Após considerar o Sínodo, Papa Francisco prepara Exortação Apostólica sobre família

Após considerar o Sínodo, Papa Francisco prepara Exortação Apostólica sobre família

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Neste ano, talvez já em março, o Papa Francisco irá publicar o seu muito esperado documento sobre a família, que vai dar uma resposta ao debate sobre o mesmo tema travado nos Sínodos dos Bispos nos meses de outubro de 2014 e 2015.

Sempre, desde 1975, os papas consideram as recomendações sinodais e, em seguida, emitem um documento chamado constituição apostólica.

Os Sínodos são encontros dos bispos, geralmente em Roma, que fazem recomendações ao papa sobre um tema em particular. Eles não têm autoridade para tomar decisões por si próprios. Somente podem fazer recomendações.

Durante o papado de João Paulo II, estas constituições apostólicas foram, em geral, elaboradas por um conselho pós-sinodal cujos membros episcopais eram eleitos pelo Sínodo e nomeados pelo papa.

Via de regra, os papas pegam as recomendações dos Padres Sinodais e a proposta textual do conselho formado e, em seguida, adaptam a proposta (ou a reescrevem) conforme julgarem necessário. Às vezes, os papas apenas fazem referência às recomendações e apresentam a sua própria visão no documento pós-sinodal.

O que o Papa Francisco irá fazer?

A julgar pelo que tem afirmado sobre a sinodalidade, podemos pensar que ele vai se manter próximo das recomendações do Sínodo. Ele considera o processo sinodal como sendo um aspecto muito importante da colegialidade. É, portanto, pouco provável que ele venha a ignorar o que os Padres Sinodais disseram.

Por outro lado, ele já deixou claro que está disposto a tomar decisões depois de ouvir os bispos e estas decisões podem nem sempre refletir a opinião da maioria.

Na verdade, o seu principal documento enquanto papa foi a constituição apostólica de 2013, Evangelii Gaudium, que ignorou, e muito, as discussões do Sínodo de 2012 sobre a evangelização. Aqui ele claramente falou por si mesmo.

Se eu tivesse de apostar, diria que a próxima constituição apostólica vai refletir de perto as preocupações sobre a família trazidas pelos bispos do sul global, especialmente os da América Latina e da África.

Estes bispos veem suas famílias sofrendo com a pobreza, o que frequentemente associam à globalização e às ideologias. As famílias nestes lugares muitas vezes acabam se dividindo em decorrência da violência civil e das guerras, o que eles associam à corrupção política e ao extremismo religioso.

É impossível manter as famílias unidas na pobreza e no caos político. Francisco entende isso e irá se expressar incisivamente a esse respeito.

Nós também iremos ouvir Francisco denunciar o que os bispos do terceiro mundo chamam de imperialismo cultural, onde os governos ocidentais [Europa e América do Norte] e agências de cooperação internacional tentam impor os seus valores sobre os países recipientes, por exemplo, ao insistir na legalização do aborto e do casamento gay.Francisco não apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo, embora se oponha a qualquer criminalização ou discriminação contra as pessoas gays.

A questão que causou mais divisão no Sínodo foi a do tratamento aos fiéis divorciados e recasados. No Sínodo de 2015, sugeriram a simplificação do processo de anulação como uma alternativa. O Papa Francisco rapidamente deu sequência à essa recomendação com procedimentos simplificados que entraram em vigor em dezembro passado.

Thomas Reese, jornalista e jesuíta, publicada por National Catholic Reporter.

Fonte: Comshalom/Blog Carmadélio

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Card. Braz de Aviz: “Empreender novo caminho de conversão”

Card. Braz de Aviz: “Empreender novo caminho de conversão”

Papa_CardealO Prefeito da Congregação para a Vida Consagrada, Dom João Braz de Aviz, fez um breve discurso de saudação ao Papa antes do início do encontro dos consagrados, no encerramento do Ano da Vida Consagrada. O evento se realizou segunda-feira (01/02) na Sala Paulo VI.

O cardeal brasileiro falou em nome dos participantes dos cinco continentes que vieram a Roma para esta última reunião. Foram 5 mil pessoas, pertencentes às várias ‘formas’ de consagração e representantes dos diferentes carismas difundidos pelo Espírito na Igreja.

Dom João disse que nos dias de encontro, as diversas vocações consagradas foram aprofundadas levando em conta as indicações da Carta apostólica de 23 de novembro de 2014: a alegria da consagração, a profecia para ‘despertar o mundo’, o ser ‘especialistas de comunhão’ e ir às periferias existenciais, trabalhar em favor dos refugiados, dos pobres, dos excluídos, dos doentes, das crianças, jovens e idosos.

Dom João manifestou enfim sua gratidão pela esperança e a confiança no Senhor que o Pontífice lhes transmite e afirmou que já está sendo empreendido um “novo caminho de conversão neste momento de mudanças necessárias também para os consagrados”.

Para o cardeal-Prefeito, o Papa quis falar diretamente ao coração dos consagrados.

Fonte: Rádio Vaticano

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Audiência: a misericórdia de Deus atua sempre para salvar

Audiência: a misericórdia de Deus atua sempre para salvar

Papa_misericórdiaQuarta-feira, 27 de janeiro – na audiência geral o Papa Francisco continuou com as suas catequeses sobre a misericórdia na perspetiva bíblica. Como habitualmente, a audiência foi introduzida por uma leitura bíblica. Desta vez, foi lida nas várias línguas uma passagem do Livro do Êxodo ((2,23-25) na qual Deus escuta os gemidos dos filhos de Israel na servidão. Na sua misericórdia, atende o grito de socorro; não desvia o olhar para não ver, não é indiferente ao sofrimento humano. Nas palavras do Papa Francisco: “Deus recordou-se da sua aliança com Abraão, Isaac e Jacob”.

Assim, o Senhor intervém para salvar, suscitando homens capazes de ouvir o gemido do sofrimento e agir em favor dos oprimidos. Como mediador de libertação para o seu povo, envia Moisés, que vai ter com o Faraó para o convencer a deixar partir Israel e depois guia-o no caminho para a liberdade.

Moisés, quando era menino, fora salvo das águas do rio Nilo pela misericórdia divina; e agora é feito mediador daquela mesma misericórdia a favor do seu povo, permitindo-lhe nascer para a liberdade salvo das águas do Mar Vermelho.

É que a misericórdia de Deus atua sempre para salvar – sublinhou o Papa Francisco. Através do seu servo Moisés, o Senhor guia Israel no deserto como se fosse um filho, educa-o na fé e faz aliança com ele criando um vínculo fortíssimo de amor, uma relação semelhante à que existe entre pai e filho e entre marido e esposa. É uma relação particular, exclusiva, privilegiada de amor, fazendo dos israelitas “um reino de sacerdotes e uma nação santa”.

A misericórdia divina torna o homem precioso, como um tesouro pessoal que pertence ao Senhor, que Ele guarda e no qual Se compraz. Tornamo-nos joias preciosas nas mãos do Pai bom e misericordioso – afirmou o Papa Francisco na conclusão da sua catequese.

Nas saudações o Santo Padre dirigiu-se também aos peregrinos de língua portuguesa:

“Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! A todos vos saúdo, especialmente aos fiéis de Brasília e S. José dos Campos, desejando-vos que nada nem ninguém possa impedir-vos de viver e crescer na amizade de Deus Pai; mas deixai que o seu amor sempre vos regenere como filhos e vos reconcilie com Ele e com os irmãos. Desça, sobre vós e vossas famílias, a abundância das suas bênçãos.”

No final da audiência houve uma breve apresentação circense e Francisco mencionou ainda uma iniciativa do Conselho Pontifício Cor Unum por ocasião do Ano Jubilar: trata-se de uma jornada de retiro espiritual para as pessoas, grupos e obras que estão empenhadas nos serviços de caridade. Este retiro deverá ser realizado a nível local, nas dioceses, durante a próxima Quaresma. Um momento para “refletir sobre o chamamento a sermos misericordiosos como o Pai”.

O Papa Francisco a todos deu a sua bênção!

Fonte: Rádio Vaticano

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Sala de Imprensa confirma viagem do Papa à Suécia

Sala de Imprensa confirma viagem do Papa à Suécia

Papa 01Francisco viajará à Suécia em outubro. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (25/01) pelo Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi.

“O Papa irá a Lund, na Suécia, em 31 de outubro, onde participará de uma cerimônia conjunta entre a Igreja católica e a Federação Luterana mundial em virtude dos 500 anos da Reforma”, diz o comunicado.

Em uma nota, a Federação Luterana explica que o Papa Francisco, o Bispo Munib A. Younan e o Reverendo Martin Junge, Presidente e Secretário Geral da Federação, respectivamente, presidirão juntos à celebração ecumênica.

“A celebração vai dar destaque aos sólidos progressos ecumênicos entre católicos e luteranos e às conquistas recíprocas frutos do diálogo e será norteada pelo guia litúrgico católico-luterano ‘Oração Comum’, recentemente publicado”, escreve ainda a Federação Luterana, cuja sede está justamente na cidade de Lund.

Um Pontífice volta à Escandinávia

Será a primeira visita de um Pontífice ao país após a peregrinação de São João Paulo II à Escandinávia, no Verão de 1989.

Durante nove dias, entre 1º e 10 de junho de 1989, João Paulo II visitou Noruega, Islândia, Finlândia, Dinamarca e Suécia, com um total de 38 discursos pronunciados.

Na capital sueca, João Paulo II visitou a Catedral de Santo Henrique, presidiu à Santa Missa no Estádio “Globo” e saudou os representantes das obras assistenciais alemãs em Estocolmo.

Em Upsala, participou de um Encontro Ecumênico na Catedral Luterana, encontrou os universitários na Sala Magna da Universidade de Upsala. Esteve ainda na Igreja de São Lourenco onde encontrou as Superioras Maiores e celebrou a Santa Missa ao lado da antiga igreja luterana.

Como encerramento da peregrinação na Escandinávia, celebrou a Santa Missa no Castelo de Vadstena. A despedida de São João Paulo II da Suécia aconteceu em 10 de junho de 1989, no aeroporto de Linköping.

Visita da Rainha

Em 27 de abril do ano passado, o Papa recebeu em audiência a Rainha Silvia da Suécia. Contudo, à época, não se falou de nenhum convite oficial por parte da monarca.

No encontro, a Rainha conversou principalmente em espanhol com o Papa, já que durante a sua juventude havia trabalhado na embaixada da Alemanha em Buenos Aires. Alemã de nascimento, a mãe da Rainha Silvia era brasileira de São Paulo.

Fonte: Rádio Vaticano

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Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais: Comunicação e Misericórdia

Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais: Comunicação e Misericórdia

comunicaçaõ_misericórdia_01Mensagem do Papa Francisco para o 50° Dia Mundial das Comunicações Sociais sobre o tema: «Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo».

Eis a Mensagem na íntegra:

Queridos irmãos e irmãs!

O Ano Santo da Misericórdia convida-nos a refletir sobre a relação entre a comunicação e a misericórdia. Com efeito a Igreja unida a Cristo, encarnação viva de Deus Misericordioso, é chamada a viver a misericórdia como traço característico de todo o seu ser e agir. Aquilo que dizemos e o modo como o dizemos, cada palavra e cada gesto deveria poder expressar a compaixão, a ternura e o perdão de Deus para todos. O amor, por sua natureza, é comunicação: leva a abrir-se, não se isolando. E, se o nosso coração e os nossos gestos forem animados pela caridade, pelo amor divino, a nossa comunicação será portadora da força de Deus.

Como filhos de Deus, somos chamados a comunicar com todos, sem exclusão. Particularmente próprio da linguagem e das ações da Igreja é transmitir misericórdia, para tocar o coração das pessoas e sustentá-las no caminho rumo à plenitude daquela vida que Jesus Cristo, enviado pelo Pai, veio trazer a todos. Trata-se de acolher em nós mesmos e irradiar ao nosso redor o calor materno da Igreja, para que Jesus seja conhecido e amado; aquele calor que dá substância às palavras da fé e acende, na pregação e no testemunho, a «centelha» que os vivifica.

A comunicação tem o poder de criar pontes, favorecer o encontro e a inclusão, enriquecendo assim a sociedade. Como é bom ver pessoas esforçando-se por escolher cuidadosamente palavras e gestos para superar as incompreensões, curar a memória ferida e construir paz e harmonia. As palavras podem construir pontes entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, os povos. E isto acontece tanto no ambiente físico como no digital. Assim, palavras e ações hão-de ser tais que nos ajudem a sair dos círculos viciosos de condenações e vinganças que mantêm prisioneiros os indivíduos e as nações, expressando-se através de mensagens de ódio. Ao contrário, a palavra do cristão visa fazer crescer a comunhão e, mesmo quando deve com firmeza condenar o mal, procura não romper jamais o relacionamento e a comunicação.

Por isso, queria convidar todas as pessoas de boa vontade a redescobrirem o poder que a misericórdia tem de curar as relações dilaceradas e restaurar a paz e a harmonia entre as famílias e nas comunidades. Todos nós sabemos como velhas feridas e prolongados ressentimentos podem aprisionar as pessoas, impedindo-as de comunicar e reconciliar-se. E isto aplica-se também às relações entre os povos. Em todos estes casos, a misericórdia é capaz de implementar um novo modo de falar e dialogar, como se exprimiu muito eloquentemente Shakespeare: «A misericórdia não é uma obrigação. Desce do céu como o refrigério da chuva sobre a terra. É uma dupla bênção: abençoa quem a dá e quem a recebe» (“O mercador de Veneza”, Ato IV, Cena I).

É desejável que também a linguagem da política e da diplomacia se deixe inspirar pela misericórdia, que nunca dá nada por perdido. Faço apelo sobretudo àqueles que têm responsabilidades institucionais, políticas e de formação da opinião pública, para que estejam sempre vigilantes sobre o modo como se exprimem a respeito de quem pensa ou age de forma diferente e ainda de quem possa ter errado. É fácil ceder à tentação de explorar tais situações e, assim, alimentar as chamas da desconfiança, do medo, do ódio. Pelo contrário, é preciso coragem para orientar as pessoas em direção a processos de reconciliação, mas é precisamente tal audácia positiva e criativa que oferece verdadeiras soluções para conflitos antigos e a oportunidade de realizar uma paz duradoura. «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. (…) Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 7.9).

Como gostaria que o nosso modo de comunicar e também o nosso serviço de pastores na Igreja nunca expressassem o orgulho soberbo do triunfo sobre um inimigo, nem humilhassem aqueles que a mentalidade do mundo considera perdedores e descartáveis! A misericórdia pode ajudar a mitigar as adversidades da vida e dar calor a quantos têm conhecido apenas a frieza do julgamento. Seja o estilo da nossa comunicação capaz de superar a lógica que separa nitidamente os pecadores dos justos. Podemos e devemos julgar situações de pecado – violência, corrupção, exploração, etc. –, mas não podemos julgar as pessoas, porque só Deus pode ler profundamente no coração delas. É nosso dever admoestar quem erra, denunciando a maldade e a injustiça de certos comportamentos, a fim de libertar as vítimas e levantar quem caiu. O Evangelho de João lembra-nos que «a verdade [nos] tornará livres» (Jo 8, 32). Em última análise, esta verdade é o próprio Cristo, cuja misericórdia repassada de mansidão constitui a medida do nosso modo de anunciar a verdade e condenar a injustiça. É nosso dever principal afirmar a verdade com amor (cf. Ef 4, 15). Só palavras pronunciadas com amor e acompanhadas por mansidão e misericórdia tocam os nossos corações de pecadores. Palavras e gestos duros ou moralistas correm o risco de alienar ainda mais aqueles que queríamos levar à conversão e à liberdade, reforçando o seu sentido de negação e defesa.

Alguns pensam que uma visão da sociedade enraizada na misericórdia seja injustificadamente idealista ou excessivamente indulgente. Mas tentemos voltar com o pensamento às nossas primeiras experiências de relação no seio da família. Os pais amavam-nos e apreciavam-nos mais pelo que somos do que pelas nossas capacidades e os nossos sucessos. Naturalmente os pais querem o melhor para os seus filhos, mas o seu amor nunca esteve condicionado à obtenção dos objetivos. A casa paterna é o lugar onde sempre és bem-vindo (cf. Lc 15, 11-32). Gostaria de encorajar a todos a pensar a sociedade humana não como um espaço onde estranhos competem e procuram prevalecer, mas antes como uma casa ou uma família onde a porta está sempre aberta e se procura aceitar uns aos outros.

Para isso é fundamental escutar. Comunicar significa partilhar, e a partilha exige a escuta, o acolhimento. Escutar é muito mais do que ouvir. Ouvir diz respeito ao âmbito da informação; escutar, ao invés, refere-se ao âmbito da comunicação e requer a proximidade. A escuta permite-nos assumir a atitude justa, saindo da tranquila condição de espectadores, usuários, consumidores. Escutar significa também ser capaz de compartilhar questões e dúvidas, caminhar lado a lado, libertar-se de qualquer presunção de omnipotência e colocar, humildemente, as próprias capacidades e dons ao serviço do bem comum.

Escutar nunca é fácil. Às vezes é mais cómodo fingir-se de surdo. Escutar significa prestar atenção, ter desejo de compreender, dar valor, respeitar, guardar a palavra alheia. Na escuta, consuma-se uma espécie de martírio, um sacrifício de nós mesmos em que se renova o gesto sacro realizado por Moisés diante da sarça-ardente: descalçar as sandálias na «terra santa» do encontro com o outro que me fala (cf. Ex 3, 5). Saber escutar é uma graça imensa, é um dom que é preciso implorar e depois exercitar-se a praticá-lo.

Também e-mails, sms, redes sociais, chat podem ser formas de comunicação plenamente humanas. Não é a tecnologia que determina se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de fazer bom uso dos meios ao seu dispor. As redes sociais são capazes de favorecer as relações e promover o bem da sociedade, mas podem também levar a uma maior polarização e divisão entre as pessoas e os grupos. O ambiente digital é uma praça, um lugar de encontro, onde é possível acariciar ou ferir, realizar uma discussão proveitosa ou um linchamento moral. Rezo para que o Ano Jubilar, vivido na misericórdia, «nos torne mais abertos ao diálogo, para melhor nos conhecermos e compreendermos; elimine todas as formas de fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e discriminação» (Misericordiae Vultus, 23). Em rede, também se constrói uma verdadeira cidadania. O acesso às redes digitais implica uma responsabilidade pelo outro, que não vemos mas é real, tem a sua dignidade que deve ser respeitada. A rede pode ser bem utilizada para fazer crescer uma sociedade sadia e aberta à partilha.

A comunicação, os seus lugares e os seus instrumentos permitiram um alargamento de horizontes para muitas pessoas. Isto é um dom de Deus, e também uma grande responsabilidade. Gosto de definir este poder da comunicação como «proximidade». O encontro entre a comunicação e a misericórdia é fecundo na medida em que gerar uma proximidade que cuida, conforta, cura, acompanha e faz festa. Num mundo dividido, fragmentado, polarizado, comunicar com misericórdia significa contribuir para a boa, livre e solidária proximidade entre os filhos de Deus e irmãos em humanidade.

Papa Francisco

Vaticano, 24 de Janeiro de 2016.

Fonte: Rádio Vaticano

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Santuário de Fátima reza pela unidade dos cristãos

Santuário de Fátima reza pela unidade dos cristãos

santuário_Fátima_01Nestes dias, em que os países do hemisfério Norte vivem a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, o Santuário de Fátima, em Portugal, tem colocado esta intenção em todas as suas celebrações oficiais.

“Fátima acolhe a todos, tem o caráter universal da Igreja”, indicou o capelão, padre Francisco Pereira à página do Santuário.

O sacerdote destaca que “no Santuário não há portões ou cercas, está sempre aberto a todos”. “Nossa Senhora está sempre no seu nicho para ser visitada presencialmente ou mesmo para ser vista na internet pelos que estão longe”.

Esta experiência da Semana de Oração, segundo o padre Francisco, “é enriquecedora” para o Santuário de Fátima, “porque nos faz ter em conta que somos católicos, universais, englobantes”.

Abrir o coração a todos

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos teve início no dia 18 de janeiro e segue até o dia 25, com o tema “Chamados a proclamar os altos feitos do Senhor”, uma citação tomada de I Pedro 2,9.

“Este momento de oração pela unidade dos cristãos deve servir para ajudar os católicos a abrir o coração a todos, sobretudo, percebendo que não devemos olhar só ao passado, mas antes abrir o nosso coração aos irmãos e aos desafios que Deus nos dá e à vontade de Deus”, disse o capelão do Santuário.

O sacerdote vê este propósito de oração como um “convite” a aproximar-se dos irmãos.

“A experiência com outras religiões tem sido enriquecedora por ajudar a olhar para Maria de outras maneiras. Por exemplo, os Luteranos olham para Maria como menina do sim numa perspectiva vocacional, e nós olhamos para Maria como mãe de Deus. Nossa Senhora é a mesma, mas vista de duas perspectivas diferentes, muito relacionadas com a psicologia e o modo de viver a fé”.

Pe. Francisco diz ter em mente que, nas celebrações que preside no Santuário, “há muita gente que me ouve e não tem caminhada católica”. Mas, segundo ele, nestes momentos “é fundamental procurar apresentar a fé de forma perceptível e vivida nas circunstâncias em que estamos”, pois “é importante perceber os sinais dos tempos e ouvir os desafios de Deus, respondendo na fidelidade do Evangelho”.

Fonte: Canção Nova

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Papa: “A fé é nossa vitória. Longe de Deus somos derrotados”

Papa: “A fé é nossa vitória. Longe de Deus somos derrotados”

Papa_Francisco_02Nesta quinta-feira (13/01), o Papa celebrou a missa matutina na Casa Santa Marta e começou a homilia inspirando-se no trecho do Livro de Samuel que narra a derrota do Povo de Deus, vencido pelos filisteus:

É um massacre enorme, o povo perde tudo, inclusive a dignidade. “O que levou a esta derrota?”, perguntou o Papa, respondendo: o povo “lentamente havia se afastado do Senhor e vivia de modo mundano, com os ídolos que possuía”. Iam ao Santuário de Silo, mas “como se fosse um costume cultural: haviam perdido a relação filial com Deus. Não adoravam Deus! E o Senhor os deixou sozinhos”. O povo usa até mesmo a Arca de Deus para vencer a batalha, mas como se fosse uma coisa “um pouco mágica”.

“Na Arca – lembra o Papa – havia a Lei, a Lei que eles não respeitavam e da qual haviam se afastado”. Não havia mais “uma relação pessoal com o Senhor! Eles tinham se esquecido que Deus os havia salvado. E assim, são derrotados: 30 mil israelitas mortos, a Arca de Deus é tomada pelos Filisteus; os dois filhos de Eli, “aqueles sacerdotes delinquentes que exploravam o povo no Santuário de Silo” morrem. “Uma derrota total” – afirma o Papa – “um povo que se afasta de Deus acaba assim”: tem um santuário, mas o coração não está com Deus, não sabe adorar Deus:

“Crê em Deus, mas num Deus meio ’escondido, distante, que não entra no coração e você não obedece seus Mandamentos. Esta é a derrota!”. O Evangelho do dia, ao invés, nos fala de uma vitória:

“Naquele tempo, foi a Jesus um leproso que o suplicava de joelhos – num gesto de adoração – e lhe dizia: ‘Se quiser, pode purificar-me’. Ele desafia o Senhor dizendo: eu sou um perdido na vida. O leproso era um derrotado porque não podia viver em comum. Ele era ‘descartado’, posto de lado. Mas você pode transformar esta derrota em vitória! Ou seja: ‘Se quiser, pode purificar-me’. Diante disto, Jesus teve compaixão, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: ‘Eu quero. Seja purificado!’. Assim, simplesmente: esta batalha terminou em dois minutos com a vitória. A outra, toda a jornada, com a derrota. Aquele homem tinha algo que o levou a ir a Jesus e lançar aquele desafio. Ele tinha fé!”.

O Apóstolo João diz que a vitória sobre o mundo é a nossa fé. “Nossa fé vence, sempre!”

“A fé é vitória. A fé. Como este homem: ‘Se você quiser, pode fazê-lo’. Os derrotados da primeira leitura rezavam a Deus, carregavam a Arca, mas não tinham fé, tinham-na esquecido. O outro tinha fé e quando você pede com fé, o próprio Jesus nos disse que se movem as montanhas. Nós somos capazes de mover uma montanha de um lado para outro: a fé é capaz disso. Jesus mesmo disse: ‘Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vos será dado. Pedi e recebereis; batei e vos será aberto’. Mas com fé. E esta é a nossa vitória”.

Papa Francisco concluiu a homilia com esta oração:

Peçamos ao Senhor que a nossa oração sempre tenha a raiz da fé, nascida da fé n’Ele. A graça da fé: a fé é um dom. Não se aprende nos livros. É um dom que o Senhor lhe dá, mas basta pedi-la: ‘Dá-me a fé!’. ‘Creio, Senhor ‘, disse aquele homem que pedia a Jesus para que curasse o seu filho: Peço Senhor, ajuda a minha pouca fé’. A oração com fé e é curado … Peçamos ao Senhor a graça de rezar com fé, para ter certeza de que tudo o que pedimos a Ele será dado, com a confiança que nos dá a fé. E esta é a nossa vitória: a nossa fé”.

Fonte: Rádio Vaticano

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A vocação da Igreja é ser missionária, sem proselitismo, diz Papa na Epifania

A vocação da Igreja é ser missionária, sem proselitismo, diz Papa na Epifania

Papa_epifania 01No dia em que a Igreja celebra a Solenidade da Epifania do Senhor, o Papa Francisco presidiu a Santa Missa na Basílica de São Pedro, reiterando na homilia que a “Igreja não pode iludir-se de brilhar com luz própria”, “mas com a de Cristo”. A exemplo dos Reis Magos, somos chamados “a sair dos nossos fechamentos, a sair de nós mesmos, para reconhecermos a luz esplendorosa que ilumina a nossa existência”.

“Cristo é a luz verdadeira, que ilumina – disse o Papa – e a Igreja, na medida em que permanece ancorada n’Ele, na medida em que se deixa iluminar por Ele, consegue iluminar a vida das pessoas e dos povos”. Por isso – explicou – “os Santos Padres reconheciam, na Igreja, o «mysterium lunae»”, isto é, “é como a lua”, que não brilha com luz própria. E como cristãos, “temos necessidade desta luz, que vem do Alto, para corresponder coerentemente à vocação que recebemos”:

“Anunciar o Evangelho de Cristo não é uma opção que podemos fazer entre muitas, nem é uma profissão. Para a Igreja, ser missionária não significa fazer proselitismo; para a Igreja, ser missionária equivale a exprimir a sua própria natureza: isto é, ser iluminada por Deus e refletir a sua luz. este é o seu serviço. Não há outra estrada. A missão é a sua vocação: resplandecer a luz de Cristo é o seu serviço. Quantas pessoas esperam de nós este serviço missionário, porque precisam de Cristo, precisam conhecer o rosto do Pai”.

Francisco explica que os Magos, de que nos fala o Evangelho de Mateus, “são um testemunho vivo de como estão presentes por todo lado as sementes da verdade, pois são dom do Criador que, a todos, chama a reconhecê-Lo como Pai bom e fiel”:

“Os Magos representam as pessoas, dos quatro cantos da terra, que são acolhidas na casa de Deus. Na presença de Jesus, já não há qualquer divisão de raça, língua e cultura: naquele Menino, toda a humanidade encontra a sua unidade. E a Igreja tem o dever de reconhecer e fazer surgir, de forma cada vez mais clara, o desejo de Deus que cada um traz dentro de si”.

Coração inquieto

O Papa observa, que como os Magos, ainda hoje, “há muitas pessoas que vivem com o “coração inquieto”, continuando a questionar-se sem encontrar respostas certas; existe a inquietude do Espírito Santo que se move nos corações. Também elas andam à procura da estrela que indica a estrada para Belém”:

“Quantas estrelas existem no céu! E todavia os Magos seguiram uma diferente, uma nova, que – segundo eles – brilhava muito mais. Longamente perscrutaram o grande livro do céu para encontrar uma resposta às suas questões – tinham o coração inquieto – e, finalmente, a luz aparecera. Aquela estrela mudou-os. Fez-lhes esquecer as ocupações diárias e puseram-se imediatamente a caminho. Deram ouvidos a uma voz que, no íntimo, os impelia a seguir aquela luz – é a voz do Espírito Santo, que trabalha em todas as pessoas -; e esta guiou-os até encontrarem o rei dos judeus numa pobre casa de Belém”.

Pequena luz

A experiência dos Magos é uma lição para nós hoje, afirma o Papa. ”Somos chamados, sobretudo num tempo como o nosso, a procurar os sinais que Deus oferece, cientes de que se requer o nosso esforço para os decifrar e, assim, compreender a vontade divina”:

“Somos desafiados a ir a Belém encontrar o Menino e sua Mãe. Sigamos a luz que Deus nos oferece, pequenina! O hino do breviário poeticamente nos diz que os Magos “lumen requirunt lumine”, aquela pequena luz. A luz que irradia do rosto de Cristo, cheio de misericórdia e fidelidade. E, quando chegarmos junto d’Ele, adoremo-Lo com todo o coração e ofereçamos-Lhe de presente a nossa liberdade, a nossa inteligência, o nosso amor. A verdadeira sabedoria se esconde no rosto deste Menino. É aqui, na simplicidade de Belém, que a vida da Igreja encontra a sua síntese. Aqui está a fonte daquela luz que atrai a si toda a pessoa no mundo e orienta o caminho dos povos pela senda da paz”.

Fonte:Rádio Vaticano

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Santa Teresinha do Menino Jesus: a Teologia do Amor e devoção a Cristo menino

Santa Teresinha do Menino Jesus: a Teologia do Amor e devoção a Cristo menino

Santa-TerezinhaEm 02 de janeiro de 1873 nasce a nona filha do casal Zélia Guérin e Luiz Martin, em Lisieux, França. Dão-lhe o nome de Maria Francisca Teresa. Sua mãe morre em 1877. Sua irmã mais velha, Paulina, é sua segunda mãe, segundo seu próprio depoimento. Em 1884, em 08 de maio, faz sua primeira comunhão, cuja catequista foi sua irmã Paulina, é crismada em 14 de junho. Datas que marcam sua espiritualidade para sempre, estreitando cada vez mais sua entrega e comunhão de vida com o Menino Jesus.

Desde muito cedo Teresa já cultivava devoção particular ao Menino Jesus. Com seis anos e meio inicia sua preparação para a Primeira Comunhão. A catequese faz crescer seu amor ao Menino Jesus que a acompanhará por toda a vida. E caracteriza sua espiritualidade, fundada na confiança e no abandono à vontade de Deus. Coloca-se como “a bolinha” (brinquedo) do Menino Jesus. Um abandono sem reserva à misericórdia de Deus.

Em 1888 entra no Carmelo, no dia 09 de abril. Em 10 de janeiro de 1889 recebe o hábito de monja. Morre com 24 anos de idade, de tuberculose, em 30 de setembro de 1897. Foi canonizada por Pio XI, em 17 de maio de 1925.

Dos seus escritos e de depoimentos de pessoas que a conheceram, os cultores de sua memória assinalam algumas características de sua personalidade. Vejamos algumas: Um coração sensível, um caráter feliz, uma inteligência aberta que entende e mantém facilmente o sentido das coisas, o olho que vê detalhes, a imaginação viva e muito desperta para o símbolo, como suas poesias dão testemunho; o gosto pelo grande, pelo belo, pelo verdadeiro; a capacidade de trabalhar bem com inteligência; a intuição e a intensidade que fazem nascer nela pensamentos profundos e sentimentos profundos; uma memória para os pensamentos e as impressões profundas e poéticas; uma longa familiaridade com o espiritual e o divino; pureza e vigor de alma; tem um dom de expressão, por isso é boa escritora.

 Legado de Teresinha do Menino Jesus

 Em 1898 aparecia a primeira edição da “História de uma alma” (Hitoire d’âme), sua autobiografia. Escrita a pedido da Madre priora do Carmelo, sua irmã mais velha, Paulina, sua ex-catequista. Essa obra tornou-se a marca de uma espiritualidade, cujas características são a simplicidade, a força da mensagem evangélica e a teologia da graça e do amor.

Numerosas pessoas pautaram sua vida espiritual, seguindo este estilo de espiritualidade, sobretudo, a teologia do amor, a teologia do coração. O amor é o caminho que nos leva e eleva até Deus. Deus é amor. Teresa é o testemunho vivo que a teologia não pode ser feita, apenas, pela razão. Não pode ser somente abordagem científica e crítica do dado revelado.

Em sua obra, Teresinha relata, com simplicidade, sua “arte de amar”, os “segredos de Jesus”. Aí, estão os seus sonhos, o tormento dos desejos incompatíveis, a pacificação do amor, a vida para o perfeito amor, a justificação, o amor e suas obras, a descrição mais detalhada: o pequeno pássaro e a águia, visão teológica sintética e súplica final.

Além desta linha fundamental de sua teologia do amor, deixo também algumas, particularidades de sua rica espiritualidade. Teresinha soube aproveitar bem os dons que recebeu de Deus. Dedicou-se à pintura, à poesia, a composição de peças piedosas para recreação, orações, tendo sempre como referência sua devoção ao Menino Jesus.

A sabedoria está na simplicidade, seja no brilho de uma rosa e na brancura do lírio, não tiram o perfume da pequena violeta ou a simplicidade da arrebatadora margarida do campo. Teresinha amava as flores. Elas estão sempre presentes em suas reflexões e orações. São símbolos sempre presentes em suas considerações. Por isso, escreve e vive de tal modo que a perfeição consiste em ser o que Deus quer que sejamos.

E, também, cultivava o hábito de nunca se queixar, mesmo quando era tratada injustamente, preferia calar-se e não se desculpar. Mais ainda, “Meu Deus, escolhi tudo. Não quero ser uma santa pela metade. Não tenho medo de sofrer por vós, só tenho medo de uma coisa: é guardar minha vontade, tomai-a, pois eu escolho tudo o que quiserdes”. Por isso, no final da vida, pouco antes de morre, dá este testemunho: “Não morro, entro na vida”.

 Teresinha, desde cedo, alimentou amor aos pobres. Ao passear com o pai, sempre gostava de levar consigo algo para oferecer aos pobres que encontrava pelo caminho. Claro para isso era estimulada pela educação cristã que recebia em casa. De casa, também, aprendeu a manter intimidade profunda com Maria de Nazaré. Ela mesma sempre a tratava como sua Mãe do Céu. Sentia uma alegria indescritível em estar com ela.

Santa Teresinha do Menino Jesus tornou-se mestra de espiritualidade que enriqueceu e enriquece, até hoje, a vida da Igreja e de todos os que desejam viver a proposta da Boa Nova do Reino, trazida e testemunhada por Jesus. Recordar, neste Natal, seu estilo de vida simples e tentar seguir algumas de suas sugestões, certamente, será proveitoso para qualquer seguidor do Mestre Jesus.

P. Adilson José Colombi, scj

Fonte: Revista A Palavra, Santa Teresinha do Menino Jesus: a Teologia do Amor e devoção a Cristo menino, págs 13-14, ed. 44, dezembro de 2014.

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Compreender o Ano Litúrgico para viver melhor a fé

Compreender o Ano Litúrgico para viver melhor a fé

AnoLiturgico

Todos os anos, no primeiro domingo do Advento, quatro semanas antes do Natal, iniciamos um novo Ano Litúrgico, ele é como um calendário que contém os acontecimentos da História da Salvação, e ao contrário do que muitos pensam, ele não coincide com o ano civil, que começa no dia 1 de janeiro e termina no dia 31 de dezembro. Por isso caro leitor, atenção!

Este Calendário Litúrgico foi criado para acompanharmos através das leituras dos textos bíblicos (Evangelhos e outros livros) a vida de Jesus, nascimento até a ascensão aos céus, em ordem cronológica (dia, mês e ano). Deste modo, ouvimos nas celebrações textos que falam do anúncio do Messias, da sua encarnação, de seu ministério público, seus discursos, as parábolas até culminarmos com a morte e ressurreição nos preparando para sua segunda vinda, marcada pela data de Cristo Rei do Universo que encerra o ano litúrgico.

O Ano Litúrgico é dividido em A, B e C, totalizando três anos. A ideia desta distribuição de textos bíblicos ao longo desse período tem como objetivo a leitura de toda a Bíblia, portanto, ao participar da Missa todos os dias por três anos você terá lido a Sagrada Escritura inteira, sabia disso?

Você deve estar se perguntando o que significam essas letras, pois bem, o Rito Romano, utilizado nas celebrações da Igreja Católica possui um conjunto de leituras bíblicas que se repetem a cada três anos perpassando os domingos e as solenidades. A cada ano, a liturgia das celebrações segue uma sequência de leituras próprias:

  • Ano “A”: Evangelho de São Mateus;
  • Ano “B”: Evangelho de São Marcos;
  • Ano “C”: Evangelho de São Lucas.

O Evangelho de São João é reservado para as ocasiões especiais, sobretudo as grandes Festas e Solenidades, para este evangelho não existe um ano litúrgico.

Vai aqui um passo bem simples para calcular o ano litúrgico, apenas somando os algarismos do ano. O ano em que a soma dos algarismos for um número múltiplo de três é do ciclo C. Vejamos o exemplo: “2016 = 2+0+1+6= 9”. Nove é múltiplo de três, então em 2016, o ano litúrgico será ano C. Assim, este ano de 2015 é o ciclo B, e o ano de 2014 foi o ano litúrgico A. É bem fácil.

Vale lembrar também, que o Ano Litúrgico é composto por “tempos litúrgicos”, cada um com seus ensinamentos, a saber:

  • Tempo do Advento: fala do anúncio da vinda do Messias e promove uma esperança de salvação nos cristãos;
  • Tempo do Natal: apresenta a encarnação do Filho de Deus e propõe uma fé de acolhida alegre ao Salvador;
  • Tempo Comum: trata do anúncio do Reino dos Céus e motiva a escuta da Palavra;
  • Tempo da Quaresma: manifesta a misericórdia de Deus e convida a penitência e conversão;
  • Tempo Pascal: indica a Ressurreição e a vida conduzindo os fiéis a alegria em Cristo Ressuscitado.

Aproximamo-nos do Tempo do Advento, que tem duração de quatro semanas antes do Natal e marca também, o início de um novo Ano Litúrgico (Ano C). Este tempo é representado pela grande expectativa da vinda Messiânica e fomenta esperança de um tempo novo para os filhos de Deus.

Um símbolo tradicional desse momento, é a Coroa do Advento, com quatro velas a serem acesas a cada Domingo. Nas leituras notaremos a forte presença dos personagens bíblicos: Profeta Isaías, João Batista e a Virgem Maria.

 Somos convidados a nos sensibilizar as dificuldades que Maria teve de enfrentar durante a sua gravidez e o desafio da Sagrada Família para encontrar um local onde Jesus pudesse nascer, ofertando nosso coração como presépio ao Salvador, estabelecendo em nossas vidas um tempo de alegria anunciando que “o Verbo Divino se fez carne e habitou entre nós” (cf. João 1, 14a).

Joaquim Bontorin

Fonte: Revista A Palavra: a igreja ensina, pág 11, ed. 55, Nov/2015.

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