“Bença, Mãe”, começar 2017 com Maria!

“Bença, Mãe”, começar 2017 com Maria!

Iniciar qualquer empreitada com a bênção de Mãe é sempre motivo de força e estímulo. Muito salutar a tradição da Igreja em celebrar no primeiro dia do ano a Solenidade da Santa Mãe de Deus. É como se Maria dissesse a cada um de seus filhos: “Que 2017 seja repleto de bênçãos em sua vida meu Filho, conte comigo e com minha intercessão em todos os momentos deste ano que se inicia. Não se esqueça de ouvir a voz do meu Filho e caminhe sem medo, pois sempre estarei com você”. Neste dia, recebemos, por intercessão da Mãe, a mesma bênção que Moisés ofereceu a Abraão: “O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!” (Nm 6,24-26).

No dia 1º de Janeiro celebra-se também o Dia Mundial da Paz e, na Mensagem deste ano, o Papa Francisco faz um convite à não-violência e nos escreve: “A construção da paz por meio da não-violência ativa é um elemento necessário e coerente com os esforços contínuos da Igreja para limitar o uso da força através das normas morais, mediante a sua participação nos trabalhos das instituições internacionais e graças à competente contribuição de muitos cristãos para a elaboração da legislação em todos os níveis. O próprio Jesus nos oferece um «manual» desta estratégia de construção da paz no chamado Sermão da Montanha. As oito Bem-aventuranças (cf. Mateus 5, 3-10) traçam o perfil da pessoa que podemos definir feliz, boa e autêntica. Felizes os mansos – diz Jesus –, os misericordiosos, os pacificadores, os puros de coração, os que têm fome e sede de justiça” (Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2017, 6).

Com as bênçãos da Mãe e estimulados por nosso querido Papa Francisco, vamos nos esforçar para juntos construirmos um mundo mais pacífico. Feliz 2017.

Frei Gustavo Medella

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Por um mundo mais “natalizado”

Por um mundo mais “natalizado”

“Em uma cidade devastada pela guerra, crianças que perderam seus pais para os ataques aéreos em Aleppo gravaram um vídeo para fazer um apelo desesperado. Um grupo de meninos e meninas órfãos pede que organizações internacionais os ajudem a sair do epicentro dos confrontos na Síria” (O Globo, 15/12/2016).

Apenas dias antes do Natal, a notícia que se lê, infelizmente, não apresenta um fato isolado, mas expressa um cenário desumanizado e desumanizador, sintoma de um mundo doente, que precisa urgentemente se “natalizar”. O Menino de Belém, que desde antes de nascer já foi forjado para ser um forte diante de sofrimentos e dores, é expressão de Deus que compreende o sofrimento de seus Filhos e Filhas, ou mais, que sofre junto com eles.

Ao celebrarmos mais uma vez este pacto de amor entre Deus e a humanidade, não podemos perder de vista os grandes dramas que povoam milhões de vidas humanas que sofrem mundo a fora. Que meios teríamos para anunciar a nossos irmãos e irmãs mais sofridos que realmente é Natal, que de verdade Jesus nasceu e que Deus nos ama infinitamente? Da parte de Deus, o recado está dado, afinal “de sua plenitude recebemos graça sobre graça” (Jo 1,18). Agora, de nossa parte… Como precisamos ainda caminhar! No clima desta festa que toca e comove os corações mais endurecidos, algumas pistas do que poderia significar a “natalização” de nossas vidas.

1) Perceber que a graça é um presente para ser distribuído. É muito pertinente o simbolismo de se dar e receber presentes no Natal. É um exercício de atenção ao outro, de perceber seus gostos e necessidades, de treinar a empatia. Que a disposição e a energia empregadas para acertar no presente que desejamos oferecer a quem amamos seja uma constante em nossa vida, também em relação àqueles a quem ainda não amamos o bastante. Que o sofrimento dos irmãos não nos seja indiferente.

2) Reencontrar-nos com a criança que vive em nós. Significa sermos mais transparentes, menos complicados, mais espontâneos em nossas relações. Olhando o menino Jesus, ou qualquer outra criança recém-nascida deitada num berço, certamente poderíamos dizer: “Como é engraçadinho!” (Olha mais uma vez a graça aí). A criança transparece a graça que recebe de Deus porque é imagem da ternura e da inocência que todos nós possuímos e que, por motivos diversos, podem estar adormecidas em nosso ser.

3) Treinar o amor gratuito que se encarna em serviço. Em vez de ficar procurando razões para fundamentar nossos atos de amor, tomar o amor como fundamento, independente das circunstâncias e das perspectivas de retorno. Buscar com todo entusiasmo ocasiões em que possamos ser, de fato, expressão do amor com o qual Deus nos ama. Trata-se de um exercício exigente, que passa por renúncias e mudanças de planos nem sempre fácil de serem empreendidas, mas profundamente realizadoras quando colocadas em prática.

Junto a um carinhoso abraço de boas festas, nosso desejo profundo de que, juntos, possamos sempre mais “natalizar” nossas vidas! Feliz Natal!

Frei Gustavo Medella

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Falece o cardeal Paulo Evaristo Arns

Falece o cardeal Paulo Evaristo Arns

cardeal-paulo-arnsArquidiocese de São Paulo comunicou falecimento com uma nota que recorda o lema episcopal “De esperança em esperança”

 

Faleceu nesta quarta-feira, dia 14 de dezembro, em São Paulo (SP), o arcebispo emérito de São Paulo, cardeal Paulo Evaristo Arns. O prelado estava internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Santa Catarina, na capital paulista, onde recebia os cuidados médicos. Segundo a cúria, o estado de saúde do purpurado era “delicado e inspirava preocupação”. A arquidiocese de São Paulo comunicou o falecimento com uma nota que iniciava recordando o lema episcopal do cardeal “Spe in spem (De esperança em esperança)”.

“Louvemos e agradeçamos ao ‘Altíssimo, onipotente e bom Senhor’ pelos 95 anos de vida de dom Paulo, seus 76 anos de consagração religiosa, 71 anos de sacerdócio ministerial, 50 de episcopado e 43 anos de cardinalato. Glorifiquemos a Deus pelos dons concedidos a dom Paulo, e que ele soube partilhar com os irmãos. Louvemos a Deus pelo testemunho de vida franciscana de dom Paulo e pelo seu engajamento corajoso na defesa da dignidade humana e dos direitos inalienáveis de cada pessoa”, escreveu o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer.

Dom Odilo agradeceu a Deus também “por seu exemplo de Pastor zeloso do povo de Deus e por sua atenção especial aos pequenos, pobres e aflitos”. “Dom Paulo, agora, se alegre no céu e obtenha o fruto da sua esperança junto de Deus!”, escreveu o cardeal.

No texto, o arcebispo de São Paulo convidou todos a elevarem preces de louvor e gratidão a Deus e de sufrágio em favor do falecido cardeal Paulo Evaristo Arns. O velório e os ritos fúnebres serão realizados na Catedral Metropolitana de São Paulo.

Vida dedicada aos pequenos

 

Dom Paulo nasceu no dia 14 de setembro de 1921, em uma colônia de descendentes de alemães, na cidade de Forquilhinha (SC). Filho de Gabriel Arns e Helena Steiner, tinha treze irmãos, entre eles a médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann. A família preservava muito da cultura de seus antepassados no dia a dia, em especial a proximidade com a religião. Desde cedo, as crianças também aprenderam a contribuir com os trabalhos da casa e da lavoura.

Seguindo sua vocação, dom Paulo foi ordenado sacerdote no dia 30 de novembro de 1945, aos 24 anos, em Petrópolis (RJ), integrante da Ordem dos Frades Menores (OFM). No dia 7 de julho de 1966, recebeu a ordenação episcopal. Em 5 de março de 1973, foi nomeado cardeal pelo então papa Paulo VI.

Na sua trajetória episcopal do Paulo foi bispo auxiliar de São Paulo, de 1966 a 1970, período em que foi vigário episcopal da região Norte da arquidiocese. Na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi encarregado do Departamento de Educação e no regional Sul 1 da entidade atuou como presidente da Comissão Episcopal do Regional. Também exerceu funções na Cúria Romana: membro da Sagrada Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, do Secretariado para os não-crentes e do Secretariado do Sínodo dos Bispos.

O cardeal Paulo Evaristo Arns, que esteve à frente do governo pastoral da arquidiocese de São Paulo entre 1970 e 1998, foi ainda grão-chanceler da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP); membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo; delegado à Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a América, em 1997. Arns também representou a Sociedade Civil no Conselho Deliberativo do Instituto de Estudos Avançados e membro titular do Conselho da Cátedra Unesco do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP).

Em julho deste ano, a arquidiocese de São Paulo preparou uma cerimônia em homenagem ao cinquentenário de sua ordenação episcopal. Na ocasião, dom Paulo recebeu, inclusive, uma mensagem especial enviada pelo papa Francisco, parabenizando pelo jubileu e reconhecendo sua atuação pastoral em defesa dos direitos humanos.

Fonte: http://www.cnbb.org.br/

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