Avós: fonte de sabedoria

Avós: fonte de sabedoria

O Arcebispo metropolitano de São Paulo, Cardeal Dom Odilo Scherer, fala sobre Sant’Ana e São Joaquim, os avós de Jesus, celebrado pela Igreja no dia 26 de julho.

Dom Odilo recordou que os avós são muito importantes na família por serem um elo entre as gerações e por carregarem em si muita sabedoria, conhecimento sobre os acontecimentos importantes da vida, cultura e fé.

“É muito importante valorizar os avós e as pessoas mais idosas, escutá-las, ouvi-las, aproveitar as experiências delas”, incentivou o arcebispo.

Fonte: Canção Nova

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Combate espiritual existe?

Combate espiritual existe?

Em nossa caminhada como cristãos ou não cristãos, não há dúvida de que passamos por diversos combates

Nossa vida é uma só e precisamos vivê-la bem. Aquele que é cristão talvez tenha um pouco mais de vantagem por causa de Cristo Jesus, pois a vida do Senhor é um modelo para vivermos bem esta única vida que temos.

Combate espiritual existe?

Quando olhamos para a história de Jesus, verificamos que Ele passou por duras provas. Primeiramente, até mesmo antes de nascer, Seus pais estavam com dificuldade de encontrar abrigo para Ele. Jesus nasceu numa gruta, numa manjedoura. Depois, Nosso Senhor cresceu. A Bíblia não relata sua adolescência nem juventude, mas mostra sua vida adulta.

Na vida adulta do Senhor, verificamos, no Evangelho de Lucas, capítulo quatro, que Jesus foi tentado no deserto, tentado no prazer, tentado a transformar pedra em pão. Jesus foi tentado a possuir reinos e poderes. Podemos perceber que o Filho de Deus passou por uma batalha espiritual no deserto.

No decorrer de sua caminhada aqui na terra, Jesus realizou curas em vários momentos, vários e belos sermões onde alguns queriam fazê-Lo grande, mas Ele pedia discrição ou saia logo daqueles locais. Nesse sentido, Ele também combatia o inimigo para não cair no orgulho.

Em nossa caminhada como cristãos ou não cristãos, não há dúvidas de que passamos por diversos combates, mas é preciso discernir para tomar a melhor atitude; há realidades que são, sim, espirituais; outras são do humano e outras da finitude humana.

Por isso é muito bom que tenhamos uma boa sintonia com Deus por meio da oração, “a oração é um combate. Contra quem? Contra nós mesmos e contra os embustes do Tentador…” (CIC § 2726). Combatemos contra nós mesmos e contra o inimigo, por isso é necessário contar com um acompanhador espiritual, e por que não dizer um profissional da área de psicologia para ajudar a entender e dar os passos?

A maioria dos que me leem são pessoas que frequentam a igreja e buscam a santidade, mas eu preciso dizer que não basta colocar a culpa apenas nas realidades sobrenaturais. Sim, se você tem enfrentado problemas difíceis de serem resolvidos, busque ajuda naquilo que é possível, use as ferramentas que Deus nos deixou: a oração, o jejum e a esmola (caridade), mas não só a espiritualidade como também a medicina e a psicologia.

O combate espiritual existe, porém há combates que travamos que nem sempre são de cunho espiritual, mas também psíquico e físico. Por exemplo: algumas pessoas dizem que não conseguem se livrar de um vício e buscam a confissão várias vezes. Não adianta ficar apenas confessando esse pecado, é hora de dialogar e tentar entender por que isso atormenta tanto. Talvez tenha sido a falta de vigilância, mas também pode ser a imaturidade.

Um outro exemplo que normalmente é tido com dificuldade espiritual é a falta de perdão. Se a pessoa já confessou, o perdão já foi dado por Deus; agora, se ficou a lembrança, a pessoa precisa trabalhar isso, aceitar que perdoou, perdoar e continuar a vida. Como trabalhar essa lembrança ruim? Dialogar com Deus na oração e também buscar um acompanhamento para entender ou se não entender, não parar nisso. A falta de perdão, usada no exemplo, muitas vezes não diz apenas de uma realidade espiritual, mas é também humana. É preciso olhar de longe, refletir, dialogar e entender que a maior prejudicada é aquela pessoa que alimenta esse sentimento ruim.

Um último exemplo é quando a pessoa diz que não tem mais forças para fazer as mesmas atividades. Antes, ela rezava isso e aquilo, fazia vigílias, frequentava aquele grupo e também aquele outro; mas hoje a pessoa não consegue mais. Meu querido e minha querida, nosso corpo sente, não somos adolescentes a vida toda. Não se culpe pelo fato de não conseguir mais, pois existe uma limitação natural em cada um de nós. Por isso, não diga apenas que é uma mal espiritual.

A batalha espiritual é, sim, uma realidade. Jesus passou pelas tentações do inimigo, pelas tentações e provocações dos homens, mas foi vencedor e n’Ele também somos vencedores. Diante das batalhas que você enfrenta, analise, faça o discernimento: “Não consigo fazer por preguiça ou não faço porque realmente não tenho mais forças físicas?”. Tenho feito “corpo mole” para as coisas de Deus? Tenho buscado ajuda nas minhas dificuldades ou eu me basto e resolvo sozinho? Na maioria das vezes, isso não dá certo, é preciso buscar ajuda, pois contar com o outro é também cura contra o egoísmo.

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O que os noivos precisam saber sobre o casamento?

O que os noivos precisam saber sobre o casamento?

Vocês, noivos, estão preparados para o casamento? Se a resposta foi “sim”, então provavelmente vocês conhecem as questões que envolvem a Igreja e a celebração do Sacramento Matrimonial. Caso ainda estejam à procura de informações, nós listamos abaixo algumas dicas importantes e que vão lhes ajudar na hora de subir ao altar.

Em entrevista, Padre Wagner Ferreira, diretor e professor do Instituto de Teologia Bento XVI, na Diocese de Lorena (SP), dá conselhos e esclarece dúvidas sobre o casamento, como é possível saber a hora certa de casar e o significado de cada momento da celebração do Sacramento do Matrimônio na Igreja. “Casar-se é realizar a vocação ao amor”, destaca.

 

Por que o casal deve se preparar para o casamento?

É importante porque o casal precisa tomar consciência da vocação ao amor. Casar-se é realizar a vocação ao amor. Eles precisam se preparar justamente porque a vida conjugal e a vida familiar têm muitas responsabilidades, muitos deveres. Além da responsabilidade do amor na relação própria entre marido e mulher, existe a responsabilidade da educação dos filhos, de conduzir a vida familiar para o próprio bem da família e, também, para o bem da sociedade.

 

Qual o meio de preparação que a Igreja oferece para os casais?

A Igreja oferece cursos para noivos (Encontro de Preparação para a Vida Matrimonial), que acontecem nas paróquias, nas comunidades ou, também, conforme a disponibilidade de tempo dos noivos, existem pastorais, movimentos, grupos, que igualmente colaboram com a paróquia na preparação dos noivos para o casamento. No que diz respeito ao conteúdo dessa preparação, nós temos a questão da vocação ao amor, a questão das responsabilidades próprias de um casal, do amor um para com o outro, a fidelidade, a unidade, a importância da sexualidade, da procriação, da criação dos filhos.

 

É possível saber a hora certa de casar?

O casamento deve ser o resultado de um discernimento vocacional. É interessante que o Papa Francisco fala também sobre isso na Exortação Apostólica Amoris Laetitia (Alegria do Amor). Vejam que é importante que os jovens, e principalmente aqueles que já estão namorando, saibam se deixar acompanhar, busquem acompanhamento com casais da Igreja, pessoas idôneas, casais que testemunhem sua alegria de viver a vida matrimonial e familiar. E, claro, a direção espiritual com os sacerdotes. Tudo isso colabora nesse processo de preparação, nesse discernimento para que o casal possa chegar naquele momento e dizer: pronto, nós acreditamos que estamos preparados. Existem também as questões econômicas, que são importantes, mas não são tudo. Até porque é aconselhável que as famílias, pouco a pouco, colaborem para que o casal possa se encontrar nessas condições de dizer o “sim” para aquele momento do matrimônio.

 

Quais os valores mais importantes do matrimônio?

A Igreja ensina que os valores mais importantes para o matrimônio são todos aqueles que decorrem do elemento essencial: o amor conjugal. Quais são os valores? Um deles é a unidade, ou seja, a comunhão entre o casal. Através da unidade – a cumplicidade –, o casal deve viver a lógica da comunhão em tudo aquilo que irá viver, em todas as realidades, nas decisões da vida conjugal, da vida familiar, nas tensões que muitas vezes o casal, a família, enfrenta. É importante que tudo isso seja discernido junto, em unidade. Outro valor é a fidelidade, que é prometida no momento do casamento. Cultivar a indissolubilidade matrimonial, a ternura, o carinho, o diálogo, porque muitas vezes o casal enfrenta situações difíceis até mesmo no relacionamento, às vezes são diferenças de caráter, de temperamento. Momentos de tensão acontecem na vida conjugal, familiar, na educação dos filhos, no relacionamento com os filhos. Daí a importância do diálogo, que possibilita a vivência, por exemplo, do perdão, da reconciliação.

 

O que significa cada momento da celebração do casamento?

O elemento principal na celebração do Sacramento do Matrimônio é o consentimento matrimonial. Ou seja, aquele momento em que marido e mulher dizem um para o outro: “Eu te recebo por meu esposo, eu te recebo por minha esposa, e prometo lhe ser fiel…” e assim por diante. Se não existir esse momento, o matrimônio é nulo, não existiu. Os outros elementos ajudam na realização desse consentimento matrimonial. Então, em toda a celebração, nós temos a Palavra de Deus, que ajudará o casal e, também, os participantes daquele momento, a tomarem consciência da realização da vocação ao amor. De modo especial, o casal participa dessa mística nupcial entre Cristo e a Igreja para ser no mundo um sinal visível do amor que Deus tem pela humanidade, do amor que Cristo tem pela sua Igreja. Acontece também a entrega das alianças, para marcar, de fato, que, a partir daquele momento, os dois se tornam uma só carne, uma só alma. Há uma aliança de amor entre marido e mulher, por isso eles invocam a benção de Deus, partilham as alianças como um sinal da comunhão de amor que se estabeleceu entre eles pela Graça de Deus. Ainda existe o momento da benção nupcial, em que a Igreja invoca uma benção especialmente para a mulher, para que ela também realize a sua vocação materna, no contexto da vida matrimonial, da vida familiar. E, claro, normalmente uma celebração de matrimônio pode ser dentro da Missa, exatamente para mostrar o vínculo que há entre matrimônio e Eucaristia. Se não tiver a Santa Missa, por vários motivos, a celebração do matrimônio acontece e, no final, o casal pode receber a Sagrada Comunhão tendo se preparado com o Sacramento da Penitência. Nesse caso, recebe a Eucaristia para ter consciência da necessidade da comunhão com Cristo, da comunhão de amor com Deus, para viver as alegrias e as responsabilidades próprias da vida conjugal, da vida matrimonial.

 

É o Padre que realiza o casamento?

O Catecismo da Igreja Católica, números 1.623 e 1.630, fala dessa questão da celebração do matrimônio. Na realidade, os ministros do Sacramento do Matrimônio são o próprio casal. O padre ou o diácono – também o bispo – é uma testemunha qualificada, justamente porque ali o sacerdote, bispo ou diácono, representam a Igreja. Para que os ministros do Sacramento do Matrimônio, marido e mulher, tenham consciência que estão selando aquele pacto conjugal, aquela aliança, diante da Igreja, perante a comunidade cristã. É um compromisso de amor também com Deus, compromisso de amor com o corpo místico de Cristo, que é a Igreja.

 

 

O casamento pode ser realizado fora da Igreja?

O casamento não pode ser realizado fora do templo da Igreja. Com o casamento, não há somente a união dos noivos um para com o outro, mas também a união com Deus para receber, a partir do Sacramento do Matrimônio, o dom do Espírito Santo, as graças divinas, de modo a viverem com alegria as responsabilidades próprias da vida matrimonial e familiar. Por isso, é importante celebrar o casamento na Igreja, porque são irmãos em Cristo que celebram aquele amor no Senhor. Agora, pode acontecer de forma extraordinária que o casamento seja celebrado fora da Igreja. Às vezes é por motivo de saúde ou por outros tantos motivos, que no caso, o bispo diocesano, pastor da Igreja local, dá uma permissão para que aquele casamento seja celebrado fora. Mas ordinariamente o casamento deve ser celebrado dentro da Igreja.

 

O que faz um casamento dar certo?

O Papa Francisco, de modo muito precioso, no documento Amoris Laetitia, nos apresenta diversas pistas para um casamento dar certo. Antes de tudo, é o cultivo do amor conjugal. Marido e mulher devem se amar, devem cultivar o amor em todas as decisões. O amor que é afeto, carinho, ternura, cumplicidade, unidade, comunhão, que devem levar cada um a sair de si mesmo para dialogar, conversar. É interessante que o Papa fala sobre a importância da escuta no diálogo. É importante dar atenção ao outro. Isso também é forma de ternura, carinho, de manifestar interesse pelo outro. Mesmo quando, às vezes, o que se está escutando não é tão agradável assim. O casamento dá certo quando se perdoa nos momentos difíceis, nos momentos de erros e falhas. É necessário que o casal tenha consciência de que ninguém está casando com um anjo, com uma pessoa perfeita. A partir do amor conjugal vai se edificando, aperfeiçoando o casal um ao outro. Também, sem dúvida alguma, é imprescindível a presença de Deus, da oração do próprio casal e junto com os filhos, cultivar a participação na vida da Igreja, da comunidade cristã. É importante se deixar orientar pela Palavra de Deus, participar dos sacramentos da Igreja. Conforme a disponibilidade de tempo, frequentar grupos da Pastoral Familiar e tantos movimentos que auxiliam nesse processo tão bonito da vivência do amor dentro do contexto familiar. Também a Igreja deve chamar a responsabilidade da sociedade, do Estado, para que dê as condições favoráveis para que o casal possa viver a sua vocação ao amor. O Estado deve dar as condições no sentido político, econômico, educacional, saúde e tudo aquilo que diz respeito ao bem comum que as famílias devem ter acesso.

 

O que é nulidade matrimonial?

A Igreja Católica ensina que a nulidade matrimonial é quando o casamento não existiu, quando não houve o consentimento matrimonial. Ou, então, o casal talvez tenha celebrado o Sacramento do Matrimônio na Igreja, com festa e tudo mais, mas algum elemento que estava escondido, não tenha se tornado conhecido pela Igreja ou pelo próprio celebrante. Algum elemento entrou viciando o consentimento matrimonial, tornando-o falso, nulo. Por exemplo, quando uma das partes escondeu uma verdade que, se a outra parte ficasse sabendo, aquele casamento não teria acontecido. O Código de Direito Canônico – livro de normas da Igreja – apresenta diversas circunstâncias que tornam o casamento nulo. Nesse caso, o casal deve procurar a partir de sua paróquia, de sua diocese, o Tribunal Eclesiástico para verificar se realmente aquele casamento existiu ou não. Isso quando o casal esta exatamente vivendo uma situação de crise tão séria, que chega a ponto de tomar a decisão de se divorciar. O Tribunal Eclesiástico, a partir de um processo canônico, poderá declarar aquele casamento nulo. Se isso acontecer, aquele homem e aquela mulher se encontram livres para, talvez, contrair um novo matrimônio.

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