Depois de comungar, o que é mais aconselhável?

Depois de comungar, o que é mais aconselhável?

A Igreja nos ensina que após receber a Sagrada Hóstia, presença real de Jesus (corpo, sangue, alma e divindade), Ele está substancialmente presente em nós até que nosso organismo consuma as espécies do trigo; isto pode levar cerca de 15 minutos. Depois disso, Jesus passa a estar em nossa alma pela ação do Espírito Santo e de Sua graça.

O grande São Pedro Julião Eymard, em seu livro “Flores da Eucaristia” (Ed. Palavra Viva, Sede Santos!, Distribuidora Loyola, pgs 131-135), nos ensina a importância da Ação de Graças. Transcrevo aqui alguns de seus ensinamentos para a sua meditação:

“O momento mais solene de vossa vida é o da Ação de Graças, em que possuis o Rei da Terra de do Céu, vosso Salvador e Juiz, disposto a vos conceder tudo o que Lhe pedirdes”.

“A Ação de Graças é de imprescindível necessidade, a fim de evitar que a Santa Comunhão degenere num simples hábito piedoso.”

“Nosso Senhor permanece pouco tempo em nossos corações, após a Santa Comunhão, porém os efeitos de Sua Presença se prolongam. As santas espécies são como que um invólucro, o qual se rompe e desaparece para que o remédio produza seus salutares efeitos no organismo. A alma se torna então como um vaso que recebeu um perfume precioso.”

“Consagrai à Ação de Graças meia hora se for possível, ou, pelo menos, um rigoroso quarto de hora (15 minutos). Dareis prova de não ter coração e de não saber apreciar devidamente o que é a Comunhão, se, após haver recebido Nosso Senhor, nada sentísseis e não Lhe soubésseis agradecer.”

“Deixai, se quiserdes, que a Santa Hóstia permaneça um momento sobre a vossa língua a fim de que Jesus, verdade e santidade, a purifique e santifique. Introduza-a depois em vosso peito, no trono do vosso coração, e, adorando em silêncio, começai a Ação de Graças” (pg. 131).

“Adorai Jesus sobre o trono de vosso coração, apoiando-vos sobre o Dele, ardente de amor. Exaltai-Lhe o poder… proclamai-o Senhor vosso, confessai–vos ser feliz servo, disposto a tudo para Lhe dar prazer.”

“Agradecei-Lhe a honra que vos fez, o amor que vos testemunhou, e o muito que vos deu nesta Comunhão! Louvai a Sua bondade e o seu amor para convosco, que sois tão pobre, tão imperfeito, tão infiel! Convidai os anjos, os santos, a Imaculada Mãe de Deus para louvá-Lo e agradecer-Lhe por vós. Uni-vos às ações de graças amantes e perfeitas da Santíssima Virgem.”

“Agradeçamos por meio de Maria, pois quando um filho pequeno recebe alguma coisa cabe à mãe agradecer por ele. A Ação de Graças identificada com a de Maria Santíssima será perfeita e bem aceita pelo Coração de Jesus.”

“Na Ação de Graças de Comunhão, chorai os vossos pecados aos pés de Jesus com Madalena (Jo 12,3), prometei-lhe fidelidade e amor, fazei-Lhe o sacrifício de vossas ações desregradas, de vossa tibieza, de vossa indolência em empreender o que vos custa. Pedi-Lhe a graça de não mais O ofender, professar-Lhe que preferis a morte ao pecado.”

“Pedi tudo o que quiserdes; é o momento da graça, e Jesus está disposto a vos dar o próprio Reino. É um prazer que Lhe proporcionamos, oferecer-Lhe ocasião de distribuir seus benefícios.”

“Pedi-lhe o reinado da santidade em vós, em vossos irmãos, e que a sua caridade abrase todos os corações.”

Na Ação de Graças podemos e devemos orar pela Igreja, pelas necessidades, intenções e saúde do Papa e de nossos bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados, coordenadores de comunidades, missionários, catequistas, vocações sacerdotais e religiosas, etc.

É o momento privilegiado para pedir a Jesus, pelo Seu Sacrifício, o sufrágio das almas do Purgatório (dizendo-Lhe os nomes), de pedir por cada pessoa de nossa família e de todos os que se recomendaram às nossas orações e por todos aqueles por quem somos mais obrigados a rezar. E supliquemos a Jesus todas as graças necessárias para podermos cumprir bem a missão que Ele nos deu nesse mundo, seja familiar, profissional ou apostólica. É também o momento de nossa cura interior, pelo Sangue de Jesus.

Não nos esqueçamos nunca do que Ele disse: “Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira” (Jo 15, 1-6). É melhor não Comungar do que Comungar mal.

Fonte: Aleteia

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Ao pedir a intercessão dos santos estamos evocando os mortos?

Ao pedir a intercessão dos santos estamos evocando os mortos?

Se você não sabe a diferença entre intercessão dos santos e evocação dos mortos, precisa ler esta explicação

Alguns cristãos não-católicos não concordam quando nós, católicos, pedimos para os santos que estão no céu para que intercedam por nós aqui na terra. Para essas pessoas, pedir a intercessão dos santos seria a mesma coisa que evocar os mortos, o que de fato é algo condenado pelas Escrituras. mMas será mesmo que é a mesma coisa?

“… nem quem recorra à magia, consulte oráculos, interrogue espíritos ou evoque os mortos” – (Dt 18, 11).

Esta é a passagem bíblica usada pelos não-católicos para acusar os católicos por pedirem intercessão aos santos no céu. Nós somos acusados por evocação de mortos! Essa acusação é apenas um mal-entendido sobre os ensinamentos da Igreja enquanto o orar aos santos, e também um mal entendido em relação à interpretação desta passagem.

Na realidade, o texto inteiro se refere ao ocultismo, está passagem fala de pessoas que fazem apelos a forças satânicas em busca de poder, maldição sobre seus inimigos, etc. Nós católicos certamente não evocamos os mortos, não buscamos fazer com que os santos apareçam para nós, não interrogamos os espíritos, não usamos serviços como bruxaria, feitiçaria, adivinhação, etc.

Orar para os santos não possui nenhuma relação com o contexto desta passagem. Esta passagem refere-se ao ocultismo, em nenhum lugar deste texto fala que não podemos pedir a intercessão dos santos no céu – membros do corpo de Cristo – por nós aqui na terra.

Contudo, alguns ainda irão dizer que pedir a intercessão dos santosé a mesma coisa que evocar os mortos… Será?

Onde é a morada dos mortos? No céu? Jesus diz nas escrituras:

“… E quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que Deus vos disse: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó? Ele é Deus não de mortos, mas de vivos” (Mt 22, 31-32).

Deus não é o Deus dos mortos, mas dos vivos. Os santos, as pessoas boas estão vivas! Eles morreram fisicamente sim, mas qual é o sentido real da morte? A morte temporária do corpo aqui na terra, ou a morte eterna de uma alma que se separa do amor de Deus? Aqueles que morreram em amizade com Cristo, estão na verdade mais vivos que nós que estamos aqui na terra.

Mas, se ainda assim, evocação dos mortos se refere aos santos que estão no céu, não teria Deus então, quebrado seu próprio mandamento na transfiguração?

“… Seis dias depois, Jesus levou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os fez subir a um lugar retirado, numa alta montanha. E foi transfigurado diante deles: seu rosto brilhou como o sol e suas roupas ficaram brancas como a luz. Nisto apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus” (MT 17, 1-3).

Moisés e Elias apareceram e conversaram com Jesus, teria Jesus quebrado seu próprio mandamento por evocar os mortos? Isso é muito mais que pedir a intercessão de um santo, nesta passagem Moisés e Elias estão frente a frente não só com Jesus, mas também com os que acompanham Jesus. Jesus teria quebrado seu próprio mandamento? Não! Porque o Senhor é Deus dos vivos e não dos mortos, Moisés e Elias estão vivos, ao contrário Jesus teria nos dado um mau exemplo por evocar e conversar com os mortos, mas nós sabemos que este não é o caso.

Esse texto de Deuteronômio refere-se então a pratica do ocultismo e não possui nenhuma ligação com o que os católicos fazem ao pedirem intercessão para os santos. Quando os católicos pedemintercessão aos santos, não quer dizer que estamos adorando os santos, ou adorando Maria, estamos simplesmente pedindo a intercessão deles por nós, assim como fazemos entre nós aqui na terra.

Nós não adoramos os santos, nós não atribuímos a eles nada que deve ser atribuído somente a Deus. Como foi dito no começo, tudo não passa de um mal-entendido sobre o que ensina a Igreja e sobre interpretar corretamente o texto de Deuteronômio.

Fonte: aleteia.org

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84 anos do martírio de Albertina Berkenbrock, a beata catarinense

84 anos do martírio de Albertina Berkenbrock, a beata catarinense

A Bem-aventurada Albertina Berkenbrock, que teve o Decreto de Beatificação assinado pelo Papa Bento XVI, no dia 16 de dezembro de 2006, foi proclamada Bem-Aventurada no dia 20 de outubro de ano de 2007, na Diocese de Tubarão, em uma celebração eucarística presidida pelo Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos do Vaticano.

Albertina Berkenbrock – conhecida pelo povo da Diocese de Tubarão como “a nossa Albertina” – nasceu no dia 11 de abril de 1919, na comunidade de São Luís, paróquia São Sebastião de Vargem do Cedro, município de Imaruí, Estado de Santa Catarina. Filha de um casal de agricultores, Henrique e Josefina Berkenbrock, teve mais 8 irmãos e irmãs. Foi batizada no dia 25 de maio de 1919, crismada em 9 de março de 1925 e fez a primeira comunhão no dia 16 de agosto de 1928.
Aos 12 anos de idade, no dia 15 de junho de 1931, às 16 horas, Albertina foi assassinada porque quis preservar a sua pureza espiritual e corporal e defender a dignidade da mulher, por causa da fé e da fidelidade a Deus. E ela o fez, heroicamente, como verdadeira mártir.

O martírio e a consequente fama de santidade espalharam-se rapidamente de maneira clara e convincente. Afinal, ela foi uma menina de grande sensibilidade para com Deus e com as coisas de Deus, para com o próximo e com as coisas do próximo. Isso se depreende, com nitidez, de sua vida, vivida na simplicidade dos seus tenros anos.

Seus pais e familiares souberam educar Albertina na fé, no amor e na esperança, as virtudes teologais da religião cristã. Transmitiram-lhe, pela vida e pelo ensinamento, todas as verdades reveladas na Sagrada Escritura. E ela aprendeu a corresponder a tudo com grande generosidade de alma. Buscar em Deus inspiração e força para viver, tornou-se algo espontâneo. Rezava, pois, com alegria, seja sozinha, seja na família, seja na comunidade. Aprendeu a participar ativamente da vida religiosa, em todos os seus aspectos.

Quando chegou o tempo da catequese preparatória para os sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia, Albertina chamou a atenção pela forma como se preparou: com muita diligência e grandeza de coração.

A “primeira confissão” tornou-se porta aberta para se confessar freqüentemente.

A “primeira comunhão” foi uma experiência única, a tal ponto que ela própria afirmou: – “Foi o dia mais belo de minha vida!”.
A partir de então, não deixou mais de participar da Eucaristia, tornando esse sacramento “fonte e cume de sua vida cristã”. Gostava de falar, na sua forma simples de expressar-se, do mistério eucarístico como experiência do amor de Deus, compreendendo que a Eucaristia é o memorial da morte e ressurreição de Jesus, ato supremo do amor redentor.

Albertina cultivou uma devoção muito filial a Nossa Senhora, venerando-a com carinho, tanto em casa como na capela da comunidade. Participou, com intensidade, da oração do rosário junto com os familiares. Na simplicidade de coração, recomendou, seguidamente, a Maria – Mãe de Jesus e Mãe da Igreja – a sua alma e a sua salvação eterna.

Ela deixou crescer dentro de si uma afinidade muito grande com o padroeiro da comunidade, São Luís. Uma coincidência providencial, esta devoção ao Santo, que é modelo de pureza espiritual e corporal. Certamente, preparando-a também para um dia defender com sua vida este grande valor.

A formação cristã, vivida e ensinada pela família, introjetou em Albertina virtudes humanas extraordinárias: a bondade, a acolhida, a meiguice, a docilidade, o serviço. Teve uma obediência responsável; foi incansável nas atividades de trabalho e estudo; teve espírito de sacrifício; soube ter paciência, confiança e coragem.

Essas virtudes humanas foram visíveis na convivência em casa, pois sempre ajudou os seus pais e irmãos; foram visíveis na comunidade, uma vez que sempre amou todas as pessoas, o que a tornou muito admirada; foram visíveis na escola, tendo em vista que sempre se aplicou aos estudos, sempre esteve ao lado dos colegas mais necessitados de ajuda e jamais revidou ataques de menosprezo dirigidos a ela.

Os relatos que existem sobre ela comprovam o que está se afirmando em relação às virtudes humanas. Senão, vejamos: “(…) ajudava os pais nos trabalhos da casa e da roça (…) foi dócil, obediente, incansável, sacrificada, paciente (…) mesmo quando os irmãos a mortificavam, às vezes até lhe batiam, ela sofria em silêncio, unindo-se aos sofrimentos de Jesus que amava sinceramente”; “(…) gozava de grande estima na escolinha local, particularmente por parte do professor, que a elogiava por suas condições espirituais e morais superiores à sua idade, que a distinguiam entre os colegas de escola”; “(…) ela se aplicou ao estudo”; “(…) jamais faltou à modéstia”; “(…) foi uma menina boa, estimada por colegas e adultos”; “(…) às vezes, alguns meninos punham à prova a sua mansidão, modéstia, timidez e repugnância por certas faltas (…) Albertina então se calava (…) nunca se revoltou, menos ainda nunca se vingou, mesmo quando lhe batiam”; “(…) era uma pessoa cândida, simples, sem fingimentos”; “(…) sabia destacar sua beleza feminina vestindo-se com simplicidade e modéstia”.
Além dessas virtudes humanas, a formação cristã também modelou em Albertina as virtudes cristãs

essenciais na medida em que, embora fosse uma menina de tenra idade, as entendeu e viveu: transpirando fé, amor e esperança no dia-a-dia; captando, de modo extraordinário, as verdades reveladas na Sagrada Escritura; tendo uma inclinação forte para as coisas de Deus e da religião; vivenciando com grandeza o mandamento do amor a Deus e ao próximo (cerne do cristianismo); santificando-se pela prática dos sacramentos recebidos do Batismo, da Reconciliação, da Eucaristia e da Crisma; valorizando a vida plena e a dignidade da mulher.

Essas virtudes cristãs foram visíveis no dia-a-dia de sua vida familiar e comunitária. Inúmeros relatos demonstram isso, como por exemplo: “(…) falava muitas vezes da Eucaristia e dizia que o dia de sua “primeira comunhão” fora o mais belo de sua vida”; “(…) recomendava a Maria sua alma e sua salvação eterna”; “(…) seus divertimentos refletiam seu apego à vida cristã (…) gostava de fazer cruzinhas de madeira, colocava-a em pequenas sepulturas, adornava-as com flores”; “(…) mesmo quando os irmãos a mortificavam, às vezes até lhe batiam (…) ela sofria em silêncio, unindo-se aos sofrimentos de Jesus que amava sinceramente”; “(…) o seu professor a elogiava por suas condições espirituais e morais superiores à sua idade que a distinguiam entre os colegas de escola”; “(…) aprendeu bem o catecismo, conheceu os mandamentos de Deus e seu significado”; “(…) se pensarmos na maneira como sacrificou sua vida, conforme declarou seu professor-catequista, ela tinha compreendido o sentido do sexto mandamento no que tange ao valor da castidade, da pureza espiritual e corporal”; “(…) sua caridade era grande (…) gostava de acompanhar as meninas mais pobres, de jogar com elas e dividir o pão que trazia de casa para comer no intervalo das aulas”; “(…) teve especial caridade com os filhos do seu assassino, que trabalhava na casa da família (…) muitas vezes Albertina deu de comer a ele e aos filhos pequenos, com os quais se entretinha alegremente, acariciando-os e carregando-os ao colo (…) isso é tanto mais digno de nota quanto Indalício era negro, sabendo-se que nas regiões de colonização europeia uma dose de racismo sempre esteve presente”.

Todas essas virtudes humanas e cristãs mostram que Albertina, apesar de sua pouca idade, foi uma pessoa impregnada da Trindade Santa. Correspondeu à vocação de santidade que recebeu no dia do batismo. Foi uma gigante de fé, de amor e de esperança. Viveu os valores do Evangelho de modo admirável.
Por todo o exposto, não há razão para estranhar a coragem e a fortaleza cristã manifestadas por Albertina no momento de seu martírio, a fim de defender a vida plena e a dignidade da mulher.
A Diocese de Tubarão e a Igreja do Brasil podem orgulhar-se em ter apresentado uma jovem como modelo de santidade para a juventude dos tempos de hoje e de sempre: a Bem-Aventurada ALBERTINA.

Dom Jacinto Bergmann, Arcebispo Metropolitano de Pelotas

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Igreja lembra Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Igreja lembra Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Neste ano a solenidade do Sagrado Coração de Jesus está inserida em meio a grandes festas populares e várias comemorações. Esta solenidade pós tempo de Páscoa nos remete ao Mistério Pascal, pois nos coloca diante do Senhor que deu sua vida por nós derramando seu sangue pela salvação da humanidade. Simbolizar esse amor de Deus no Coração de Jesus teve a necessidade de ajudar a caminhada cristã em experimentar a proximidade de Deus Amor em suas vidas. Creio que também hoje é este o caminho que nos tem sido indicado pelo Papa Francisco. Porém esse mistério já vem anunciado na revelação cristã desde o antigo testamento.

A devoção ao Sagrado Coração tem as suas origens na devoção popular e, sem dúvida, é uma das piedades mais difundidas e mais amada pelos fiéis. A expressão “Coração de Cristo” nos remete à totalidade de seu ser, Verbo encarnado para a salvação de toda a humanidade. Esta piedade popular tem a sua fundamentação na Sagrada Escritura. Jesus, em seu Evangelho, convida os discípulos a viverem em íntima comunhão com ele, assumindo a sua palavra como modo de vida e revelando-se um mestre “manso e humilde de coração”.

Os Santos Padres muitas vezes falaram do Coração de Cristo como símbolo de seu amor, tomando-o da Escritura: “Beberemos da água que brotaria de seu Coração…quando saiu sangue e água” (Jo 7,37; 19,35).

Na Idade Média começaram a considerá-lo como modelo de nosso amor, paciente por nossos pecados, a quem devemos reparar entregando-lhe nosso coração (santas Lutgarda, Matilde, Gertrudes a Grande – que hoje está sendo cogitada como doutora da Igreja -, Margarida de Cortona, Angela de Foligno, São Boaventura, e outros).

No século XVII estava muito expandida esta devoção. São João Eudes, já em 1670, introduziu a primeira festa pública do Sagrado Coração. Em 1673, Santa Margarida Maria de Alocoque começou a ter uma série de revelações particulares que a levaram à santidade e ao impulso de formar uma equipe de apóstolos desta devoção. Com seu zelo conseguiram um enorme impacto na Igreja.

Foram divulgados inúmeros livros e imagens. As associações do Sagrado Coração subiram em um século, desde meados do XVIII, de 1000 a 100.000. Umas vinte congregações religiosas e vários institutos seculares foram fundados para estender seu culto de mil formas. O apostolado da Oração, que pretende conseguir nossa santificação pessoal e a salvação do mundo mediante esta devoção, contava já em 1917 com 20 milhões de associados. E em 1960 chegava ao dobro em todo o mundo, passando de um milhão na Espanha; suas 200 revistas tinham 15 milhões de inscrições. A maior instituição de todo o mundo.

A Oposição a este culto sempre foi grande, sobretudo no século XVIII por parte dos jansenistas, e recebeu um forte golpe com a supressão da Companhia de Jesus (1773). E assim passou por várias vicissitudes pois trazia em seu bojo a revelação da misericórdia de Deus manifestada no Coração de Jesus.

Em 1856 Pio IX estendeu sua festa a toda a Igreja. Em 1899 Leão XIII consagrou o mundo ao Sagrado Coração de Jesus (o Equador tinha se consagrado em 1874). E a Espanha em 1919, em 30 de maio, também se consagrou publicamente ao Sagrado Coração no Monte dos Anjos. Onde foi gravado, sob a estátua de Cristo, aquela promessa que fez ao pai Bernardo de Hoyos, S.J., em 14 de maio de 1733, mostrando-lhe seu Coração, em Valladolid (Santuário da Grande Promessa), e dizendo-lhe: “Reinarei na Espanha com mais Veneração que em muitas outras partes”.

A importância que a Igreja concede atualmente ao Sagrado Coração, esta sublinhada pela categoria de solenidade, das quais há somente 14 ao ano no calendário universal. Além disso, a festa de Cristo Rei, também solenidade, está estreitamente unida à espiritualidade do Sagrado Coração. Pio XI declarou ao instituí-la que precisamente a Cristo é reconhecido como Rei, por famílias, cidades e nações, mediante a consagração a seu Coração. E determinou que em tal festa fosse renovado todos os anos a consagração do mundo ao Coração de Cristo.

Toda esta atitude litúrgica da Igreja tem a finalidade de estimular nossa prática cristã pondo especial interesse em celebrar sua festa: comungando, assimilando seus ensinamentos, utilizando as orações litúrgicas, a consagração, etc. Como dizia Pio XI na encíclica “Quas primas”: “As celebrações anuais da liturgia têm uma eficácia maior que os solenes documentos dos magistérios para formar ao povo nas coisas da fé”.

A devoção ao Coração de Jesus existe desde os primeiros tempos da Igreja, desde que se meditava no lado e no Coração aberto de Jesus, de onde saiu sangue e água. Desse Coração nasceu a Igreja e por esse Coração foram abertas as portas do Céu.

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

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Papa na solenidade de Pentecostes: É preciso mais homens e mulheres abertos ao Espírito Santo

Papa na solenidade de Pentecostes: É preciso mais homens e mulheres abertos ao Espírito Santo

Pentecost_Mass_in_St._Peters_Basilica_B.Petrik_24.5_3“O mundo tem necessidade de homens e mulheres que não estejam fechados, mas repletos de Espírito Santo”, disse o Papa na sua homilia da Missa pela Solenidade de Pentecostes neste domingo, 24, em Roma, acrescentando que o fechamento ao Espírito não apenas é falta de liberdade, mas também pecado, e deu exemplos de como os cristãos se fecham ao Espírito.

Perante milhares de fiéis reunidos na Basílica de São Pedro, o Papa Francisco presidiu a Santa Missa neste Domingo de Pentecostes. Na sua homilia, recordando as palavras do Senhor no Evangelho de hoje («Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós (…) Recebei o Espírito Santo»), o Papa falou da efusão do Espírito, que já teve lugar na tarde da Ressurreição, mas que se repete, e com sinais extraordinários, no dia de Pentecostes. Como resultado, disse Francisco, os apóstolos receberam uma força tal que os impeliu a anunciar, nas diferentes línguas, o evento da Ressurreição de Cristo:

«Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas». Juntamente com eles, estava Maria, a Mãe de Jesus, primeira discípula, Mãe da Igreja nascente. Com a sua paz, com o seu sorriso e com a sua maternalidade, acompanhava a alegria da jovem Esposa, a Igreja de Jesus”, ressaltou o Santo Padre.

“Aos Apóstolos, incapazes de suportar o escândalo da Paixão do seu Mestre, o Espírito dará uma nova chave de leitura para os introduzir na verdade e beleza do evento da Salvação. Estes homens, antes temerosos e bloqueados, fechados no Cenáculo para evitar repercussões da Sexta-feira Santa, já não se envergonharão de ser discípulos de Cristo, já não tremerão perante os tribunais humanos. Graças ao Espírito Santo, de que estão repletos, compreendem «a verdade completa», ou seja, que a morte de Jesus não é a sua derrota, mas a máxima expressão do amor de Deus; um amor que, na Ressurreição, vence a morte e exalta Jesus como o Vivente, o Senhor, o Redentor do homem, da história e do mundo. E esta realidade, de que são testemunhas, torna-se a Boa Notícia que deve ser anunciada a todos”.

O mundo tem necessidade de homens e mulheres que não estejam fechados, mas repletos de Espírito Santo, disse ainda o Papa, acrescentando que o fechamento ao Espírito não apenas é falta de liberdade, mas também pecado, e exemplificou modos de como nos podemos fechar ao Espírito:

“Há muitas maneiras de fechar-se ao Espírito Santo: no egoísmo do próprio benefício, no legalismo rígido – como a atitude dos doutores da lei que Jesus chama de hipócritas –, na falta de memória daquilo que Jesus ensinou, no viver a existência cristã não como serviço mas como interesse pessoal, e assim por diante. O mundo necessita da coragem, da esperança, da fé e da perseverança dos discípulos de Cristo. O mundo precisa dos frutos do Espírito Santo: «amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio»”.

O dom do Espírito Santo foi concedido em abundância à Igreja e a cada um de nós, para podermos viver com fé genuína e caridade operosa, para podermos espalhar as sementes da reconciliação e da paz, disse o Papa ao concluir, pedindo para que, fortalecidos pelo Espírito e seus múltiplos dons, nos tornemos capazes de lutar, sem abdicações, contra o pecado e a corrupção e dedicar-nos, com paciente perseverança, às obras da justiça e da paz.

Fonte: ACI Digital

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Sacerdote sequestrado pelo ISIS: sobrevivi às torturas rezando o Rosário

Sacerdote sequestrado pelo ISIS: sobrevivi às torturas rezando o Rosário

DouglasBazi_BlancaRuizACIPrensa_130515O Pe. Douglas Bazi testemunhou em primeira pessoa os horrores cometidos pelo Estado Islâmico no Iraque. Foi sequestrado por este grupo terrorista muçulmano durante nove dias e agora pede para que o mundo não esqueça dos cristãos e protejam as minorias neste país do Oriente Médio.

“Não me surpreendeu que me sequestrassem, o que me surpreende é seguir vivo”, expressou o Pároco da Igreja de São Elias em Erbil (Iraque). “Um dia, depois de celebrar a missa, estava indo à casa de uns amigos, quando dois carros interromperam meu caminho e me sequestraram. Meu primeiro pensamento foi: ‘Este será o meu fim, me mataram’”, recordou o Pe. Douglas em sua entrevista ao grupo ACI.

“Vendaram os meus olhos e em seguida ameaçaram matar-me se visse os meus sequestradores. Me colocaram no porta-malas de um automóvel e me levaram a uma casa onde permaneci preso durante nove dias. Sangrava muitíssimo porque bateram no meu rosto com um martelo e com joelhadas”, relatou o Pe. Bazi.

“Me colocaram umas correntes e algemas. Permaneci lá durante nove dias horríveis. Neste momento o meu único consolo era rezar o rosário”, destacou o sacerdote.

O Pe. Bazi relatou: “Rezei os melhores rosários da minha vida com a ajuda das correntes”. Ele aconselhava os sequestradores durante o dia e de noite eles o torturavam. Ficou durante nove dias sem comer e sem tomar água.

O sequestro somente foi um dos inumeráveis ataques que recebeu, além disso os grupos radicais haviam lançado morteiros enquanto celebrava a missa. Em outra ocasião colocaram uma bomba em sua paróquia e também lhe dispararam um tiro na perna.

“Nossa comunidade está constituída por quatro pontos: Jesus, o Papa, o Bispo e o sacerdote. Por isso, quando querem atacar começam pelo sacerdote porque assim atacam a base”, assegurou o padre.

Segundo afirmou o Pe. Bazi: “Durante 100 anos meu povo sofreu oito momentos de violência contra eles. Em quatro ocasiões foram obrigados a saírem do país ou da cidade”.

“Os muçulmanos radicais não aceitam nenhum grupo educado e os cristãos são um dos últimos grupos assim”, explicou o sacerdote Iraquiano.

“O problema do Oriente Médio não é a disputa pelo petróleo, mas a briga entre os (muçulmanos) sunitas e chiitas que disputam pelo território. Isso é o único que lhes preocupa”, assinalou.

Diante desta situação dramática o Pe. Douglas admitiu: “Ninguém pode viver eternamente em uma caravana e muito menos famílias inteiras em habitações pequenas”. Por isso, pede ajuda para a construção de lugares de acolhida para os refugiados.

Além disso, insistiu: “O ponto mais importante para melhorar esta situação seria criar oportunidades culturais entre os jovens: “Pertenço a um país com mais de 6000 anos de civilização, mas agora não temos cultura, necessitamos educação, escolas. Além disso é muito importante pensar como ajudaremos nosso povo no futuro quando tirem de dentro o trauma que carregam”.

“Muitos não querem deixar o país. Nós estamos orgulhosos de ser iraquianos e também da nossa fé católica, embora o Iraque não esteja orgulhoso de que sejamos parte deste país”, conclui a entrevista do Pe. Bazi.

Fonte: ACI Digital

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Papa canoniza quatro novas santas e pede reconciliação

Papa canoniza quatro novas santas e pede reconciliação

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As beatas irmãs Joana Emília de Villeneuve, da França, Maria Cristina Brando, da Itália; irmãs Maria Baouardy e Maria Alfonsina Danil Ghattas, árabe-palestinas, foram canonizadas na manhã deste domingo (17/05) em cerimônia presidida pelo Papa na Praça São Pedro.

Francisco recordou que irmã Joana “foi um sinal concreto do amor misericordioso do Senhor” ao consagrar sua vida a Deus, aos pobres, aos doentes e aos reclusos.

Sobre irmã Maria Cristina, o Pontífice afirmou que a santa “foi completamente conquistada pelo amor ardente ao Senhor” e do encontro “coração a coração” com o Senhor, recebia a força para suportar os sofrimentos.

A respeito da vida de irmã Maria Baouardy, o Papa disse que o seu constante diálogo com o Espírito Santo a permitiu “dar conselhos e explicações teológicas com extrema clareza”, apesar de ser humilde e iletrada.

“A docilidade ao Espírito – continuou Francisco – fez com que ela fosse também instrumento de encontro e de comunhão com o mundo muçulmano”.

Já irmã Maria Alfonsina Danil Ghattas “soube bem o que significa irradiar o amor de Deus no apostolado”, disse Francisco. Ao se transformar em uma testemunha de mansidão e unidade, “ela é um claro exemplo do quanto é importante sermos uns responsáveis pelos outros, de vivermos um a serviço do outro”.

Reconciliação

Ao final da celebração, o Papa agradeceu a presença das delegações oficiais da Palestina, França, Itália, Israel e Jordânia. Ao saudar as filhas espirituais das quatro novas santas, pediu que, pela intercessão das novas santas, o Senhor conceda um novo impulso missionário aos respectivos países de origem.

“Inspirando-se aos seus exemplos de misericórdia, de caridade e reconciliação, possam os cristãos destas terras olhar com esperança ao futuro, prosseguindo no caminho da solidariedade e da convivência fraterna”, concluiu Francisco para, então, recitar a Oração Mariana do Regina Coeli e conceder a todos a sua bênção apostólica.

Fonte: Rádio Vaticano

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Os dons infusos do Espírito Santo

Os dons infusos do Espírito Santo

Os dons infusos produzem os frutos, perfeições que o Espírito Santo forma em nós como primícias da glória eterna

Desde o batismo ,o Espírito habita em nós (cf. 1 Cor 3,16; 6,19) e gera em nós os dons de santificação, também chamados dons infusos: Ciência, Entendimento, Sabedoria, Conselho, Piedade, Fortaleza e Temor de Deus. Com a Crisma, esses dons crescem no cristão. Os Sete dons do Espírito Santo.

Os dons infusos do Espírito Santo
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

“Não sabeis que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Porque o templo de Deus, que sois vós é santo” (1 Cor 3,16). “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual vos foi dado por Deus? (1 Cor 6,19).
O nosso Catecismo diz: “A vida moral dos cristãos é sustentada pelos dons do Espírito Santo. Estes são disposições permanentes que tornam o homem dócil para seguir os impulsos do mesmo Espírito” (n. 1830).

Os dons do Espírito Santo são como que “auxiliares das graças”, os seus “lubrificantes”. São predisposições para a santidade que o batismo infunde na nossa alma junto com a graça santificante e as virtudes teologais (fé, esperança e caridade) e morais (justiça, fortaleza, prudência e temperança).

Além dos dons infusos, o Espírito Santo produz nos fiéis os frutos, que são perfeições que o divino Espírito forma em nós como primícias da glória eterna. A Tradição da Igreja enumera doze: “caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade” (Gl 5,22-23 vulg.).

Os sete dons do Espírito Santo em plenitude pertencem a Cristo. Completam e levam à perfeição as virtudes daqueles que os recebem. Tornam os fiéis dóceis para obedecer prontamente às inspirações divinas. “Que o teu bom espírito me conduza por uma terra aplanada” (Sl 143,10). “Todos os que são conduzidos pelo Espírito Santo são filhos de Deus. Filhos e, portanto, herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo” (Rm 8,14.17).

Somente pela ação do Espírito Santo em nós é que podemos conquistar a santidade. É ele que, desde o batismo, vem habitar em nós para nos fazer “templos do Deus vivo”; ou, como disse São Pedro, “pedras vivas, vós também vos tornais os materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo, a oferecer vítimas espirituais agradáveis a Deus, por Cristo” (1Pe 2,5). São Pedro Julião Eymard disse que “é dogma de fé que, sem o auxílio do Espírito Santo, não podemos ter um pensamento sobrenatural; apenas naturais”.

O Espírito de Jesus habita em nós para fazer-nos imagens de Jesus (Rom 8,29), o Homem perfeito e Santo. Desde o batismo, o Espírito habita em nós com a Trindade Santíssima e nos dá os dons de santificação: Sabedoria, Ciência, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Piedade e Temor de Deus. A Igreja nos ensina que, mediante esses dons, o Espírito nos dirige para a santificação, à medida que a nossa disposição coopera com a graça.

Muitas vezes, pedimos um ou outro dom do Espírito Santo. Devemos ter a coragem de pedir todos eles, para que Deus venha sempre em socorro de nossas fraquezas e nos ajude a crescer na busca da santidade de vida e no engajamento à missão evangelizadora de anunciar a Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – ao mundo, para que o mundo creia e a paz, a concórdia e a misericórdia reinem entre nós.

Peçamos, humildemente, a Virgem Maria Aparecida,  esposa do Espírito Santo, que  interceda por nós junto a Deus, concedendo-nos  a graça de recebermos os divinos dons, apesar de nossa indignidade, de nossa miséria, de nossa fragilidade e fraqueza. O próprio Jesus, Nosso Redentor, recomenda-nos:  “Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto”(Mt 7, 7).

Façamos a experiência e possamos experimentar as chuvas de bênçãos que Pentecostes nos proporcionará. Amém!

Fonte: Prof. Felipe Aquino – Canção Nova

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Peregrinar a pé ao encontro de Nossa Senhora

Peregrinar a pé ao encontro de Nossa Senhora

nossa senhora de fátima

As motivações dos jovens que peregrinam a pé a Fátima

Seis horas da manhã. O dia ainda não nasceu, mas os pés fazem-se à estrada depois do “Envio”. Às costas, a vontade de agradecer a Nossa Senhora de Fátima a licenciatura que terminou no verão passado, porque “durante os pontos mais baixos da minha vida, durante a licenciatura, sempre tive Nossa Senhora ao meu lado, e este é o meu agradecimento”. As palavras são da Catarina Trabulo, 22 anos, escoteira desde pequena, que em outubro passado resolveu peregrinar a Fátima. Cinco dias a andar, para chegar e enfrentar uma chuva torrencial na sua primeira noite numa procissão das velas em Fátima. Tudo por «agradecimento». “Sempre disse que, no final do curso, queria vir a Fátima a pé agradecer por tudo”, diz.

Mas porquê a pé, se há meios de transporte bem mais rápidos e confortáveis? “É muito diferente ir a Fátima a pé ou de carro. Ir a pé… nem se explica bem, mas há toda uma engrenagem de coisas que nos envolvem e nos fazem ir com vontade de alguma coisa, que de carro não é possível conseguir”, tenta explicar, enquanto sorri, recordando o caminho.

São muitas as motivações que levam jovens católicos a, todos os anos, se juntarem a grupos para peregrinarem para Fátima. Até o Benfica e o famoso – e fatídico – minuto 92. “Numa aposta com um amigo peregrino disse que se o Benfica não fosse campeão que eu ia a pé na próxima peregrinação. O Benfica não foi, e eu tive de cumprir com a aposta.”

Entre risos e algum espanto perante a forma como «Deus sabe o que faz», Paulo Sérgio, de 29 anos, explica como surgiu a possibilidade de ir a pé até Fátima. Há anos que ajudava o grupo da Igreja de São João de Deus em Lisboa na logística, providenciando as refeições, mas nunca se tinha aventurado a fazer o caminho a pé, apesar da vontade que o invadia cada vez mais. “Foi preciso aquele “clique”, que vale tanto como outro qualquer, para me fazer ir. E valeu bem a pena”, confessa, já que, “hoje em dia, ainda não encontrei palavras para descrever o quão gratificante e importante aquilo foi”.

São muitas as motivações, mas todas com fundos semelhantes: agradecer, louvar… e refletir. “Ser escoteira, católica, catequista, tudo isso foram fatores que me levaram a fazer isto”, diz a Catarina. “Andar sozinho foi uma das melhores partes da peregrinação. Sou uma pessoa introvertida, e acabou por ser bom fugir da rotina do dia-a-dia e caminhar pela natureza e estar sozinho com Deus. O silêncio conseguia levar-me a pensar em coisas que ao longo do dia-a-dia não pensamos ou não damos importância. Naquele momento fazemos uma retrospetiva do que nos aconteceu e que nos poderá acontecer, e acaba por ser uma das fases muito boas” do caminho, conta Paulo Sérgio.

Para a Catarina, a possibilidade de reflexão pessoal é também um dos pontos fortes do caminho. “Querer ir refletir, pensar muito sobre nós próprios, sairmos do nosso dia-a-dia e termos um tempo só para nós, que é muito útil. Nem sempre é possível na nossa vida pensarmos no que queremos fazer, e ali conseguimos isso”, diz a Catarina.

A peregrinação a pé de ambos os jovens durou cinco dias. Um tempo que deu “para tudo”, já que, ao caminho individual, se juntam momentos de reflexão em grupo ao final do dia ou nas paragens, orações em conjunto durante o caminho, tudo orientado por sacerdotes ou dinâmicas que ajudam a direcionar a reflexão.

Tudo isto… e selfies. “Ia colocando fotos do caminho no Facebook, os meus amigos iam colocando likes e as pessoas mais velhas iam deixando comentários e pedindo para rezar por elas também”, conta Catarina, para quem estas fotos e esta dinâmica de partilha do caminho nas redes sociais é uma ferramenta de evangelização. “Acaba por servir como evangelização, porque me veem a mim no meu caminho, a mostrar que a peregrinação não é uma seca, ou uma coisa em que estamos a rezar não sei quantos dias seguidos quase por obrigação. Há momentos para tudo, e foi uma forma de mostrar que, ali, estava contente e alegre, a viver aquele momento de fé. Tenho orgulho da minha fé, e não a devo esconder”, referiu.

Mesmo que, como lhe aconteceu, muitos dos seus amigos não compreendam estas «loucuras». “Nem todos os meus amigos compreendem o que fiz. Muitos chamaram-me maluca, principalmente quem está mais afastado da Igreja ou do escotismo, perguntaram-me que raio ia eu fazer a Fátima, ainda por cima a pé”, diz, entre risos.

Suor, lágrimas… e Fátima no horizonte

Depois de todo o caminho, a ânsia maior é pela chegada a Fátima. A última etapa da peregrinação é também a mais emotiva. “A chegada é o culminar de cinco dias de vivência e preparação. Vamos com uma ideia do que irá acontecer, mas o momento só pode ser compreendido por quem faz e o experimenta, porque é uma coisa única. Eu não sou muito emotivo, mas as lágrimas acabaram por me escorrer pela face”, reconhece o Paulo, meio envergonhado. A Catarina é bem mais expansiva. “Quando chegamos parece que há um sentimento de realização que se apodera de nós e todo o cansaço é esquecido. A primeira coisa que fazemos é ir à estátua do Sagrado Coração de Jesus que está no centro do santuário, porque é a imagem principal dos peregrinos e ia ao encontro do tema do grupo que era “Com Maria ao encontro de Jesus”, e por isso é essa a nossa primeira passagem. Entramos por uma das laterais, vamos diretos à estátua, paramos durante algum tempo, refletimos, agradecemos, choramos, caiu-me tudo e senti-me muito mais aliviada”, recorda.

O alívio surge depois do sacrifício de cinco dias a caminhar, majoritariamente por estradas de alcatrão, à chuva e ao sol, a uma média de mais de 20 km por dia. “O primeiro dia correu-me muito bem, mas ao segundo dia eu já estava a dizer que ia desistir, porque sentia o corpo num estado de exaustão nunca visto”, diz o Paulo. A Catarina sentiu menos o esforço, já que uns meses antes tinha ido com os escoteiros a Santiago de Compostela, mas reconhece os benefícios espirituais do esforço físico. “O sacrifício ajuda muito à reflexão, porque pensamos sempre que não somos capazes, mas depois vemos que somos capazes de nos superarmos a nós mesmos, e se o conseguimos fazer no corpo, conseguimos em tudo o resto da nossa vida”, afirma. O Paulo conta que, na sua peregrinação, foram também as palavras que moldaram a mente e ajudaram o corpo. “Por norma, o Pe. Carlos Azevedo costuma ir celebrar missa ao final do dia, e as palavras dele inspiraram-me e deram-me uma força que me permitiu no dia a seguir levantar-me sem dores, parecia um passarinho de tão leve”, brinca.

Depois de tudo, para além das reflexões individuais e do agradecimento a Nossa Senhora, ficam as amizades que se constroem no caminho. “No final ficamos todos muito amigos, e as redes sociais ajudam a manter o contacto. Para além disso, temos um terço mensal que costumamos organizar em casa dos peregrinos que foram na peregrinação”, conta a Catarina. “As partilhas entre pessoas que não se conhecem de lado nenhum e que criam uma grande ligação não se explicam, simplesmente acontecem. É mesmo isso que para mim significa fazer este caminho», diz o Paulo, que mudou completamente a perspetiva que tinha do caminho enquanto membro do staff de apoio aos peregrinos.

Por: Ricardo Perna
Fonte: Aleteia

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