Viva Floripa – uma caminhada em favor da vida

Viva Floripa – uma caminhada em favor da vida

A terceira edição do Viva Floripa ocorre no dia 08 de outubro, das 09h às 12h. A caminhada tem início no Largo São João Paulo II, na frente da Catedral, e segue pelas ruas Tenente Silveira e Esteves Junior, até a Beira Mar Norte, com um trio elétrico e muitas pessoas na conscientização em defesa da vida. A expectativa é que participem mais de duas mil pessoas.

A iniciativa é da Comissão Vida e Família da Arquidiocese. Nos anos anteriores, o evento era realizado no Largo São João Paulo II. Neste ano, a comissão optou por uma caminhada a favor da vida, pelas ruas de Florianópolis. Durante o trajeto haverá paradas para testemunhos, breves reflexões sobre o tema da vida, músicas e orações.

Participe deste dia em favor da vida.

Participação de uma ex feminista no evento

Sara Winter é ex feminista, ex esquerdista, foi fundadora e líder do FEMEN no Brasil e um dos maiores símbolos do feminismo extremista da atualidade.

Ela é autora do livro “VADIA, NÃO!” e luta a favor da vida com posicionamentos em relação a temas tão afins com o movimento feminista, como o aborto e a saúde reprodutiva. “Aborto não é um direito, é uma violência. As feministas da primeira onda nunca defenderam o aborto. Considerar matar um bebê como direito não é uma demanda das mulheres, é uma demanda de organizações internacionais as quais cada vez mais perdem financiamento dos governos”, alerta Sara Winter.

Atualmente é mãe de um menino, escritora, palestrante e luta contra a inversão de valores na sociedade.

Vídeo de Sara convidando para o Viva Floripa: https://www.youtube.com/watch?v=Bx-f7GiOGQs

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Santa Maria Faustina Kowalska, Apóstola da Divina Misericórdia!

Santa Maria Faustina Kowalska, Apóstola da Divina Misericórdia!

Irmã Maria Faustina, Apóstola da Divina Misericórdia, forma parte do círculo de Santos da Igreja mais conhecidos.

Helena_Kowalska-Divina-misericórdiaAtravés dela o Senhor Jesus transmite ao mundo a grande mensagem da Divina Misericórdia e apresenta o modelo da perfeição cristã apoiada sobre a confiança em Deus e a atitude de caridade para o próximo.

Nasceu em 25 de agosto de 1905 como a terceira filha entre dez irmãos na família de Mariana e Estanislao Kowalski, camponeses da aldeia de Glogowiec. No Santo Batismo, celebrado na igreja paroquial de Swinice Warckie, lhe impôs o nome da Elena. Desde pequena se destacou pelo amor à oração, a laboriosidade, a obediência e uma grande sensibilidade diante da pobreza humana. Aos 9 anos recebeu a Primeira Comunhão. Viveu-a muito profundamente, consciente da presença do Hóspede Divino em sua alma. Sua educação escolar durou apenas três anos. Ao fazer 16 anos abandonou a casa familiar para que, trabalhando de empregada doméstica em casas de famílias abastadas, deo Aleksandrów, £ódz e Ostrówek, conseguisse manter-se e ajudar aos pais.

Já com 7 anos  sentia em sua alma o chamado à vida religiosa, mas com a negativa dos pais para sua entrada no convento, tentou apagar dentro de si a voz da vocação divina. Entretanto, apressada pela visão de Cristo sofredor foi a Varsóvia e ali, em 1 de agosto de 1925 entrou na Congregação das Irmãs da Mãe de Deus da Misericórdia onde, como irmã Maria Faustina, viveu treze anos. Trabalhou em distintas casas da Congregação. Passou longos períodos em Cracóvia, Plock e Wilno cumprindo os deveres de cozinheira, jardineira e porteira.

Para quem a observava de fora nada percebia de sua singular intensa vida mística. Cumpria seus deveres com ardor, observava fielmente todas as regras do convento, era recolhida e calada, mas ao mesmo tempo natural, cheia de amor benévolo ao próximo. Sua vida, aparentemente ordinária, monótona e cinza, caracterizou-se pela extraordinária profundidade de sua união com Deus.

Diário-Santa-Faustina_DivinaMisericórdiaSua espiritualidade se apóia no mistério da Divina Misericórdia, que ela meditava na Palavra de Deus e contemplava no cotidiano de sua vida. O conhecimento e a contemplação do mistério da Divina Misericórdia desenvolviam nela uma atitude de confiança de criança para Deus e a caridade para o próximo. “Ó meu Jesus, —cada um de Vossos santos reflete em si uma das Vossas virtudes; eu desejo refletir o Vosso Coração compassivo e cheio de misericórdia, quero glorificá-Lo. Que a Vossa misericórdia, Ó Jesus, fique gravada no meu coração e na minha alma como um selo, e isto será a minha distinção nesta e na outra vida“, (Diário, 1242). Irmã Faustina era uma fiel filha da Igreja a que amava como a Mãe e como o Corpo Místico do Jesus Cristo. Consciente de seu papel na Igreja, colaborou com a Divina Misericórdia na obra de salvar às almas perdidas. Com este propósito se ofereceu como vítima cumprindo o desejo do Senhor Jesus e seguindo seu exemplo. Sua vida espiritual se caracterizou pelo amor à Eucaristia e por uma profunda devoção à Mãe da Divina Misericórdia.

Os anos de sua vida no convento abundaram em graças extraordinárias: revelações, visões, estigmas ocultos, a participação na Paixão do Senhor, o dom de bilocação, os dons de ler nas almas humanas, de profecia e de esponsais místicos. Um contato vivo com Deus, com a Santíssima Mãe, com anjos, Santos e almas do purgatório: todo mundo extraordinário não era para ela menos real que o mundo que percebia através dos sentidos. Cheia de tantas graças extraordinárias sábia, entretanto, que não são estas as que determinam a santidade. No Diárioescreveu: “Nem graças, nem aparições, nem êxtases, ou qualquer outro dom que lhe seja concedido, torna a alma perfeita, mas sim a união íntima com Deus. Esses dons são apenas o adorno da alma, mas não constituem a essência nem a perfeição. A minha santidade e perfeição consiste em uma estreita união de minha vontade com a vontade de Deus“, (Diário, 1107).

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O Senhor Jesus escolheu a irmã Faustina por secretária e apóstola de sua misericórdia para, através dela, transmitir ao mundo sua grande mensagem. “No Antigo Testamento, Eu— enviava profetas ao Meu povo com ameaças. Hoje estou enviando-te a toda a  humanidade com a Minha misericórdia. Não quero castigar a sofrida humanidade, mas desejo curá-la, estreitando-a ao Meu misericordioso Coração“, (Diário, 1588).

A missão de Santa Faustina consiste em 3 tarefas:

– Aproximar e proclamar ao mundo a verdade revelada na Sagrada Escritura sobre o amor misericordioso de Deus a cada pessoa.

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– Alcançar a misericórdia de Deus para o mundo inteiro, e especialmente para os pecadores, por exemplo através da prática das novas formas de culto à Divina Misericórdia, apresentadas pelo Senhor Jesus: a imagem da Divina Misericórdia com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós, a festa da Divina Misericórdia – o primeiro domingo depois da Páscoa de Ressurreição, e a oração na Hora da Misericórdia (às três da tarde). A estas formas da devoção e à propagação do culto à Divina Misericórdia o Senhor Jesus vinculou grandes promessas sob a condição de confiar em Deus e praticar o amor ativo para o próximo.

– A terceira tarefa é inspirar um movimento apostólico da Divina Misericórdia que tem que proclamar e alcançar a misericórdia de Deus para o mundo e aspirar à perfeição cristã seguindo o caminho esboçado pela devota irmã Maria Faustina. Este caminho é a atitude de confiança de menino para Deus que se expressa em cumprir sua vontade e a postura de caridade para o próximo. Atualmente este movimento dentro da Igreja abrange a milhões de pessoas no mundo inteiro: congregações religiosas, institutos laicos, sacerdotes, irmandades, associações, distintas comunidades de apóstolos da Divina Misericórdia e pessoas não congregadas que se comprometem a cumprir as tarefas que o Senhor Jesus transmitiu por irmã Maria Faustina.

Irmã Maria Faustina manifestou sua missão no Diário que escreveu por ordem do Senhor Jesus. Registrou nele com fidelidade tudo o que Jesus lhe pediu e descreveu todos os encontros de sua alma com Ele. “Secretária do Meu mais profundo mistério, deves saber que estás em exclusiva intimidade Comigo—. A tua tarefa é escrever o que te dou a conhecer sobre a Minha misericórdia para o proveito das almas que lendo esses escritos, experimentarão consolo na alma e terão coragem de se aproximar de mim“, (Diário 1693). Esta obra foi traduzida a muitos idiomas, por citar alguns: inglês, alemão, italiano, espanhol, francês, português, árabe, russo, húngaro, tcheco e eslovaco.

Irmã Maria Faustina extenuada fisicamente pela enfermidade e os sofrimentos que oferecia como sacrifício voluntário pelos pecadores, plenamente adulta de espírito e unida misticamente com Deus morreu em Cracóvia no dia 5 de outubro de 1938, com apenas 33 anos. A fama da santidade de sua vida foi crescendo junto com a propagação da devoção à Divina Misericórdia e a medida das graças alcançadas por sua intercessão. Entre os anos 1965-67 no Cracóvia foi levado a cabo o processo informativo sobre sua vida e suas virtudes e em 1968 se abriu em Roma o processo de beatificação, concluído em dezembro de 1992. Em 20 de abril de 2000, na Praça de São Pedro de Roma, São João Paulo II canonizou a Irmã Maria Faustina.

Fonte: Diário – A Misericórdia Divina na minha alma
vatican.va

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Sala das Graças em Angelina testemunha a poderosa intercessão de Maria

Sala das Graças em Angelina testemunha a poderosa intercessão de Maria

Espaço reúne itens entregues para retribuir graças alcançadas por fiéis

Bem próximo a gruta, onde se encontra a imagem de Nossa Senhora de Lourdes está a “Sala das Graças”. Ali, muitas velas estão acesas, e placas com graças alcançadas registram a fé dos fiéis de todo o Brasil que lotam o Santuário todas as semanas.

O espaço reúne objetos que materializam o agradecimento dos romeiros. Objetos de cera que representam partes do corpo, crucifixos, faixas e objetos ortopédicos são alguns dos tipos de objetos que encontramos por lá. A sala sempre recebe objetos, que revelam os milagres alcançados pelos fiéis.

Visite você também o Santuário de Angelina e conheça a Sala das Graças

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A mística franciscana no mês da Bíblia

A mística franciscana no mês da Bíblia

APRESENTAÇÃO

Mês de setembro, mês da Bíblia. Não dá para falar de São Francisco de Assis sem associá-lo à Palavra de Deus. A Igreja deu a ele o título merecido de “Homo Totus Evangelicus” e Frei Hugo Baggio escreve: “Ele soube verdadeiramente sentir a Palavra, não como um conjunto de símbolos ou uma transcrição escrita de uma fala de Jesus, mas como um ser vivo, palpitante, que podia ser tocado e cujo toque provocava calafrios e cujo som como que enchia os ares. Tocar no livro que continha a Palavra de Deus era como tocar no próprio Cristo”.

Frei Hugo lembra ainda que a relação Evangelho-Francisco, por todos os autores de seu tempo aos nossos dias, foi percebida como uma verdadeira revolução. “Se de um lado causa admiração como o Evangelho estava marginalizado pela Igreja, melhor dito, pelos homens da Igreja, do outro lado, causa admiração como Francisco, numa simplicidade comovente, faz com que o Evangelho volte ao centro da vida cristã e faça com que a mensagem de Cristo se transforme em vida”.

Neste Especial, oferecemos alguns textos que mostram como o Evangelho pautou a vida de Francisco e serviu para fundamentar a Regra da Ordem dos Frades Menores. Como diz Elói Leclerc, no livro “Francisco de Assis, o Retorno do Evangelho”, o que dá à experiência evangélica franciscana sua verdadeira dimensão e seu poder de sedução é, precisamente, esse encontro entre o Evangelho e as aspirações profundas do homem, entre a mensagem de Jesus e as forças criativas da história”. Para complementar, textos da Bíblia Sagrada, da Editora Vozes, são didáticos e ajudam a entender melhor o Livro dos Livros.

 

FRANCISCO, HOMO TOTUS EVANGELICUS

Francisco entrou na intimidade do Evangelho e percebeu-o puro e sem retoques. Por isso, a Igreja o chamará de Homo totus Evangelicus, quer dizer, que “se evangelizou” na totalidade do ser e na radicalidade das exigências. E mostrou, ao mesmo tempo, que o Evangelho, no seu todo, é algo possível de ser traduzido em vida.

O próprio Papa, Inocêndo III, observara que a norma de vida da primitiva comunidade era por demais árdua para compor um programa de vida, mas a tempo foi advertido que não poderia declará-la impossível, pois declararia impossível o Evangelho de Cristo.

Para Francisco a afirmação do Papa significava a impossibilidade de seguir os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois vinham eles retraçados, concretamente, nas páginas do Evangelho. Esta concreteza com que percebia o Evangelho fazia com que Francisco a ele recorresse com a simplicidade e a confiança de quem recorre a um “diretor espiritual”.

Com naturalidade, colocava os livros dos Evangelhos à sua frente e os abria, a esmo, encontrando exatamente a Palavra que lhe servia de resposta. Não argumentava, não discutia, não duvidava. Deus acabara de lhe falar. E feliz partia para executar as ordens que acabara de ler.

Assim fala Celano, na vida I (n° 92-93): que abrindo o Evangelho, pôs-se de joelhos e pediu a Deus que lhe revelasse qual a sua vontade. “Levantando-se, fez o sinal da cruz, tomou o livro do altar e o abriu com reverência e temor. A primeira coisa que deparou, ao abrir o livro, foi a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, no ponto em que anunciava as tribulações por que haveria de passar. Mas, para que ninguém pudesse suspeitar de que isso tivesse acontecido por acaso, abriu o livro mais duas vezes e o resultado foi o mesmo. Compreendeu, então, aquele homem cheio do espírito de Deus, que deveria entrar no reino de Deus depois de passar por muitas tribulações, muitas angústias e muitas lutas…”

Texto de Frei Hugo Baggio (extraído do livro “São Francisco Vida e Ideal, da Editora Vozes)

 

O PROFETA E O SEU EVANGELHO

Por N.G. Van Doornik

Francisco teve com o Evangelho uma intimidade difícil de se compreender. Amava o Evangelho, mas ele não teria sido Francisco, se seu amor não tivesse desejado possuir o próprio livro.

A magnífica Bíblia da Idade Média, com os maravilhosos textos desenhados em elegantes letras, tinha para ele algo de sagrado. Já foi, de per si, um rito religioso, quando ele, com seus dois companheiros, entrou na pequena igreja de São Nicolau e lá abriu o livro sobre o altar. Manifesta-se aqui uma forma de respeito que, em nosso tempo, impregnado de obras tipográficas, se tomou impossível: o respeito pela palavra manuscrita.

Com isso, adquirem um sentido mais profundo certas ações aparentemente mágicas. Nas cartas que ditava, não permitia Francisco que se riscasse uma letra, mesmo que fosse um erro de ortografia. Recolhia com o mesmo respeito qualquer pedacinho de pergaminho que encontrava no chão.

Perguntaram-lhe, certa vez, por que tinha tanto cuidado até mesmo com obras de autores pagãos. A resposta tem um quê de surpreendente: “Porque nelas se encontram as letras que compõem o glorioso nome do Senhor”. Por umas cinco vezes insiste ele, em suas cartas, em que se devem guardar respeitosamente as palavras do Evangelho, onde quer que sejam encontradas.

Francisco sentia o alcance psicológico desse simbolismo. “Devemos cuidar de tudo que encerra Sua Palavra sagrada. Assim ficamos profundamente compenetrados da sublimidade do nosso Criador e de nossa dependência em relação a Ele”, escreverá mais tarde ao Capítulo de seus irmãos.

A verdadeira dificuldade de se compreender como Francisco lia a Bíblia, não se encontra na cultura medieval. O que é difícil compreender é o fato raro de a Bíblia ser lida aqui por um homem que era como ela o desejava. Ele não tinha necessidade dum comentário que a suavizasse. Com heróica abertura, Francisco aceitava o texto ao pé da letra, pois este já de há muito o havia empolgado. Talvez tenha ele, alguma vez, explicado a Bíblia de uma maneira por demais rigorosa – nunca, porém, branda demais.

Devemos perguntar se a concepção de Francisco a respeito da Bíblia ainda vale para nós. Em cada mudança religiosa na história, encontra-se o homem diante da pergunta: que é propriamente autêntico na Bíblia e que é que se conseguiu descobrir com o correr do tempo?

E em cada período são sempre os grandes cristãos que, da forma mais pura, reconhecem a autenticidade. Não se requer uma visão genial para se descobrir o que corrigir num texto ou apontar alguns cantos carcomidos numa estrutura eclesiástica antiquada.

Quando se trata, porém, de valores eternos, é absolutamente necessária uma visão de fé. Não é tão estranho que um homem como Francisco, que se afastara, por assim dizer, da própria cultura para viver o Evangelho até às últimas consequências – que este Francisco tenha descoberto algo que sobrepuja qualquer cultura.

As grandes personalidades não estão à frente de seu tempo, estão acima dele.

Extraído do livro “Francisco de Assis, Profeta de Nosso Tempo”, Editora Vozes

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Gruta de Angelina: A Virgem Maria que em três sonhos indicou o local

Gruta de Angelina: A Virgem Maria que em três sonhos indicou o local

Em minhas noites insones fico sempre a pensar sobre o que eu devo pesquisar e escrever – sempre fui um curioso das coisas, querendo entender sobre tudo.

Mesmo não sendo católico, desde criança todos os rituais dessa Igreja me fascinavam: a sua liturgia, de certa maneira, é-me nostálgica! Os meus amigos já sabem que sempre tenho o hábito de conhecer as igrejas das cidades por onde passo. Dias desses, após levar minha madrinha ao Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Angelina, aproveitei enquanto ela fazia seus exames para subir à Gruta e fotografá-la, já que em outros momentos eu só fazia isso nos dias em que esta sempre está com muitos fiéis.

E diante dessa cidade tão bonita, diante de uma bela gruta, somados aos muitos amigos que tenho nessa cidade, foi-me como o sonho do Frei Zeno: tive um estalo – era preciso que eu estudasse melhor e conhecesse toda a história desse tão belo cartão-postal, símbolo da fé.

Sempre faço minhas orações diante dela e participo das peregrinações na Semana Santa. Esse ano, influenciado pelas disciplinas do meu curso de graduação em museologia, eu fui como pesquisador: passei a noite analisando o povo que chegava à Gruta, li as placas de graças alcançadas, as missas ao ar livre, etc. Quem tiver a vontade de fazer tal experiência antropológica eu recomendo. Certamente irá se admirar, assim como eu, com as manifestações de fé, de encorajamento, de superação e de respeito.

Mas era preciso mais do que isso. Eu precisava dispor mais do meu tempo pesquisando sobre a gruta. E como sempre, tudo o que pesquisei eram-me informações demasiadamente técnicas. Eu prefiro textos com emotividade, onde o leitor vire o ator e se insira no contexto. Era preciso que eu escrevesse poesias sobre a gruta! Mas poesia é uma arte difícil: deve-se sentir pertencido para que ela seja tocante… Então parti em busca desse pertencimento!

Lembrei-me de um livro que li na ocasião em que eu estudava na antiga Escola Técnica Federal, hoje Instituto Federal de Santa Catarina. Trata-se da obra O Poder da Fé & a Paranormalidade, de Pedro Grisa. Ali há um capítulo – O Sonho de Frei Zeno – dedicado à História da gruta. Segue trechos para apreciação. Espero que gostem!

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A Gruta Nossa Senhora de Lourdes, em Angelina (SC), foi construída em 1902 por Frei Zeno Walbroehl, padre franciscano nascido na Alemanha em 1866, que veio para o Brasil para realizar, juntamente com outros confrades, importantes trabalhos missionários.

A narrativa a seguir, relatada diretamente por Frei Hugolino Back(—–), apresenta os fatos que se relacionam com a escolha do local e a construção da referida Gruta, a qual já se convencionou chamar “O Milagre de Frei Zeno”.

O local da gruta

Segundo contam os moradores mais antigos de Angelina e localidades adjacentes, o local da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes foi escolhido pela própria Virgem Maria.

Frei Zeno veio para o Brasil em 1891, com 25 anos de idade, apenas ordenado sacerdote, juntando-se ao grupo de missionários que já haviam se estabelecido na localidade de Teresópolis, região que hoje integra o município de Águas Mornas (SC).

Ali trabalhou alguns anos, quando então adoeceu, vítima de tuberculose (doença ainda não controlável pela ciência médica naquela época).

Para buscar melhores recursos e mudar de clima foi transferido para Petrópolis (RJ). Mas, quanto mais o tempo passava, mais ele piorava e, numa certa noite, os padres pensavam que ele iria morrer.

Frei Zeno, enfraquecido pela doença, dizia a si mesmo que não podia entender por que deveria morrer tão jovem, já que queria tanto trabalhar nas missões do Brasil. Aproveitou o pouco de vida que lhe restava para fazer uma promessa a Virgem Maria, dizendo: “Se eu ficar curado vou construir uma gruta a Nossa Senhora de Lourdes e vou continuar meu trabalho missionário”.

Naquela noite de 1899, Frei Zeno, em estado febril, teve um sonho que mostrava, como se fosse uma visão, o lugar onde ele deveria construir a gruta. Era um morro coberto de árvores, com um paredão de pedras, de cujo topo descia uma grande cascata de águas cristalinas. Mas ele não sabia onde ficava esse lugar.

Milagrosamente, no dia seguinte, Frei Zeno estava curado.

Foi, então, transferido para Guaratinguetá (SP) e logo após para Santo Amaro da Imperatriz (SC), onde recebeu, juntamente com outros padres, o encargo de visitar as capelas da Paróquia de Santo Amaro, que era, na época, uma grande paróquia, depois desmembrada em outras, como São Bonifácio e Angelina, a qual tem como sede o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes.

Naquele tempo, todas as viagens às capelas eram feitas a cavalo, pois não havia outra condução. Os padres ficavam dois ou três dias em cada capela, depois seguiam para outra e, geralmente, após um mês de visitas, retornavam à sede, ou seja, à Casa Paroquial de Santo Amaro.

Quando Frei Zeno chegou, pela primeira vez, em Angelina, sonhou que era lá que deveria construir a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes.

No dia seguinte, saiu com um grupo de homens à procura do local que lhe fora mostrado no sonho.

Acharam muitos lugares bonitos, porque Angelina é uma região montanhosa, rica em quedas d’água. Mas nenhum desses locais correspondia àquele que Frei Zeno havia visto no sonho, em Petrópolis, quando estava à beira da morte.

Passados mais ou menos seis meses, Frei Zeno retorna a Angelina, em visita à capela. Já na primeira noite, sonha novamente que era lá que deveria construir a gruta. Pela manhã, saíram, mais uma vez, à procura do local, e também não encontraram.

Um ano depois, Frei Zeno, voltando a Angelina, fica surpreso ao ver o sonho se repetir; então, percebe a insistência de Nossa Senhora em ver sua gruta construída nessa localidade. Parecia que a Virgem estava cobrando a promessa que ele tinha feito quando estava doente.

No dia seguinte, bem cedo, conversando com alguns homens olha o rio que passa atrás da capela e depois para o morro coberto de mata, logo adiante. Então, pergunta-lhes se há um rio naquele morro.

Os homens dão uma boa risada e dizem com certeza que lá não existe nenhum rio. Porém um deles conta que, quando chove muito, escuta-se um ronco de água vindo do alto do morro.

Frei Zeno pede aos homens que peguem foices e facões para irem à procura do lugar com que ele havia sonhado. Atravessam o rio que passa artás da capela (hoje Santuário de Angelina), entram no mato e logo encontram um riacho que desce o morro e entra no rio.

Começam a subir pela beira do riacho e encontraram várias quedas d’água, uma mais bonita que a outra. Perto de cada uma, os homens perguntam a Frei Zeno se aquele é o lugar do seu sonho. O Frei diz que não, e continuam subindo. Os homens já começam a desanimar e a duvidar se havia mesmo ess lugar que Frei Zeno procurava.

Continuam subindo riacho acima e chegam quase no topo do morro. Diante de uma linda queda d’água, Frei Zeno começa a gritar:

– É este o lugar!… É este o lugar que eu vi!… É este o lugar que eu vi!

Assim, fica claro que esse lugar foi escolhido por Nossa Senhora como o local predestinado por Deus para distribuir suas grandes graças aos homens.

O local escolhido para a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, em Angelina, é descrito por Frei Elziário Schmitt, com uma impressionante riqueza de detalhes.

“Já quase no alto do pico, encontraram um grande corredor, entre flancos de pedra, coberto de vegetação, uns 15 metros de largo com 10 de comprido, fechado aos fundos por um paredão com 12 metros de alto. Escachoando em espumas pelo flanco direito, descia o maravilhoso salto da floresta, caindo num tanque cristalino de rocha – um grande espetáculo, há quantos mil anos, onde o sol, em filigranas brancas, descia pelas franças de todas as árvores de lá do alto, queimando de esplendor, lá embaixo, as cintilações inquietas, frescas e floridas, de uma gruta fenomenal, aberta sem a mão do homem, há muitas centenas de séculos esperando por Nossa Senhora. E muito mais bonita do que no sonho…”

O sonho se concretiza

 

Frei Zeno, emocionado com a descoberta do local que Nossa Senhora lhe mostrara em sonho, no ardor de seu entusiasmo escreve à sua mãe relatando os milagrosos acontecimentos vivenciados por ele. Fala das dificuldades que antevê no cumprimento definitivo de sua promessa.

Mas grande é a sua surpresa e incontida é sua alegria ao receber a resposta de sua carta, na qual a mãe comunica que, em sinal de gratidão à Imaculada Conceição por ter salvo a vida de seu filho padre, enviará uma réplica da imagem de Nossa Senhora que está no Santuário de Lourdes, na França.

Tomado de novo entusiasmo, Frei zeno põe mãos à obra, recebendo todo o apoio de seus confrades e da comunidade católica da Angelina na construção da gruta.

Como o local era de difícil acesso, foi necessário abrir um caminho para chegar até lá. Foi construída, então, uma estrada com catorze voltas. É interessante observar que o número de voltas foi exatamente o mesmo que o das estações da Via Sacra.

Quem comandou a construção da estrada e da gruta foi Frei Bucardo Sasse e Frei Josefá Immenkoetter.

A imagem de Nossa Senhora, medindo 1,95m de altura, doada, pela mãe de Frei Zeno, chega a Florianópolis de navio no início de 1902.

Frei Zeno reúne um grupo de pessoas das redondezas de Angelina para ir a Florianópolis buscar a tão esperada imagem. Naquele tempo, para vir de Angelina a Florianópolis levava-se mais ou menos dois dias de viagem, a cavalo ou de carroça. Eram mais de 50 quilômetros de estrada estreita, de chão batido e cheia de curvas.

A imagem de Nossa Senhora foi transportada num carro de boi conduzido pelo Sr. Adão Nicolau Schmitt, pai de Frei Elziário.

Em Angelina, permaneceu durante cinco anos na capela de São Carlos Borromeu, num altarzinho feito especialmente para ela.

Somente em 15 de agosto de 1907 a imagem da Virgem é transferida para o alto do morro e colocada no nicho de pedras construída ao lado da queda d’água que cai de uma altura 12 metros.

Logo após a transferência da imagem de Nossa Senhora para a gruta, são encomendados, também da Alemanha, os quadros da Via Sacra, que chegam ao porto de Desterro embalados em quatro grandes caixotes de madeira. Para facilitar o transporte até Angelina, as caixas são abertas e os catorze blocos de gesso, medindo 85cm de altura por 60cm de largura, são levados em carroças com a ajuda dos colonos da região.

É importante observar que, apesar da fragilidade do material utilizado nas estátuas, tanto a imagem da Virgem Maria quanto as catorze estações da Via Sacra chegaram a Angelina intactas, sem a menor rachadura ou arranhão, missão quase impossível levando-se em conta a longa e difícil trajetória percorrida por elas, tanto na viagem marítima como no difícil transporte terrestre.

O sonho de Frei Zeno torna-se uma realidade e sua promessa é cumprida.

A gruta e as Vocações Sacerdotais

A intenção de Frei Zeno era, de modo especial, que através da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes surgissem muitas vocações sacerdotais e religiosas. O município de Angelina tornou-se uma grande sementeira de vocações religiosas.

Frei Zeno trabalhou longos anos na pastoral das Paróquias do Sul, realizando seu trabalho missionário com dedicação e entusiasmo, com muita fé e confiança na Virgem Santíssima.

Faleceu em 1925, em Petrópolis (RJ), com idade de 59 anos. Seus restos mortais foram recentemente transladados para Angelina, onde foi construída uma capelinha em homenagem ao idealizador e fundador da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, que hoje representa um grande marco histórico e religioso da região.

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Foi-me numa forma de “sinal” que obtive o entusiasmo em falar, pesquisar e escrever sobre a Gruta! Como mencionei anteriormente, essas liturgias me fascinam!

Atualmente a Gruta é um referencial da cidade de Angelina, constituindo-se em Patrimônio. E essas histórias devem ser passadas adiante para que angelinenses e demais visitantes conheçam-na a fim de não acabarem sendo esquecidas. Preservar a arte, a cultura e as tradições de uma cidade é o primeiro passo para se adquirir uma Identidade, e essa, Angelina tem! Forte abraço, visitem a Gruta e tenham paz! É isso!

 

Fonte:

GRISA, Pedro. O Poder da fé & Paranormalidade. São Paulo:1997. Edipappi

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