Papa: Não ceder ao orgulho que alimenta violência e guerras

Papa: Não ceder ao orgulho que alimenta violência e guerras

urbi_et_orbiO Papa Francisco presidiu neste Domingo de Páscoa (05/04), no adro da Basílica de São Pedro, a solene celebração Eucarística da Ressurreição do Senhor.

Não obstante a chuva, foi grande a participação de fiéis na missa pascal celebrada pelo pontífice.

Após a celebração, Francisco se dirigiu ao balcão central da Basílica Vaticana de onde dirigiu aos milhares de fiéis, presentes na Praça São Pedro, suas felicitações de Santa Páscoa e concedeu a Bênção “Urbi et Orbi” à Cidade de Roma e ao mundo inteiro.

“O amor venceu o ódio, a vida venceu a morte, a luz afugentou as trevas! Com a sua morte e ressurreição, Jesus indica a todos o caminho da vida e da felicidade: este caminho é a humildade, que inclui a humilhação. Para entrar no mistério, é preciso «inclinar-se», abaixar-se. Somente quem se abaixa compreende a glorificação de Jesus e pode segui-Lo na sua estrada”, disse Francisco na Mensagem “Urbi et Orbi” proferida neste Domingo de Páscoa.

O Papa disse ainda que “do Senhor ressuscitado imploramos a graça de não cedermos ao orgulho que alimenta a violência e as guerras, mas termos a coragem humilde do perdão e da paz”.

A seguir, Francisco pediu a paz para as nações que estão em conflito:

“Pedimos paz, antes de tudo, para a Síria e o Iraque, para que cesse o fragor das armas e se restabeleça a boa convivência entre os diferentes grupos que compõem estes amados países. Que a comunidade internacional não permaneça inerte perante a imensa tragédia humanitária no interior destes países e o drama dos numerosos refugiados.”

Pediu a paz para os habitantes da Terra Santa, Líbia, Iêmen, Ucrânia e confiou ao Senhor o acordo alcançado nesses dias em Lausanne, a fim de que seja um passo definitivo para um mundo mais seguro e fraterno.

“Do Senhor Ressuscitado imploramos o dom da paz para a Nigéria, o Sudão do Sul e as várias regiões do Sudão e da República Democrática do Congo. De todas as pessoas de boa vontade se eleve incessante oração por aqueles que perderam a vida – penso de modo particular aos jovens mortos na quinta-feira passada numa Universidade de Garissa, no Quênia -, por quantos foram raptados, por quem teve de abandonar a própria casa e os seus entes queridos.”

Francisco pediu paz e liberdade para todos aqueles que estão sujeitos a formas novas e antigas de escravidão, recordou as vítimas dos traficantes de droga e pediu paz para este mundo sujeito aos traficantes de armas. O Santo Padre recordou ainda os marginalizados, os encarcerados, os pobres, migrantes, os doentes e atribulados, as crianças, especialmente as vítimas de violência; e os que estão hoje de luto.

No final da mensagem o pontífice desejou a todos uma Feliz Páscoa. “Levem para suas casas e às pessoas que encontrarem o alegre anúncio de que o Senhor da vida ressuscitou, trazendo consigo amor, justiça, respeito e perdão!”, concluiu.

Fonte: Rádio Vaticano

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Páscoa, festa da Ressurreição de Cristo

Páscoa, festa da Ressurreição de Cristo

“Com a sua morte destruiu a morte e com sua Ressurreição deu-nos a vida.”

Jesus Ressuscitado (3)A Páscoa já era celebrada solenemente pelo povo judeu desde Moisés, para comemorar a passagem do Mar Vermelho, onde sucumbiram as forças do Faraó que perseguia o povo de Deus. Foi a passagem da escravidão do Egito para a liberdade da Terra Prometida por Deus a Abraão. Por isso os judeus a celebravam, e ainda celebram solenemente.

Cristo celebrava a Páscoa como bom judeu, fiel às Sagradas Escrituras, e celebrou-a juntamente com os seus Apóstolos na Última Ceia, onde nos deixou o memorial da sua Paixão: a Eucaristia.

A Páscoa cristã, que tem as sua imagem na dos judeus, é a celebração da Ressurreição de Cristo, a vitória da Vida sobre a morte, o triunfo da graça sobre o pecado, da luz sobre as trevas. Cristo desceu à mansão da morte para destruir a morte. “Com a sua morte destruiu a morte e com sua Ressurreição deu-nos a vida.”

Esta é a alegria e a esperança cristã. O verdadeiro cristão jamais se dá por vencido porque sabe que já é vitorioso Naquele que venceu a morte.

Cada criança ao ser batizada participa desta Morte e da mesma Ressurreição de Cristo; é regenerada; e vive uma vida nova na liberdade dos filhos de Deus.

Jesus, sendo Deus e Homem ao mesmo tempo, trazendo em si de modo harmonioso as duas naturezas, pôde morrer como homem e oferecer á Justiça divina, como Deus, um sacrifício de valor Infinito, e assim pôde conquistar para todos os homens de todos os lugares e de todos os tempos, o resgate do pecado e da morte.

Após a Ressurreição Jesus instituiu no mesmo domingo desta, o Sacramento do perdão, a Confissão; na verdade Ele estava ansioso para distribuir aos homens o perdão que Ele haveria de conquistar com sua morte e Ressurreição; por isso no mesmo dia em que ressurgiu dos mortos Ele enviou os seus Apóstolos a perdoar aos pecados em seu Nome. “Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados, os pecados serão perdoados” (João 20,22).

Cristo ressuscitou e vive entre nós; isto é um fato histórico que os Evangelhos narram. São Paulo afirma na Carta aos Coríntios que “Ele apareceu para mais de quinhentos, dos quais muitos ainda são vivos”.

A verdade da Ressurreição de Cristo é que explica a força dos Apóstolos a saírem pelo mundo pregando Jesus vivo e presente entre eles. Nesta certeza eles enfrentaram o império romano e o tornaram cristão. Nesta certeza eles enfrentaram os dentes dos leões sob Nero, Dioclesiano, Vespasiano, Domiciano e outros imperadores que os massacraram. Foi na força da Ressurreição de Jesus que a Igreja sempre venceu todos os seus inimigos: as heresias, o comunismo, o nazismo, o ateísmo, o racionalismo, as perseguições terríveis da Revolução Francesa e as do século XX na Espanha e no México.

Acreditar que a Igreja chegou até nós com 2000 anos de vitórias, sem acreditar na Ressurreição de Cristo, seria acreditar num milagre maior do que a própria Ressurreição.

Cristo Ressuscitou e vive entre nós. Ele disse aos Apóstolos antes da Ascensão ao Céu: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”.

Coragem meu irmão, Jesus venceu a morte, venceu a dor, venceu o pecado … não tenha medo, porque Ele caminha conosco.

Feliz Páscoa!

Prof. Felipe Aquino

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Salve ó Cruz Libertadora, Fonte da Vida e da Paz!

Salve ó Cruz Libertadora, Fonte da Vida e da Paz!

cruzNa Sexta-Feira Santa somos convidados a beber do manancial da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e contemplar sua morte redentora. O fazemos não na tristeza ou no dolorismo de uma derrota, mas na confiança e serenidade da fecundidade do grão, da certeza que nos dá a esperança e na fidelidade misericordiosa do Pai às promessas.

Acompanhamos a São João para quem a Cruz é o trono e o troféu da vitória sobre o pecado e a morte, Jesus nos ama até o fim, consumando a perfeição o projeto de salvação do Pai da ternura e bondade. Mas este mistério não é apenas lembrado mas vivenciado e atualizado na Igreja que sofre, e nos milhares de crucificados de hoje. A Cruz de Cristo continua atraindo e abraçando a todas as pessoas injustiçadas, oprimidas, deixadas a margem da vida, continua sendo um sinal de conversão e apelo à consciência de autoridades políticas corrompidas e violentas, impulsionando o testemunho de tantos homens e mulheres de boa vontade que amparam e defendem os pobres compartilhando o seu destino e a sua sorte.

Longe de ser um símbolo de força dos poderosos que teriam apagado mais uma voz profética, é mostra clara e nítida do amor infinito, eterno, misericordioso de Um Deus que morre para nos dar vida em abundância. Nestes dias em que assistimos uma das perseguições mais cruéis e mais duras contra milhares de cristãos no mundo, e com apreensão nos deparamos com uma violência inusitada em nosso país que ceifa a vida prematuramente a multidões de jovens, somos convidados a olhar o Cordeiro Pascal manso e humilde de coração, transpassado cujo Sangue nos liberta e nos lava do ódio, da raiva, da indiferença e da cumplicidade com as estruturas da morte que continuam a reinar em muitos âmbitos a serviço do dinheiro e da ganância sem limites.

A paz brota do Coração aberto de Jesus na Cruz, pois só Ele é capaz de nos transformar em operadores da justiça restauradora do Reino que reconcilia e gera a verdadeira fraternidade, trazendo o perdão generoso do Pai a todas as pessoas e situações humanas. Deus seja louvado!

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

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A espiritualidade da Quinta-feira Santa

A espiritualidade da Quinta-feira Santa

Aqui começa o Tríduo Pascal, a preparação para a grande celebração da Páscoa, a vitória de Jesus Cristo sobre a morte, o pecado, o sofrimento e o inferno

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Este é o dia em que a Igreja celebra a instituição dos grandes sacramentos da ordem e da Eucaristia. Jesus é o grande e eterno Sacerdote, mas quis precisar de ministros sagrados, retirados do meio do povo, para levar ao mundo a salvação que Ele conquistou com a Sua Morte e Ressurreição.

Jesus desejou ardentemente celebrar aquela hora: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa antes de sofrer.” (Lc 22,15).

Na celebração da Páscoa, após instituir o sacramento da Eucaristia, ele disse aos discípulos: “Fazei isto em memória de Mim”. Com essas palavras, Ele instituiu o sacerdócio cristão: “Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribuí-o entre vós. Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.” (cf. Lc 22,17-19)

Na noite em que foi traído, mais Ele nos amou, pois bebeu o cálice da Paixão até a última e amarga gota. São João disse que “antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou.” (Jo 13,1)

Depois que Jesus passou por toda a terrível Paixão e Morte de Cruz, ninguém mais tem o direito de duvidar do amor de Deus por cada pessoa.

Aos mesmos discípulos ele vai dizer, depois, no Domingo da Ressurreição: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20,23). Estava, assim, instituída também a sagrada confissão, o sacramento da penitência; o perdão dos pecados dos homens que Ele tinha acabado de conquistar com o Seu Sangue.

Na noite da Ceia Pascal, o Senhor lavou os pés dos discípulos, fez esse gesto marcante, que era realizado pelos servos, para mostrar que, no Seu Reino, “o último será o primeiro”, e que o cristão deve ter como meta servir e não ser servido. Quem não vive para servir não serve para viver; quem não vive para servir não é feliz, porque a autêntica felicidade o tempo não apaga, as crises não destroem e o vento não leva; ela nasce do serviço ao outro, desinteressadamente.

Nessa mesma noite, Jesus fez várias promessas importantíssimas à Igreja que instituiu sobre Pedro e os apóstolos. Prometeu-lhes o Espírito Santo, e a garantia de que ela seria guiada por Ele a “toda a verdade”. Sem isso, a Igreja não poderia guardar intacto o “depósito da fé”, que São Paulo chamou de “sã doutrina”. Sem a assistência permanente do Espírito Santo, desde Pentecostes, ela não poderia ter chegado até hoje e não poderia cumprir sua missão de levar a salvação a todos os homens de todas as nações.

”E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós.” (Jo 14, 16-17).

Que promessa maravilhosa! O Espírito da Verdade permanecerá convosco e em vós. Como pode alguém ter a coragem de dizer que, um dia, a Igreja errou o caminho? Seria preciso que o Espírito da Verdade a tivesse abandonado.

”Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito.” (Jo 14, 25-26)

Na Última Ceia, o Senhor deixou à Igreja essa grande promessa: O Espírito Santo “ensinar-vos-á todas as coisas”. É por isso que São Paulo disse a Timóteo que “a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3, 15). Quem desafiar a verdade de doutrina e de fé, ensinada pela Igreja, vai escorregar pelas trevas do erro.

E, na mesma Santa Ceia, o Senhor lhes diz: “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade…” (Jo 16, 12-13)

Jesus sabia que aqueles homens simples não tinham condições de compreender toda a teologia cristã; mas lhes assegura que o Paráclito lhes ensinaria tudo, ao longo do tempo, até os nossos dias de hoje. E o Sagrado Magistério dirigido pelo Papa continua assistido pelo Espírito de Jesus.

São essas promessas, feitas à Igreja na Santa Ceia, que dão a ela a estabilidade e a infalibilidade em matéria de fé e costumes. Portanto, não só o Senhor instituiu os sacramentos da Eucaristia e da ordem, na Santa Ceia, mas colocou as bases para a firmeza permanente da Sua Igreja. Assim, Ele concluiu a obra que o Pai Lhe confiou, antes de consumar Sua missão na cruz.

Por: Prof. Felipe Aquino

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Audiência: a vida não termina na pedra de um sepulcro. Vai além

Nesta Semana Santa, o Papa acolheu milhares de peregrinos, na Praça S. Pedro, para a Audiência Geral desta quarta-feira (1º/04).

Catequese 0104Francisco dedicou sua catequese ao Tríduo Pascal, que tem início na Quinta-Feira Santa com a Santa Missa da Ceia do Senhor.

O Evangelho desta celebração, com o rito do lava-pés, expressa o significado da Eucaristia como serviço a Deus e aos irmãos: o Filho do homem, de fato, não veio para ser servido, mas para servir. “Se não nos aproximamos da santa Comunhão sem estar sinceramente dispostos a lavar os pés uns dos outros, não reconhecemos o Corpo do Senhor”, disse o Papa.

Adoração da Cruz

Já na liturgia da Sexta-feira Santa, meditamos o mistério da morte de Cristo e adoramos a Cruz. Nos últimos instantes de vida, Jesus disse: “Está consumado!”. Isso significa que a obra de salvação foi realizada, explicou o Papa. Com o seu sacrifício, Jesus transformou a maior injustiça em amor maior.

No decorrer dos séculos, homens e mulheres refletiram um raio deste amor perfeito, pleno e puro, acrescentou Francisco, citando como exemplo o “testemunho heroico” do sacerdote italiano Andrea Santoro, assassinado na Turquia em 2006. Também hoje, disse ele, há tantos homens e mulheres que são verdadeiros mártires que oferecem sua vida com Jesus para professar a fé.

“É um serviço, o serviço do testemunho cristão até o sangue. Serviço que nos fez Cristo. Este é o significado da expressão ‘está consumado’. Que belo será que todos nós, no final de nossa vida, com nossos erros, nossos pecados, com nossas boas obras, com nosso amor ao próximo, possamos dizer ao Pai: ‘Está consumado’. Certamente, não com a perfeição de Cristo, mas: “Senhor, fiz tudo o que pude”. Adorando a Cruz, olhando Jesus, pensemos no amor, no serviço, na nossa vida, nos mártires cristãos e nos fará bem pensar no final da nossa vida. Ninguém de nós sabe quando isso vai acontecer, mas podemos pedir a graça de poder dizer: Pai, fiz o que pude. Está consumado.”

Repouso de Cristo

O Sábado Santo é o dia em que a Igreja contempla o “repouso” de Cristo no túmulo depois do combate da cruz. Neste dia, a Igreja, mais uma vez, se identifica com Maria. Na escuridão que envolve a criação, Ela permanece só a manter a chama da fé acesa, esperando contra toda a esperança na Ressurreição de Cristo.

Além do sepulcro

Na grande Vigília Pascal, em que ressoa novamente o Aleluia, celebramos Cristo Ressuscitado. “Às vezes, disse o Papa, a escuridão da noite parece envolver a alma e pensamos: «Tanto…já não há nada a fazer!» E o coração sente-se sem forças para amar. Mas justamente naquela escuridão, Cristo acende o fogo do amor de Deus: uma centelha rompe a obscuridade e anuncia um início. A pedra da dor é abatida, deixando espaço à esperança. Eis o grande mistério da Páscoa!”

Cristo venceu a morte e nós, com Ele, destacou Francisco. “Nossa vida não termina na pedra de um sepulcro, ela vai além, com a esperança. Como cristãos, somos chamados a ser sentinelas da manhã.”

O Papa então exortou os fiéis: “Queridos irmãos e irmãs, nesses dias do Tríduo Sagrado, não nos limitemos a celebrar a paixão do Senhor, mas entremos no mistério, façamos nossos os seus sentimentos, as suas atitudes. Assim, a nossa será uma “feliz Páscoa”.

Fonte: Rádio Vaticano

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Domingo de Ramos: não existe humildade sem humilhação

domingo de ramos PapaNão existe humildade sem humilhação: no dia em que a Igreja celebra o Domingo de Ramos, que marca o início da Semana Santa, o Papa Francisco presidiu à celebração eucarística na Praça S. Pedro, com a participação de milhares de fiéis.

A cerimônia teve início com a bênção dos ramos, seguida da procissão. Os ramos recordam a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. E no centro desta celebração tão festiva, disse o Papa em sua homilia, está a palavra contida no hino da Carta aos Filipenses: “Humilhou-Se a Si mesmo”.

O caminho da humildade

Para Francisco, esta palavra desvenda o estilo de Deus e do cristão: a humildade. “Um estilo que nunca deixará de nos surpreender e pôr em crise: jamais nos habituaremos a um Deus humilde! Humilhar-se é, antes de mais nada, o estilo de Deus: Deus humilha-Se para caminhar com o seu povo, para suportar as suas infidelidades.”

Esta Semana que nos leva à Páscoa, acrescentou o Pontífice, só será Santa se caminharmos por esta estrada da humilhação de Jesus. Nestes dias, ouviremos o desprezo dos chefes do seu povo e as suas intrigas para O fazerem cair. Assistiremos à traição de Judas. Veremos o Senhor ser preso, condenado à morte, flagelado e ultrajado. Ouviremos que Pedro, a “rocha” dos discípulos, O negará três vezes. Ouviremos os gritos da multidão, que pedirá a Sua crucificação. E O veremos coroado de espinhos.

“Este é o caminho de Deus, o caminho da humildade. É a estrada de Jesus; não há outra. E não existe humildade sem humilhação”, destacou o Papa, explicando que humildade quer dizer serviço, significa dar espaço a Deus despojando-se de si mesmo, “esvaziando-se”. “Esta é a maior humilhação.”

O caminho do mundanismo

Contudo, frisou Francisco, há outro caminho, contrário ao de Cristo: o mundanismo.

“O mundanismo oferece-nos o caminho da vaidade, do orgulho, do sucesso… É o outro caminho. O maligno o propôs também a Jesus, durante os quarenta dias no deserto. Mas Ele rejeitou-o sem hesitação. E, com Cristo, também nós podemos vencer esta tentação, não só nas grandes ocasiões mas também nas circunstâncias ordinárias da vida.”

O Papa deu o exemplo de tantos homens e mulheres que cada dia, no silêncio e escondidos, renunciam a si mesmos para servir os outros: um familiar doente, um idoso sozinho, uma pessoa deficiente, um sem-teto. E citou ainda a humilhação daquelas pessoas que, por sua conduta fiel ao Evangelho, são discriminadas e perseguidas, definindo-as os mártires de hoje, pois suportam com dignidade insultos e ultrajes para não renegar Jesus.

“Durante esta semana, emboquemos também nós decididamente esta estrada, com tanto amor por Ele, o nosso Senhor e Salvador. Será o amor a guiar-nos e a dar-nos força. E, onde Ele estiver, estaremos também nós.”

Fonte: Rádio Vaticano

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Jornada Arquidiocesana da Juventude supera expectativa de público

Jornada Arquidiocesana da Juventude supera expectativa de público

Missa79No dia 28 de março, todos os caminhos levaram a juventude da Arquidiocese para um único lugar: Paróquia São Cristóvão, bairro Cordeiros, em Itajaí. Local escolhido para a Jornada Arquidiocesana da Juventude que terminou com gostinho de quero mais.

Juventude é vida, segundo palavras do Arcebispo durante o evento. No bate papo com a juventude, Dom Wilson falou que espera dos jovens da Arquidiocese que “sejam de Cristo, vivam como Igreja e caminhemos juntos”. Organizado pelo Setor Juventude, da Arquidiocese, reuniu 1.200 jovens de 13 municípios. As Novas Comunidades estiveram presentes com estandes vocacionais.

A banda Ministério Glória Eterna, de Florianópolis, abriu o evento. Em seguida, bênção e procissão de Ramos, com Missa presidida pelo Arcebispo Dom Wilson Tadeu Jönck, scj, e concelebrada por padres da Arquidiocese. Na sequência, a animação continuou com Amados do Eterno, de Camboriú, e bate-papo do Arcebispo com os jovens.

“Este evento foi importante para criar união entre os diversos ministérios, movimentos e comunidades. Para viver em unidade com Cristo, louvando ao Senhor de um modo santo”, afirmou Juliana Pereira, 29, da Comunidade Transfiguração, de Itajaí.

Um dos momentos mais fortes da Jornada Arquidiocesana da Juventude foi adoração ao Santíssimo Sacramento. “Achei que os jovens que vieram estão aproveitando bastante. Deveriam ter mais eventos destes, pois fortalece a caminhada”, constatou a jovem Janaina Elenir Marcelino, da Paróquia de Paulo Lopes.

Kamila Neves, 18 anos, da Paróquia Senhor Bom Jesus, de Camboriú, vê “como a juventude da nossa Arquidiocese é grande. Mesmo com chuva estão aqui, é forte”.

O cantor Diego Fernandes encerrou o evento e levou os participantes a total animação. “Foi maravilhoso, o horário ótimo, programação bem elaborada, conheci todas as expressões jovens diferentes, pessoal rezando junto, a expressão da Igreja e da juventude estavam aqui. A presença do bispo, o jeito que ele nos trata, nos impulsiona a continuar a ser de Deus”, expressou Jéssica Alves Jeremias, da Paróquia Santa Cruz, de São José.

O coordendador do Setor Juventude, João Augusto de Farias, destacou “que o evento superou as expectativas e reacendeu em nossos jovens, a chama do primeiro Amor. De agora para frente, vamos nos empenhar mais para manter a unidade entre as mais diferentes expressões”.

O próximo evento será um encontro formativo nos dias 06, 07 e 08 de junho, no Centro de Evangelização Angelino Rosa, em Governador Celso Ramos.

 

Desde 1986, por instituição do então Papa São João Paulo II, a Igreja celebra no Domingo de Ramos, o Dia Mundial da Juventude. Todas as dioceses do mundo são chamadas a organizar uma concentração com os jovens das paróquias, movimentos, pastorais e novas comunidades da região, a fim de realizar as Jornadas Diocesanas da Juventude.

As jornadas diocesanas e arquidiocesanas acontecem nos anos em que não há Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que acontece a cada três anos.

Em 2013, a Igreja no Brasil sediou entre os dias 23 a 28 de julho, no Rio de Janeiro, a Jornada Mundial da Juventude que acolheu aproximadamente 4,5 milhões de jovens dos mais diversos países. A próxima JMJ será em Cracóvia, em 2016.

Fonte: Arquidiocese de Florianópolis

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Domingos de Ramos e da Paixão do Senhor

Domingos de Ramos e da Paixão do Senhor

As testemunhas da Paixão

domingo-de-ramos20130324-0007-size-598No ciclo do Ano litúrgico B a Liturgia proclama no Domingo de Ramos e da Paixão a narração da Paixão de Jesus segundo Marcos. Ela distingue-se pelas testemunhas oculares da Paixão. São cinco vezes três testemunhas (cf. Mc 14,1-15,47). A narração da Paixão como tal é precedida, na forma mais longa, pela unção na casa de Simão, a última Ceia, a agonia no Getsêmani, a prisão de Jesus e a negação de Pedro.

A história da Paixão e Morte de Jesus Cristo não é algo distante ou sem interesse. Toda a humanidade e cada indivíduo estão envolvidos nela, dela participam de alguma maneira e dela são chamados a darem testemunho.

Cada pessoa humana pode representar a mulher que tinge o corpo de Jesus, praticando uma obra boa, merecendo sua ação ser recordada onde se proclame o Evangelho (cf. Mc 14,9). Poderá exercer o papel de Judas que se desespera ou o de Pedro que nega o Mestre, mas se deixa atingir pelo olhar misericordioso de Cristo (cf. 14,72). Pode acontecer que façamos o papel de Pedro, Tiago e João. Em vez de vigiarem, adormecem enquanto o Mestre sofre a agonia da sua hora. Seremos talvez, em certas circunstâncias da vida, as testemunhas falsas, os sumos sacerdotes, os anciãos e os escribas,
que não reconhecem nele o Filho de Deus bendito nem o Filho do Homem que verão sentado à direita do Poderoso. Quantas vezes, em vez de ungir o corpo do Senhor, n’Ele cuspimos, cobrimos-lhe o rosto e o esbofeteamos como se não o conhecêssemos.

De repente se manifesta em nós a figura de Pilatos. Ficamos impressionados com a figura de Jesus Cristo, mas, por covardia, acabamos por condená-lo. Seremos ainda o povo, preferindo Barrabás a Cristo. Quantas vezes a humanidade cobre o Filho do Homem de zombarias como os carrascos no interior do pátio do Pretório, não reconhecendo n’Ele o Filho de Deus. Por vezes, talvez contra a vontade, fazemos o papel de Simão Cireneu, ajudando a carregar a cruz de Cristo, pesando nos ombros da humanidade injustiçada e sofrida hoje. Em vez de água, oferecemos-lhe vinho com mirra.

Cada pessoa já terá sentido em si o conflito entre o personagem que faz o Cristo sofrer mais e aquele que se solidariza e procura aliviar os seus sofrimentos. Importa que no Filho do Homem, em cada pessoa humana, reconheçamos como o Centurião: “De fato, este homem era Filho de Deus”. Importa que permaneçamos com o Cristo mesmo no alto da cruz como aquelas mulheres fiéis e corajosas, que prestemos o serviço ao corpo morto de Cristo, como José de Arimatéia, para que, ungido, possa nascer nova vida da terra.

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Oficial: Papa encontrará Obama em 23 de setembro

papa e obamaO porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, confirmou quinta-feira, 26, que o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e sua esposa, Michelle, receberão o Papa Francisco na Casa Branca em 23 de setembro, durante a visita do Pontífice ao país.

Segundo antecipado, Obama espera dar continuidade no encontro ao diálogo iniciado com o Papa quando esteve no Vaticano em março de 2014. Na agenda do Presidente, os “valores e compromissos compartilhados” em uma ampla gama de temas, incluindo a atenção aos marginalizados e aos pobres, a proteção das minorias religiosas e da liberdade religiosa no mundo, assim como a integração dos imigrantes e refugiados e o cuidado com o meio-ambiente.

Em sua visita ao Vaticano no ano passado, Obama informou Francisco sobre as negociações secretas iniciadas em meados de 2013 entre as delegações dos Estados Unidos e de Cuba para uma aproximação.

O Pontífice desempenhou um papel fundamental no processo de normalização das relações entre os dois países, como reconheceram em dezembro Obama e o Presidente cubano, Raúl Castro, ao anunciar, em dezembro, o acordo histórico para a restauração das relações diplomáticas bilaterais, que estavam rompidas desde 1961.

Durante sua visita aos Estados Unidos, haverá ainda outro acontecimento inédito: na capital, o Pontífice discursará no Congresso em uma sessão conjunta das duas câmaras programada para 24 de setembro. Ainda em Washington, Francisco deve canonizar o missionário espanhol Junípero Serra, fundador de várias missões na Califórnia.

Está também programada uma passagem por Nova York, à sede das Nações Unidas, na Assembleia Geral, e principalmente a participação no Encontro Mundial das Famílias (22 a 27 de setembro), em Filadélfia, o fulcro da viagem.

Fonte: Rádio Vaticano

Audiência geral: “Crianças nos ensinam a sorrir e a chorar”

Milhares de pessoas participaram na manhã desta quarta-feira, 18, da audiência geral. O sol reapareceu após dias de chuva e o público lotou a Praça São Pedro para ver o Papa e ouvir suas palavras. Depois do tradicional giro de jipe para cumprimentar os fiéis de perto, Francisco se dirigiu ao adro diante da Basílica para proferir a catequese, anunciando seu tema: ‘as crianças, dom para a Humanidade’. E acrescentou, improvisando: “São também as grandes excluídas, pois às vezes nem as fazem nascer”.

Atenção da sociedade às crianças

cateq 1“Uma sociedade se julga pelo modo em que trata suas crianças, se é livre ou escrava de interesses internacionais”, iniciou o Papa, afirmando que “Deus não tem dificuldade em se explicar às crianças, e elas não têm problemas em entender Deus”. Francisco explicou que o termo ‘pequenos’ indica todas as pessoas que dependem da ajuda e dos cuidados de outros, e citou dois trechos do Evangelho de Mateus que ilustram como as crianças são “uma riqueza para a humanidade e para a Igreja”.

“Elas nos lembram constantemente que a condição necessária para ingressar no Reino de Deus é não se considerar autossuficientes, mas sempre necessitados de ajuda, de amor e de perdão; todos precisamos disto”.

Todos somos filhos

O Pontífice tocou ainda outro ponto: “as crianças nos lembram que somos sempre filhos”, independentemente de nossa idade, de nossa situação, de nossa condição social; somos sempre “radicalmente dependentes”, visto que nós não “nos demos a vida, mas a recebemos. O grande dom da vida é o primeiro presente que recebemos”.

Dentre as riquezas que as crianças oferecem à Humanidade, Francisco citou “o seu modo de ver a realidade, com confiança e pureza”: elas confiam sempre, espontaneamente, na mãe e no pai, em Jesus e Maria, pois dentro de si não são ainda contaminadas, não são ‘calejadas’, não têm o coração endurecido. “As crianças guardam pureza e simplicidade interior”, disse o Papa, completando. “As crianças não são diplomáticas. Dizem o que sentem e veem, não têm duas ‘caras’”.

A ternura infantil

Além disso, as crianças são portadoras da capacidade de receber e de dar ternura: ternura é ter um coração de carne e não de pedra; é poesia, é ‘sentir’ as coisas e os eventos e não tratá-los como simples objetos a serem usados.

Falsidade dos adultos

Crianças também possuem a capacidade de sorrir e de chorar. “Algumas, quando me veem sorriem; outras choram, porque pensam que eu, vestido de branco, sou o médico que veio para lhes dar a vacina. Nós adultos temos que aprender de novo a sorrir e a chorar, e a nos questionar sobre isso. São duas coisas que nos ‘paralisam’”.

Então, prosseguiu o Papa, “é por isso que Jesus nos convida a sermos como crianças, porque “o Reino dos céus é delas e de quem se parece com elas”. Concluindo, Francisco deduziu que “as crianças trazem alegria, esperança; certamente acarretam preocupações e por vezes, problemas, mas é melhor uma sociedade preocupada e problemática do que uma sociedade triste e cinzenta, sem crianças!”.

“Quando vemos que o índice de natalidade de uma sociedade é de 1%, significa que ela é triste e cinza”, terminou.

Antes de se despedir, o Papa concedeu a todos a sua benção.

Fonte: Rádio Vaticano

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