “Foi um serviço que nos deu muita satisfação, pois nos relacionamos com muitas pessoas maravilhosas, verdadeiros ‘irmãos’”, frisa.

Carlos Alberto deu um novo sentido na vida quando se tornou pai. Ele diz que passou a se preocupar mais com os filhos do que consigo próprio. Mais que uma vocação, acredita que é uma missão. “Educar não é uma coisa fácil. Precisamos dar exemplo, ser coerentes”, aponta. E qual a receita? “Fazer com amor, buscando o melhor. Estabelecendo os limites. Sendo firme, quando necessário, e fazendo as concessões possíveis, neste nosso mundo perigoso de hoje, por causa das drogas e da violência”, observa.

Segundo Luis Antônio, não há riqueza no mundo que possa substituir a alegria e o prazer de ser pai. Os filhos, destaca o corretor de imóveis, vêm para completar a vida de um casal. “Me tornar pai foi a coisa mais espetacular da minha vida. Saber que, do amor entre duas pessoas e pela graça de Deus, possa surgir uma nova criatura, que nasce frágil, pequenininha e completamente dependente de você, é um momento único e maravilhoso na vida de um homem.”

Busca permanente pelo diálogo e harmonia

Conhecer e participar dos círculos de amizade dos filhos é um dos caminhos indicados por Carlos Alberto Rockenbach para o bem deles e da família. Contudo, o engenheiro agrônomo ainda busca a melhor forma de fazer isso. Confiante, afirma que vai encontrar o caminho, pois a paternidade é uma descoberta a cada dia. “Ser pai é muito mais do que ser um amigo. Significa ser referência e, ao mesmo tempo, esteio. Tem que buscar permanentemente o diálogo e a harmonia, e possibilitar à família confiança e segurança. Mostrar que a fé em Deus torna tudo possível”, destaca.

Carlos e família
Carlos e Família

Para Carlos Alberto, é importante mostrar aos filhos que a vida tem valores e levá-los a participar da comunidade. Porém, diz que não há uma receita pronta e que o aprendizado é constante. Júlia e Thiago Gabriel enchem o pai de felicidade e de orgulho. São descritos como queridos, bons adolescentes, responsáveis e participativos. Palavras de pai coruja. “Me dão em dobro o que dou a eles. Tenho certeza de que meus filhos serão pais melhores que eu”, emociona-se.

Na família Rockenbach, o significado de palavras como carinho, compreensão, verdade, confiança, apoio e, principalmente, amor são constantemente exercitadas. Um tesouro precioso, garante Carlos. “Damos muito valor as coisas do coração”, resume. Não por acaso, questionado sobre que conselho daria aos pais mais jovens, o hidrólogo é enfático: “Baseiem suas escolhas e decisões no amor”. Sem dúvida, um ensinamento de Deus.

 

 

Mais do que exemplos, é preciso ser participativo

“O papel de um pai é estar presente em todas as etapas da vida dos filhos”, afirma Luis Antônio Vogel, 45 anos, do Movimento de Cursilhos de Cristandade, em Brusque. É dessa forma que ele enfrenta os desafios de ser pai ao lado da esposa, Roselis Vogel, com quem é casado há 33 anos. É esse o legado que pretende deixar aos filhos: Luiz Antônio Vogel Júnior, 31, Marcelo Luiz Vogel, 28, Daniela e Daiana Vogel, gêmeas de 26 anos – o casal ainda teve outros gêmeos, já falecidos, e que hoje teriam 30 anos.

Para o cursilhista, mais do que dar exemplos, um pai deve participar das alegrias e tristezas, vibrar com as conquistas dos filhos e, também, dar apoio e saber consolá-los nas horas do insucesso. Na visão de Luis Antônio, é preciso ensinar princípios, valores morais e cristãos, saber dar limites, dizer não quando necessário. “Fazer filho é fácil, o difícil é ser pai”, observa. “Mas, com certeza, não adianta apenas ensinar, o pai tem que tomar a frente, dar o exemplo e ser um modelo para os filhos”.

Luis Antônio também acredita que ser pai é uma vocação, um chamado de Deus. Atuante na Igreja, cita uma frase bíblica de quando Deus criou o homem e a mulher, abençoando-os e dizendo-lhes: “Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gn 1, 27-28).

Sentindo-se realizado inteiramente com a vocação de ser pai, o corretor de imóveis olha para os filhos e vê uma alegria intensa, “que não tem como expressar, só mesmo quem é pai sabe do que eu estou falando”. Cada nova etapa vencida pelos filhos é como uma vitória para Luis Antônio. “Peço a Deus que possa dar essa mesma graça aos meus filhos e futuros genros. Amém!”, conclui.

 


História

* A ideia de comemorar o Dia dos Pais surgiu em 1909. Sonora Louise Smart Dodd, de Washington, Estados Unidos, queria homenagear o pai, William Smart, um veterano da guerra civil que ficou viúvo quando a esposa deu a luz ao sexto bebê. Comovida com o sacrifício do pai, que sozinho criou os seis filhos, Sonora decidiu criar um dia para os pais. A data escolhida foi 05 de junho, aniversário de Smart.
* Oficialmente, o primeiro Dia dos Pais foi comemorado em 19 de junho de 1910, em Spokane, Washington. Rosa foi a flor escolhida para o evento. Alguns anos depois, a comemoração já havia se espalhado por outras cidades norte-americanas. Porém, somente em 1972, o presidente dos EUA na época, Richard Nixon, oficializou o terceiro domingo de junho como Dia dos Pais.

* No Brasil, a data é comemorada no segundo domingo de agosto desde o dia 14 de agosto de 1953. O publicitário Sylvio Bhering foi o responsável pela importação do Dia dos Pais. A data passou de junho para agosto por motivos comerciais. Além de Brasil e EUA, em ao menos outros 11 países há comemorações, de acordo com suas tradições, entre eles Itália, Portugal, Argentina e Alemanha.

Fonte: Portal Canção Nova

 

 Paternidade é um sonho realizado

Casado há três anos, Jean Carlos Taboni recorda cada detalhe dos momentos que antecederam a paternidade. Para ele, assim como para outros pais, instantes inesquecíveis. Era o sonho da juventude se materializando. “Ainda hoje me recordo daquela manhã em que descobrimos que o pequeno Artur estava a caminho”, descreve o advogado de 32 anos.

Jean Carlos Taboni e família (3)Era início de 2015 e o dia tinha tudo para ser como tantos outros. Jean acordou e foi tomar o café da manhã. Rúbia, a esposa, levantou-se em seguida. Após alguns minutos no banheiro, chamou o marido com uma voz trêmula. “Ela disse: ‘Acho que estou grávida’. Suspeitando e querendo fazer uma surpresa, ela havia feito um daqueles testes de farmácia”, conta ele.

A confirmação de que Artur estava a caminho veio com a realização do exame clínico. O bebê já estava com oito semanas. Jean lembra que deixou a esposa no trabalho e, no caminho de volta para casa, prometeu ao Senhor que daria o melhor de si para o filho, que o educaria na fé católica.

Ele acredita que ser pai é, de fato, uma vocação, é ser parceiro de Deus na criação do mundo. Por isso, acompanhou toda a gestação, todas as consultas e exames, chorou junto com a esposa quando escutou, pela primeira vez, o coraçãozinho do menino batendo, quando o viu nascer, quando pegou no colo pela primeira vez. Artur nasceu no dia 21 de setembro de 2015.

Para o advogado de Brusque, a sensação de ser pai, de entender que Deus concedeu-lhe o dom e a responsabilidade de criar um filho, pode ser resumida em uma palavra: amor. Jean tenta ser presente, dar o melhor exemplo, como diz ter recebido de seu pai. “Acredito que a formação de um filho começa ainda dentro do ventre da mãe e nunca termina. Por isso, entendo que o exemplo, os atos efetivamente praticados por mim, refletirão de forma inexorável na formação do caráter de meu filho”.

Jean afirma que o crescimento e sucesso na vida a dois, no matrimônio, em grande parte é por conta do aprendizado com o Movimento do Emaús, de Brusque. Ele e a esposa participam do Grupo Santo Antônio desde novembro de 2008. O casal participou do 18º curso, em 2009. Desde então, cresceram como namorados, como marido e mulher, e, hoje, como pais. “Nós nos engajamos no trabalho comunitário, atuando como catequistas na Comunidade São Francisco de Assis. Este ano é mais que especial, pois comemorarei o Dia dos Pais com meu filho nos braços”, comemora.

Fonte: Revista A Palavra – Edição 63 (Agosto 2016), Brusque SC.

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