Devoção Mariana: entenda o que é

 

Para falar de devoção, seja ela a Nossa Senhora ou a qualquer outro santo, precisamos antes compreender um pouco mais sobre o dom da piedade. Este dom do Espírito Santo nos faz reverenciar tudo que vem de Deus, a nos aproximarmos da oração, dos mistérios da nossa salvação, dos sacramentais e da própria Palavra de Deus com confiança, respeito e amor.

É o dom da piedade que forma o coração para a virtude da devoção Mariana. No caso de Nossa Senhora, um devoto é aquele que assume que ela é mãe e nos acolhe como filhos, cuida, ouve nossas orações e está atenta às nossas necessidades.

Se formos pensar onde se deu a origem da devoção mariana, facilmente encontraremos essa referência, pois as palavras do anjo Gabriel foram categóricas na reverência e no respeito. Ele estava diante da mulher que havia sido escolhida para gerar o Salvador. A mulher portadora do “sim” que elevaria a condição humana à filiação divina. Deus a preservou e a escolheu para tal missão e ela, com humildade e prontidão, disse sim. Temos ali, na Bíblia, o relato da primeira saudação devocional a Maria: “Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo!” (Lc 1, 28).

Maria é cheia da graça de Deus

Uma devoção jamais esvazia o sentido verdadeiro das coisas ou tira Deus do lugar que é devido a Ele. Um devoto, se é autêntico, jamais poderá ser confundido com um idólatra. São Luis Grignon de Monfort, apóstolo fiel da Virgem Maria e propagador da devoção mariana, nos lembra que se procurarmos Nossa Senhora, inevitavelmente encontraremos a Jesus: “Sendo Maria a criatura mais conforme a Jesus Cristo, tem-se como resultado que, entre todas as devoções, a que consagra e conforma mais uma alma a nosso Senhor é a devoção a Maria, sua Mãe santa” (São Luis Maria Grignion de Monfort).

Nossa Senhora é cheia de graça,uma graça que não deriva dela mesma, mas de Deus. E foi a ela que Deus escolheu para administrar as graças que Ele deseja derramar sobre a humanidade. Por que duvidar, então, que uma mãe enxergaria as necessidades dos seus filhos?

A devoção é a virtude dos corações simples

Existe uma belíssima canção do Pe. Zezinho – Maria de Minha Infância – que conta um pouco do itinerário que a maior parte das pessoas vive. Quando crianças, aprendem a chamar Maria de “Mamãe do Céu”, logo sabem juntar as pequenas mãos e, num ímpeto enérgico, que é próprio das crianças, rezar uma Ave-Maria. O que acontece é que o tempo passa e a intimidade com Nossa Senhora vai se perdendo, vai dando lugar a outras coisas, outros pensamentos e ocupações. Diz a letra da música: “Andei duvidando, eu me lembro / Das coisas mais puras que me ensinaram / Perdi o costume da criança inocente / Minhas mãos quase não se juntavam” (Pe. Zezinho, scj).

Pedir a Deus que renove em nós o dom da piedade é o primeiro passo para fazer crescer em nós a devoção mariana. Este precioso dom nos fará crescer na virtude e, certamente, resgatar aquele coração de criança. Que sabe ter uma mãe no céu.

 

E voltar a cantar assim…

“O teu amor cresce com a gente

A mãe nunca esquece o filho ausente

Eu chego lá em casa chateado e cansado

Mas eu rezo como antigamente

Nas Ave – Marias que hoje eu rezo

Esqueço as palavras e adormeço

E embora cansado, sem rezar como eu devo

Eu de Ti Maria, não me esqueço.”

 

 

Share

Leave a Comment