Os santos anjos

Os santos anjos

ArcanjosDivididos em nove coros subordinados um ao outro, os anjos que se conservaram fiéis formam um exército invencível. Seu número é incalculável. Só há três anjos cujos nomes próprios as Escrituras Sagradas nos dão a conhecer.

São Miguel é o grande capitão do exército celeste. Seu nome Mi-cha-el significa, quem é igual a Deus? Quando Lúcifer, cego pelo orgulho, quis igualar-se ao Altíssimo, Miguel exclamou com voz trovejante: “Quem é igual a Deus?” E acompanhado pelos anjos fiéis, precipitou do alto dos céus a tropa rebelde dos apóstatas. Assim se tornou o generalíssimo do incontável exército dos santos anjos. Vê-se, nos profetas, que era o protetor do povo de Israel; agora o é da Igreja.

São Gabriel, cujo nome significa Força de Deus, anuncia ao profeta Daniel a época da grande obra de Deus, a época do Filho de Deus feito homem, Cristo condenado à morte, a remissão dos pecados, o Evangelho pregado a todas as nações, a ruína de Jerusalém e de seu templo, a condenação final do povo judeu. É o mesmo anjo Gabriel que prediz ao sacerdote Zacarias, no templo, no santuário, junto ao altar dos perfumes, o nascimento de um homem que será chamado João, ou cheio de graça, e que não mais anunciará a vinda do Salvador, mas que o apontará: “Eis o Cordeiro de Deus! Eis quem tira os pecados do mundo!” É o mesmo arcanjo, sempre enviado para anunciar grandes coisas, que irá à humilde casa de Nazaré anunciar à Virgem Maria a maior de todas as coisas; comunicar que, sem deixar de ser virgem, ela daria à luz ao Filho do Altíssimo, que seria chamado Jesus ou Salvador, porque seria o Salvador do mundo. É esse glorioso arcanjo que nos ensina a dizer tal como ele: “Ave-Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres!”

São Rafael, cujo nome significa Médico ou cura de Deus, dá-se a conhecer a Tobias: “Quando oráveis, vós e Sara vossa nora, ou apresentava o memorial de vossas orações diante do santo; e quando sepultáveis os mortos, estava presente junto de vós. Quando não vos recusáveis a levantar-vos da mesa e deixar vosso jantar para amortalhardes um morto, o bem que praticáveis não permanecia oculto; pois eu estava convosco. E por que éreis agradáveis a Deus, foi necessário que fosseis provados. Agora, porém, Deus enviou-me para curar-vos, a vós e a Sara, esposa de vosso Filho. Sou Rafael, um dos sete anjos que apresentam as orações dos santos, e que podem defrontar a majestade do Santíssimo!

O mistério da criação

Deus, Ser absoluto e eterno, não precisava de nenhuma criatura que Lhe rendesse homenagens e reconhecesse sua grandeza sem limites. Entretanto, em sua misericórdia, quis criar, não para aumentar a própria glória, intrínseca e sempiterna, mas para manifestar seu amor todo-poderoso e “comunicar sua glória” aos seres por Ele criados, fazendo-os participar de sua verdade, sua bondade e sua beleza.

Uma imensa multidão de criaturas diversas e desiguais – seres visíveis e invisíveis, inteligentes ou desprovidos de razão, dispostos numa maravilhosa hierarquia – constituiu então a Ordem do universo, reflexo da perfeição adorável Ser infinito, que só se manifestaria totalmente, na plenitude dos tempos, por seu Filho Unigênito, Jesus Cristo, o Verbo eterno encarnado.

O mundo angélico

Porém, no alto desta grandiosa hierarquia, “superando em perfeição todas as criaturas visíveis”, colocou Deus a natureza angélica: espíritos puros, inteligentes e capazes de amar, cheios da graça divina desde o início de sua existência, na aurora da primeira manhã da criação. Distribuídos e ordenados por Deus em nove coros – Serafins, Querubins, Tronos, Dominações, Virtudes, Potestades, Principados, Arcanjos e Anjos – constituem o exército da celeste Jerusalém e receberam a tríplice missão de perpétuos adoradores da Santíssima Trindade, executores dos divinos desígnios e protetores do gênero humano.

Imensa e incalculável é esta corte do Senhor. “Porventura podem ser contadas as suas legiões?”, pergunta o livro de Jó (25, 3). E o profeta Daniel, abismado, escreveu: “Eram milhares de milhares os que o serviam, e mil milhões os que assistiam diante d’Ele” (Dn 7, 10). Entretanto, cada um desses espíritos possui uma personalidade própria, inconfundível e específica, não havendo sido criado um igual ao outro.

O primeiro dos anjos

A tanta diversidade e esplendor quis Deus colocar um ápice, um ponto monárquico, um ser que espelhasse de modo inigualável a luz eterna e inextinguível. Maravilha dentre as maravilhas, obra-prima do mundo angélico, fulgurava no mais alto dos coros e todos extasiavam-se diante dele. “Tu és o selo da semelhança de Deus, cheio de sabedoria e perfeito na beleza; tu vivias nas delícias do paraíso de Deus e tudo foi empregado em realçar a tua formosura!” (cf. Ez 28, 12-13).

Sendo o primeiro dos serafins, iluminava todos os espíritos celestes com os reflexos da divindade que sua inteligência ímpar discernia com o auxílio da graça. Lúcifer era seu nome: o que levava a luz…

A prova dos espíritos celestes

Entretanto, antes de poder contemplar, por toda a eternidade, a essência de Deus, deviam os anjos passar por uma prova, e apesar da altíssima perfeição da sua natureza, “não podiam dirigir-se a esta bem-aventurança por sua vontade, sem ajuda da graça de Deus”.

Diante deles a face do Ser infinito permanecia como que envolta em penumbras e só seus reflexos eram capazes de alimentar o ardente amor das legiões do Senhor.

Segundo afirmam Tertuliano, São Cipriano, São Basílio, São Bernardo e outros santos, a prova que decidiu o destino eterno dos espíritos angélicos foi o aSan Gabriel Pq S Sulpice Fougeres.jpgnúncio da Encarnação do Verbo, Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, o qual haveria de nascer da Virgem Maria.

Podemos imaginar, então, que um frêmito de assombro percorreu as fileiras das milícias celestes ao conhecerem intuitivamente, por uma ação de Deus, o plano da Salvação: o Criador eterno, inacessível, todo-poderoso, se uniria hipostaticamente à natureza humana, elevando-a assim até o trono do Altíssimo; e uma mulher, a Mãe de Deus, tornar-se-ia medianeira de todas as graças, seria exaltada por cima dos coros angélicos e coroada Rainha do universo!

O inexplicável surgia diante dos anjos como sendo o píncaro e o centro da obra da criação.

A prova havia chegado. Amar sem entender! Amar sobre todas as coisas ao Deus Altíssimo que numa sublime manifestação de seu amor havia tirado do nada todas as criaturas! Reconhecer, num supremo lance de adoração e submissão, a superioridade infinita da Bondade absoluta e eterna! Era este o ato que confirmaria os espíritos angélicos na graça divina e os introduziria na visão beatífica para todo o sempre.

A primeira revolução da História

Lúcifer, porém, duvidou diante de um mistério que ultrapassava seu angélico entendimento. Será que Deus ignorava a natureza perfeitíssima dos anjos e preferia unir-Se a um ser humano, tão inferior a eles na ordem das criaturas? Ele, o mais alto dos serafins, seria compelido a adorar um homem? “Esta união hipostática do homem com o Verbo pareceu-lhe intolerável e desejou que fosse realizada com ele”, afirma Cornélio a Lápide. Sim, só a ele mesmo, Lúcifer, “o perfeito desde o dia da criação” (Ez 28, 15), deveria Deus unir-Se e deste modo constituí-lo como o mediador único e necessário entre o Criador e as criaturas. Assim, “aquele que do nada havia sido feito anjo, comparando-se, cheio de soberba, com o seu Criador, pretendeu roubar o que era próprio do Filho de Deus”, conclui São Bernardo.”O anjo pecou querendo ser como Deus” e o príncipe da luz tornou- se trevas.

Fez-se ouvir o primeiro grito de revolta da história da criação: “Não servirei! Subirei até o Céu, estabelecerei o meu trono acima dos astros de Deus, sentar-me-ei sobre o monte da aliança! Serei semelhante ao Altíssimo!” (cf. Is 14,13-14).

O defensor da glória de Deus

Ecoou, então, um brado no Céu: “Quem como Deus?” Entre o anjo revoltado e o trono do Todo-Poderoso erguia-se “um dos primeiros príncipes” São Miguel, um serafim incomparavelmente mais esplendoroso e forte do que havia sido “o que levava a luz”. Quem era este que ousava desafiar o mais alto dos anjos e agora refulgia invencível, revestido do “poder da justiça divina, mais forte que toda a força natural dos anjos”?

Quem era este? Chama viva de amor, labareda de zelo e humildade, executor da divina justiça”Quem como Deus?” Milhões de milhões dos espíritos celestes repetiram o mesmo brado de fidelidade. “Quem como Deus?” – Este sinal de fidelidade, que em hebraico se diz Mi-ka-el, passou a ser o nome daquele serafim que por sua caridade ímpar foi o primeiro a levantar-se em defesa da Majestade ofendida.

Michael, Miguel: nome que exprime, em sua sonora brevidade, o louvor mais completo, a adoração mais perfeita, o reconhecimento mais cheio de amor da transcendência divina e a confissão mais humilde da contingência da criatura.

A primeira batalha de uma guerra eterna

“Houve no Céu uma grande batalha” (Ap 12, 7). Luta entre anjos e demônios, luta da luz contra as trevas, da fidelidade contra a soberba, da humildade e da ordem contra o orgulho e a desordem. “Miguel e os seus anjos pelejavam contra o dragão, e o dragão com os seus anjos pelejavam contra ele” (Ap 12, 7).

Satanás, desvairado de orgulho e “obstinado em seu pecado”, “arrastou a terça parte” (Ap 12, 4) dos espíritos angélicos, submergindo-os consigo nas trevas eternas da revolta. Porém, estes não prevaleceram, nem o seu lugar se encontrou mais no Céu. Foi precipitado aquele grande dragão, que se chama demônio e Satanás, e foram junto com ele os seus anjos (cf. Ap 12, 8-9) nos abismos tenebrosos do inferno (cf. 2Pd 2, 4).

Um imenso clamor encheu o universo: Como caíste do céu, ó astro resplandecente, que no nascer do dia brilhavas? (cf. Is 14, 12). A tua soberba foi abatida até os infernos! (cf. Is 14, 11). E enquanto o serafim revoltado era visto “cair do céu como um relâmpago” (Lc 10, 18) e ser condenado ao fogo inextinguível, “preparado para ele e os seu anjos” (Mt 25, 41), São Miguel era elevado pelo Rei eterno ao píncaro da hierarquia dos anjos fiéis e se tornava o “gloriosíssimo príncipe da milícia celeste”, como é designado pela liturgia da Santa Igreja Católica.

O novo campo de batalha

Restabelecida a ordem nos céus angélicos, o campo de batalha onde prosseguiu a luta entre a luz e as trevas passou a ser a terra dos homens. O anjo destronado conseguiu seduzir nossos primeiros pais a pecarem, como ele, contra o Altíssimo, querendo ser como deuses (cf. Gn 3,5), e o Senhor Deus declarou guerra ao tentador: “Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela” (Gn 3, 15).

A partir deste momento uma luta árdua contra o poder das trevas perpassa a história da humanidade. Iniciada na origem do mundo, vai durar até o último dia, segundo as palavras do Senhor. Inserido nesta batalha, o homem deve lutar sempre para aderir ao bem.

Neste combate, além das armas decisivas da graça de Deus, que recebemos superabundantemente por meio dos sacramentos, contam os homens com o auxílio e a proteção dos anjos. E ao príncipe da Jerusalém celeste corresponde a capitania de todas as legiões angélicas na luta contra as forças do inferno, pela salvação das almas. Assim, São Miguel continua na terra a luta triunfal que iniciou no Céu.

A este respeito escreveu o cardeal Shuster: “Depois do ofício de pai legal de Jesus Cristo, que corresponde a São José, não há na terra nenhum ministério mais importante e mais sublime do que o conferido a São Miguel: protetor e defensor da Igreja”

Fonte: Arautos do Evangelho

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Francisco faz pronunciamento histórico no Congresso dos EUA

Francisco faz pronunciamento histórico no Congresso dos EUA

Papa_américa 02No Congresso dos Estados Unidos, em Washington, o Papa pronunciou esta quinta-feira (24/09) um de seus mais importantes discursos desta 10ª viagem apostólica internacional.

Tratou-se de uma visita inédita, pois Francisco é o primeiro Pontífice a dirigir-se aos membros do Senado e da Câmara estadunidenses. Por representarem a nação, o pronunciamento do Papa aos políticos constitui um “diálogo” com todo o povo dos Estados Unidos, enredado a partir de quatro personalidades que marcaram a história do país: Abraham Lincoln, Martin Luther King, Dorothy Day e Thomas Merton.

Liberdade

Citando o “guardião da liberdade”, Abraham Lincoln, Francisco advertiu para dois perigos que assolam o mundo: o fundamentalismo e o reducionismo simplista.

Quanto ao fundamentalismo, o Papa afirmou que esta pode ser inclusive religiosa e pediu “equilíbrio” para se combater a violência perpetrada em nome de uma religião, de uma ideologia ou de um sistema econômico. Já o reducionismo simplista divide o mundo em dois polos: o bem e mal, ou justos e pecadores. “Sabemos que, na ânsia de nos libertar do inimigo externo, podemos ser tentados a alimentar o inimigo interno. Imitar o ódio e a violência dos tiranos e dos assassinos é o modo melhor para ocupar o seu lugar.”

Francisco propõe coragem e inteligência para se resolver as muitas crises econômicas e geopolíticas de hoje, em que os países desenvolvidos também sentem as consequências. Para estar a serviço da pessoa, recordou, a política não pode se submeter à economia e à finança.

Imigração

A luta de Martin Luther King por plenos direitos para os afro-americanos levou o Papa a falar dos imigrantes. “Aquele sonho continua a inspirar-nos”, disse Francisco, citando a maior “crise de refugiados” desde os tempos da II Guerra Mundial.

“Também neste continente, milhares de pessoas sentem-se impelidas a viajar para o Norte à procura de melhores oportunidades. Porventura não é o que queríamos para os nossos filhos? Não devemos deixar-nos assustar pelo seu número, mas antes olhá-los como pessoas, procurando responder o melhor que pudermos às suas situações”, ressaltou o Pontífice, reafirmando o valor da regra de ouro: «O que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles» (Mt 7, 12).”

Pena de morte

“Se queremos segurança, demos segurança; se queremos vida, demos vida; se queremos oportunidades, providenciemos oportunidades. A medida que usarmos para os outros será a medida que o tempo usará para conosco.” Para Francisco, isso vale também para a pena de morte, cuja abolição representa a melhor via.

“Recentemente, os meus irmãos bispos aqui nos Estados Unidos renovaram o seu apelo pela abolição da pena de morte. Não só os apoio, mas encorajo também todos aqueles que estão convencidos de que uma punição justa e necessária nunca deve excluir a dimensão da esperança e o objetivo da reabilitação.”

Pobreza e degradação ambiental

O engajamento da Serva de Deus Dorothy Day, que fundou o Movimento Operário Católico, inspirou o Papa a falar da justiça, da pobreza e de suas causas, entre as quais a distribuição da riqueza e a degradação ambiental.

Citando sua Encíclica Laudato si, Francisco exortou os políticos e o povo estadunidense a “mudar de rumo”.

“Estou convencido de que podemos fazer a diferença e não tenho dúvida alguma de que os Estados Unidos – e este Congresso – têm um papel importante a desempenhar. Agora é o momento de empreender ações corajosas e uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e, simultaneamente, cuidar da natureza.”

Conflitos

Por fim, o Papa citou o testemunho do monge cisterciense Thomas Merton para falar da necessidade do diálogo.

Aludindo à reaproximação dos Estados Unidos com Cuba, Francisco “saudou” os esforços que se fizeram nos últimos meses para procurar superar “diferenças históricas” ligadas a episódios “dolorosos do passado”. “É meu dever construir pontes e ajudar, por todos os modos possíveis, cada homem e cada mulher a fazerem o mesmo”, afirmou, destacando que medidas do gênero exigem coragem e audácia.

Comércio de armas

Comprometer-se com o diálogo, acrescentou, significa acabar com tantos conflitos armados em todo o mundo. Francisco é claro e não usa meias-palavras: “Por que motivo se vendem armas letais àqueles que têm em mente infligir sofrimentos inexprimíveis a indivíduos e sociedade? Infelizmente a resposta, como todos sabemos, é apenas esta: por dinheiro; dinheiro que está impregnado de sangue, e muitas vezes sangue inocente. Perante este silêncio vergonhoso e culpável, é nosso dever enfrentar o problema e deter o comércio de armas”.

Famílias

O Papa concluiu seu discurso falando do motivo que o levou aos Estados Unidos, isto é, o Encontro Mundial das Famílias em Filadélfia.

O Pontífice declara-se preocupado com as ameaças que a instituição familiar está recebendo, falando de modo especial dos jovens, que parecem desorientados e sem meta. “Os seus problemas são os nossos problemas. Não podemos evitá-los. (…) Deus abençoe a América!”

Fonte: Rádio Vaticano

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Francisco: a nossa revolução passa pela ternura

Francisco: a nossa revolução passa pela ternura

PAPA 01Durante a Missa no Santuário da “Virgem da Caridade do Cobre” o Papa concentrou a sua meditação no Evangelho de Lucas que narra o episódio em que Maria, depois da Anunciação, vai visitar e ajudar a prima Isabel. Vai sobretudo para servir, diz o Papa, o que demonstra que o encontro com o Senhor provoca um movimento, nos põe em caminho, nos impele a mover-nos, a sair da nossa casa:

“A presença de Deus na nossa vida nunca nos deixa tranquilos, sempre nos impele a mover-nos. Quando Deus visita, sempre nos tira para fora de casa: visitados para visitar, encontrados para encontrar, amados para amar”

E o Papa apresenta o exemplo de Maria que não está agitada nem adormentada mas, visto que foi visitada, vai visitar, acompanhar a sua prima grávida e em idade avançada. E esta é uma nota característica importante, reitera o Papa, acompanhar as pessoas, ser próximos a todos os que sofrem para defender os direitos dos seus filhos, como nos diz a Palavra da Vida:

“Maria, a primeira discípula, visitada saiu para visitar. E, desde aquele primeiro dia, foi sempre a sua característica singular. Foi a mulher que visitou tantos homens e mulheres, crianças e idosos, jovens. Soube visitar e acompanhar nas dramáticas gestações de muitos dos nossos povos; protegeu a luta de todos os que sofreram para defender os direitos dos seus filhos. E ainda agora, Ela não cessa de nos trazer a Palavra de Vida, seu Filho, Nosso Senhor”.

A nação cubana é marcada pela devoção à Virgem da Caridade – continuou Francisco – e isto foi confirmado pelos bispos cubanos quando pediram ao Papa Bento XV para declarar a Virgem do Cobre Padroeira de Cuba. E este Santuário, reitera o Papa, conserva a memória do povo santo de Deus que caminha em terra cubana, exprime as raízes e a sua identidade; é um caminho por vezes cheio de dificuldades, mas enriquecido, tornado vivo graças ao esforço das avós, das mães, da gente que torna viva a presença de Deus na vida quotidiana, nas famílias.

E sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afecto, insistiu o Papa Francisco, dizendo que geração após geração, dia após dia, somos convidados a renovar a nossa fé, somos convidados a viver a revolução da ternura, como Maria, Mãe da Caridade:

“Como Maria, queremos ser uma Igreja que serve, que sai de casa, que sai dos seus templos, das suas sacristias, para acompanhar a vida, sustentar a esperança, ser sinal de unidade de um povo nobre e digno. Como Maria, Mãe da Caridade, queremos ser uma Igreja que saia de casa para lançar pontes, abater muros, semear reconciliação. Como Maria, queremos ser uma Igreja que saiba acompanhar todas as situações «grávidas» da nossa gente, comprometidos com a vida, a cultura, a sociedade, não nos escondendo mas caminhando com os nossos irmãos. Todos juntos, servindo, ajudando; todos filhos de Deus, filhos de Maria, filhos desta nobre terra cubana”.

E por fim o apelo do Papa é de procurar ser uma Igreja capaz de acompanhar as pessoas em situações de dificuldade, pessoas empenhadas na vida, na cultura, na sociedade:

“Este é o nosso «cobre» mais precioso, esta é a nossa maior riqueza e o melhor legado que podemos deixar: aprender a sair de casa, como Maria, pelas sendas da visitação. E aprender a rezar com Maria, pois a sua oração é cheia de memória e agradecimento; é o cântico do povo de Deus que caminha na história. É a memória viva de que Deus está no nosso meio; é a memória perene de que Deus olhou para a humildade do seu povo, socorreu o seu servo como prometera aos nossos pais e à sua descendência para sempre”.

Fonte:Rádio Vaticano

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PASCOM do Regional Sul 4 da CNBB  promove  III Seminário Novas Mídias, Novas Tecnologias

PASCOM do Regional Sul 4 da CNBB promove III Seminário Novas Mídias, Novas Tecnologias

PASCOM REGIONAL SUL IV - IV SEMINARIO - Capa BLOG (4)A cidade de Joinville, no Estado de Santa Catarina, recebe de 16 a 18 de outubro o 3º Seminário Novas Mídias e Novas Tecnologias. Promovido pela Pastoral da Comunicação (Pascom) do Regional Sul IV da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o evento está com inscrições abertas até o dia 9 de outubro.

Com o tema “Novas Mídias e Novas Tecnologias” e o lema “Investir na comunicação para ganhar na Evangelização”, o encontro terá início na sexta-feira, dia 16, às 19h30, com a acolhida aos participantes. Na sequencia, às 20h, ocorrerá a palestra de abertura “Redes Sociais + Mídias Sociais ambiente privilegiado do encontro”. Às 21h, será realizado um coquetel festivo.

No segundo dia de encontro, no sábado, dia 17, haverá uma Santa Missa, às 7h30. Depois da celebração acontece a  acolhida do Bispo de Joinville Dom Irineu Roque Scherer ( Bispo Referencial da Comunicação Regional Sul 4).Logo depois, às 9h, o Padre Rafael Uliano, diretor eclesiástico da Pascom de Tubarão, falará sobra as ações da Pastoral da Comunicação. Mais tarde, às 10h30, será realizada a palestra “A importância do gerenciamento nas redes sociais”, com Darlan, da Agência Arcanjo, de Joinville. Às 11h30, haverá uma mesa com palestrantes.

No turno da tarde, a partir das 14h, ocorrerá mais uma palestra, proferida por Anselmo, coordenador da Pascom da Diocese de Tubarão, sobre a utilização dos vídeos na evangelização. Em seguida, às 15h, acontecerá um plenário. A palestra sobre “A importância da Assessoria de Comunicação para os projetos sociais paroquiais e diocesanos” será dada por Olga Oliveira, que é coordenadora da Pascom da Arquidiocese de Florianópolis, às 15h30.

Dando continuidade às atividades, às 16h30, será realizado mais um plenário. O encerramento dos momentos formativos se dará às 17h30. A partir das 20h, ocorrerá a Noite Cultural, organizada pela Pascom da Diocese de Joinville.

No último dia do seminário, em 18 de outubro, as atividades do domingo começarão às 8h, com a Celebração Eucarística. Depois, às 9h30, mais uma palestra: “A Igreja e as mídias digitais”. O plenário acontecerá às 10h30. Logo em seguida, às 11h, será realizado um momento de motivação para o Muticom, motivação da Pascom Regional, com o estudo do Diretório, e a entrega dos certificados. O encerramento do evento acontecerá às 12h30.

As inscrições já estão no segundo lote de vendas.

Faça sua caravana e venha para o III Seminário Novas Mídias, Novas Tecnologias.

 

Serviço: III Seminário Novas Mídias, Novas Tecnologias

Data: 16 a 18 de Outubro

Onde: Joinville/SC

Inscrições: http://www.seminarionovasmidiasenovastecnologias.blogspot.com.br/

Contato:  pascomregionalsul4@gmail.com

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Bem estar e solidariedade animam participantes da Corrida do Bem em Florianópolis

Bem estar e solidariedade animam participantes da Corrida do Bem em Florianópolis

O dia ensolarado favoreceu o entusiasmo dos mais de 700 participantes da Corrida e Caminhada do Bem, na manhã deste domingo, 13, na Beira Mar de Florianópolis. O evento é uma promoção da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), através do SESI – Serviço Social da Indústria –, que neste ano estava em parceria com a Arquidiocese de Florianópolis.

“Para a Ação Social Arquidiocesana (ASA) o evento é algo que veio agregar como uma atividade diferenciada. Além de apoiar financeiramente o trabalho desenvolvido com as pastorais e entidades sociais, também promoveu o cuidado com a saúde”, observou o secretário executivo da ASA, Fernando Anísio.

A largada foi dada por volta das 08h da manhã, após os competidores participarem do “aulão” de alongamento. Quem se inscreveu, ainda podia contar com massagens ou comer frutas a vontade, em um ambiente propício para o bem estar e o bom êxito da atividade física.

Idosos, crianças, jovens, adultos, deficientes, todos estavam representados na corrida. Destaque para o segundo colocado da prova geral masculina, o deficiente visual Jarbas Pereira da Silva. “Estava muito boa a organização do evento, todo competidor para-atleta depende muito da organização e tudo estava de parabéns”, avaliou. Ele veio de São Joaquim (SC) e, auxiliado por um guia, concluiu os 05 km da competição em 18’37”, apenas 20 segundos após o primeiro colocado.

Quem não quis correr, participou da Caminhada “em clima de convivência e alegria”, destacou a paroquiana do Santuário de Fátima, em Florianópolis, Lorena Terezinha Zillioto. Com 65 anos, ela realizou o percurso em 45 minutos e considera um tempo bom. “Adoro caminhar, então ir para lá com os amigos foi mais uma motivação, além de podermos ajudar a projetos sociais”, enfatizou.

A próxima Corrida e Caminhada do Bem acontece na Beira Mar de São José, no dia 04 de outubro. As inscrições podem ser feitas através do site corridasdobem.com.br, até o dia 28 de setembro. Outra etapa ainda acontece em Itajaí, no dia 29 de novembro.

Serviço

SESI CORRIDAS DO BEM 2015

Etapa São José – 04 de outubro
Etapa Itajaí – 29 de novembro
Inscrições: www.corridasdobem.com.br

Fonte: Site Arquidiocese de Florianópolis

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80º Aniversário da Revelação do Terço da Divina Misericórdia

80º Aniversário da Revelação do Terço da Divina Misericórdia

Terço da Divina Misericórdia.

Os dias 13 e 14 de setembro deste ano marcam o 80º aniversário da revelação do terço da Divina Misericórdia. É uma oração traduzida para vários idiomas e é rezada por pessoas de todo o mundo. 80 anos atrás o Senhor Jesus a narrou em polonês para a Santa Irmã Faustina.

Como foi o início do Terço da Divina Misericórdia?

O Terço da Divina Misericórdia é a única oração – além da oração do Pai Nosso – cujas palavras foram ditadas pelo próprio Jesus. Isso aconteceu em 13 de setembro, sexta-feira, em 1935 em Vilnius.
“À noite, quando eu estava na minha cela, vi um anjo, executor da ira divina. Ele estava vestindo uma túnica branca, o rosto radiante e uma nuvem sob seus pés, e saiam da nuvem trovões e relâmpagos para as suas mãos, e delas só então atingiam a terra. (…) Eu senti em minha alma o poder da graça de Jesus, que habita em minha alma; (…) Comecei a implorar a Deus pelo mundo com palavras ouvidas no meu interior. ” (Diário, 474)
Essas “palavras ouvidas internamente” foram apenas as palavras do Terço.
“Quando assim rezava, vi a impossibilidade do anjo em poder executar aquele justo castigo, merecido por causa dos pecados. Nunca tinha rezado com tanta força interior como naquela ocasião”. (Diário, 475)

Como rezar o Terço da Divina Misericórdia?

Primeiro de tudo, com confiança. O Terço é como “uma ligação telefônica para o Pai”, que se importa conosco e pode tudo. Nós pedimos, como crianças pequenas quando querem algo e repetem insistentemente “Por favor! Por favor! Por favor!”. Podemos falar sobre tudo com o Pai Misericordioso, sobre as grandes e pequenas coisas, como Santa Faustina que rezou o Terço para salvar a alma de uma pessoa morta (Diário, 810), mas também pedindo que a chuva parasse (Diário, 1731).

A que horas alguém deve rezar o Terço?

A qualquer hora do dia ou da noite. Jesus nunca disse a que horas nós deveríamos rezar o Terço. Ao invés disso Ele pediu à Faustina para rezá-lo frequentemente.

Existem promessas específicas de Jesus conectadas com o Terço?

Jesus prometeu que quando nós rezamos o Terço da Divina Misericórdia podemos receber tudo o que é bom e está de acordo com a vontade de Deus. Ele também prometeu a graça de uma morte feliz àqueles que recitam o Terço, mas também para as pessoas que estão morrendo e por quem alguém mais irá rezar a oração. O Terço é como uma “bóia salva-vidas” dada a alguém que está se afogando. Jesus até mesmo disse que “mesmo que houvesse um pecador mais endurecido, se uma vez só digo isto Terço, irá receber a graça de misericórdia infinita …” (Diário, 687)

Na Polônia ao rezar o Terço da Divina Misericórdia na igreja ou na capela você pode obter uma indulgência plenária.
Então o Terço parece ser a oração favorita de Jesus. Quase todos os dias pessoas de várias partes do mundo enviam ao Santuário da Divina Misericórdia em Lagiewniki o testemunho de graças alcançadas e até milagres realizados em suas vidas quando elas rezaram o Terço. O poder desta oração depende do poder da sua confiança. Portanto, confie, e reze!

Fonte: Site Oficial Jornada Mundial da Juventude 2016

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Papa: Processos de nulidade matrimonial mais simples e rápidos

Papa: Processos de nulidade matrimonial mais simples e rápidos

Foram anunciadas na manhã de terça-feira (08/09) as principais mudanças decididas pelo Papa em relação aos processos de nulidade matrimonial.
O objetivo do Papa não é favorecer a nulidade dos matrimônios, mas a rapidez dos processos: simplificar, evitando que por causa de atrasos no julgamento, o coração dos fiéis que aguardam o esclarecimento sobre seu estado “não seja longamente oprimido pelas trevas da dúvida”.
As alterações constam nos dois documentos ‘Mitis Iudex Dominus Iesus’ (Senhor Jesus, meigo juiz) e ‘Mitis et misericors Iesus’ (Jesus, meigo e misericordioso), apresentados na Sala de Imprensa da Sé.
A reforma foi elaborada com base nos seguintes critérios:
1. Uma só sentença favorável para a nulidade executiva: não será mais necessária a decisão de dois tribunais. Com a certeza moral do primeiro juiz, o matrimônio será declarado nulo.
2. Juiz único sob a responsabilidade do Bispo: no exercício pastoral da própria ‘autoridade judicial’, o Bispo deverá assegurar que não haja atenuações ou abrandamentos.
3. O próprio Bispo será o juiz: para traduzir na prática o ensinamento do Concílio Vaticano II, de que o Bispo é o juiz em sua Igreja, auspicia-se que ele mesmo ofereça um sinal de conversão nas estruturas eclesiásticas e não delegue à Cúria a função judicial no campo matrimonial. Isto deve valer especialmente nos processos mais breves, em casos de nulidade mais evidentes.
4. Processos mais rápidos: nos casos em que a nulidade do matrimônio for sustentada por argumentos particularmente evidentes.
5. O apelo à Sé Metropolitana: este ofício da província eclesiástica é um sinal distintivo da sinodalidade na Igreja.
6. A missão própria das Conferências Episcopais: considerando o afã apostólico de alcançar os fiéis dispersos, elas devem sentir o dever de compartilhar a ‘conversão’ e respeitarem absolutamente o direito dos Bispos de organizar a autoridade judicial na própria Igreja particular. Outro ponto é a gratuidade dos processos, porque “a Igreja, mostrando-se mãe generosa, ligada estritamente à salvação das almas, manifeste o amor gratuito de Cristo, por quem fomos todos salvos”.
7. O apelo à Sé Apostólica: será mantido o apelo à Rota Romana, no respeito do antigo princípio jurídico de vínculo entre a Sé de Pedro e as Igrejas particulares.
8. Previsões para as Igrejas Orientais: considerando seu peculiar ordenamento eclesial e disciplinar, foram emanados separadamente as normas para a reforma dos processos matrimoniais no Código dos Cânones das Igrejas Orientais.
Diante dos jornalistas credenciados, o juiz decano do Tribunal da Rota Romana, Mons. Pio Vito Pinto explicou que os decretos (motu próprio) são resultado do trabalho da comissão especial para a reforma destes processos, nomeada pelo Papa em setembro de 2014.
Também estavam na coletiva o Cardeal Francesco Coccopalmerio, Presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, e o arcebispo jesuíta Luis Francisco Ladaria, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé.
(CM)

Fonte: Rádio Vaticano

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Clima de confiança entre Israel e Palestina é urgente, afirma Papa

papaA situação política e social do Oriente Médio esteve no centro da audiência que Francisco concedeu na manhã desta quinta-feira ao Presidente do Estado de Israel, Reuven Rivlin.

Em especial, o Papa e o Presidente israelense debateram a situação dos cristãos e de outros grupos minoritários na região, marcada por vários conflitos. A respeito, relevou-se a importância do diálogo inter-religioso e a responsabilidade dos líderes religiosos na promoção da reconciliação e da paz.

De acordo com uma nota da Sala de Imprensa da Santa Sé, evidenciaram-se a necessidade e a urgência de promover um clima de confiança entre israelenses e palestinos e de reavivar as negociações para se alcançar um acordo respeitoso das legítimas aspirações dos dois povos, como contribuição fundamental à paz e à estabilidade da região.

Em pauta, estiveram também as relações entre o Estado de Israel e a Santa Sé, e entre as autoridades estatais e as comunidades católicas locais, fazendo votos de uma pronta conclusão do Acordo bilateral em fase de elaboração e uma solução adequada de algumas questões de interesse comum, entre as quais a que diz respeito à situação das escolas cristãs no país.

Fonte: Rádio Vaticana

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Mês da Bíblia: O que é a Lectio Divina?

Mês da Bíblia: O que é a Lectio Divina?

A Lectio Divina vem do latim e tem como significado, “leitura divina”, “leitura espiritual” ou ainda “leitura orante da Bíblia”, é um alimento necessário para a nossa vida espiritual. A partir desta oração, conscientes do plano de Deus e a sua vontade, pode-se produzir os frutos espirituais necessários para a salvação. A Lectio Divina é deixar-se envolver pelo plano da Salvação de Deus. Os princípios da Lectio Divina foram expressos por volta do ano 220 e praticados por monges católicos, especialmente as regras monásticas dos santos: Pacômio, Agostinho, Basílio e Bento. Santa Terezinha Do Menino Jesus dizia, em período de aridez espiritual, que quando os livros espirituais não lhe diziam mais nada, ela busca no Evangelho o alimento de sua alma.

A Lectio Divina tradicionalmente é uma oração individual, porém, pode-se fazê-la em grupo. O importante é rezar com a Palavra de Deus lembrando o que dizem os bispos no Concílio Vaticano II, relembrando a mais antiga tradição católica, que conhecer a Sagrada Escritura é conhecer o próprio Cristo. Monges diziam que a Lectio Divina é a escada espiritual dos monges, mas é também de todo o cristão. O Papa Bento XVI fez a seguinte observação num discurso de 2005: “Eu gostaria, em especial recordar e recomendar a antiga tradição da Lectio Divina, a leitura assídua da Sagrada Escritura, acompanhada da oração que traz um diálogo íntimo em que a leitura, se escuta Deus que fala e, rezando, responde-lhe com confiança a abertura do coração”.

O Concílio Vaticano II, em seu decreto Dei Verbum 25, ratificou e promoveu com todo o peso de sua autoridade, a restauração da Lectio Divina, que teve um período de esquecimento por vários séculos na Igreja. O Concílio exorta igualmente, com ardor e insistência, a todos os fiéis cristãos, especialmente aos religiosos, que, pela freqüente leitura das divinas Escrituras, alcancem esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo (Fl 3,8). Porquanto “ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo” (São Jerônimo, Comm. In Is., prol).

A prática cristã ancestral de Oração Centrante tem suas raízes e é alimentada pela oração de escuta da Palavra de Deus na Sagrada Escritura, especialmente nos Evangelhos e Salmos. Por isso, faço este convite a você que ainda não faz a Lectio Divina para ter este profundo alimento espiritual e quem faz desejo os votos de perseverança. A Lectio Divina possui os seguintes passos: comece invocando o Espírito Santo fazendo esta oração: “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. – Enviai o vosso Espírito, e tudo será criado; e renovareis a face da terra. Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com as luzes do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo Senhor nosso. Amém”. A Lectio possui quatro passos: 1- Lectio (Leitura); 2- Meditatio (Meditação); 3- Oratio (Oração) e 4- Contemplatio (Contemplação).

Quanto à leitura, Leia, com calma e atenção, um pequeno trecho da Sagrada Escritura (aconselha-se que nas primeiras vezes utilize-se os textos dos Evangelhos). Leia o texto quantas vezes forem necessárias. Procure identificar as coisas importantes desta perícope: o ambiente, os personagens, os diálogos, as imagens usadas, as ações. É importante que identificar tudo com calma e atenção, como se estivesse vendo a cena. A leitura é o estudo assíduo das Escrituras, feito com aplicação de espírito. À leitura, eu escuto: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8). Eis uma palavra curta, mas cheia de suaves sentidos para o repasto da alma. Ela oferece como que um cacho de uva. A alma, depois de o examinar com cuidado, diz em si mesma:Pode haver aqui algum bem, voltarei ao meu coração e tentarei, se possível, entender encontrar esta pureza. Pois é preciosa e desejável tal coisa, cujos possuidores são ditos bem-aventurados, e à qual se compromete a visão de Deus, que é a vida eterna, e que é louvada por tantos testemunhos da Sagrada Escritura. Eis uma palavra curta, mas cheia de suaves sentidos para o repasto da alma. Ela oferece como que um cacho de uva. A alma, depois de o examinar com cuidado, diz em si mesma: Pode haver aqui algum bem, voltarei ao meu coração e tentarei, se possível, entender encontrar esta pureza. Pois é preciosa e desejável tal coisa, cujos possuidores são ditos bem-aventurados, e à qual se compromete a visão de Deus, que é a vida eterna, e que é louvada por tantos testemunhos da Sagrada Escritura.

Quanto à Meditatio, começa, então, diligente meditação. Ela não se detém no exterior, não pára na superfície, apóia o pé mais profundamente, penetra no interior, perscruta cada aspecto. Considera atenta que não se disse: Bem-aventurados os puros de corpo, mas, sim, “os puros de coração”. Pois não basta ter as mãos inocentes de más obras, se não estivermos, no espírito, purificados de pensamentos depravados. Isso o profeta confirma por sua autoridade, ao dizer: Quem subirá o monte do Senhor? Ou quem estará de pé no seu santuário? Aquele que for inocente nas mãos e de coração puro (Sl 24,3-4). Depois de ter refletido sobre esses pontos e outros semelhantes no que toca à pureza do coração, a meditação começa a pensar no prêmio: Como seria glorioso e deleitável ver a face desejada do Senhor, mais bela do que a de todos os homens (Sl 45,3), não mais tendo a aparência como que o revestiu sua mão, mas envergando a estola da imortalidade, e coroado com o diadema que seu Pai lhe deu no dia da ressurreição e de glória, o dia que o Senhor fez (Sl 118,24).

Quanto à Oratio, toda boa meditação desemboca naturalmente na oração. É o momento de responder a Deus após havê-lo escutado. Esta oração é um momento muito pessoal que diz respeito apenas à pessoa e Deus. Não se preocupe em preparar palavras, fale o que vai no coração depois da meditação: se for louvor, louve; se for pedido de perdão, peça perdão; se for necessidade de maior clareza, peça a luz divina; se for cansaço e aridez, peça os dons da fé e esperança. Enfim, os momentos anteriores, se feitos com atenção e vontade, determinarão esta oração da qual nasce o compromisso de estar com Deus e fazer a sua vontade. Vendo, pois, a alma que não pode por si mesma atingir a desejada doçura de conhecimento e da experiência, e que quanto mais se aproxima do fundo do coração (Sl 64,7), tanto mais distante é Deus (cf. Sl 64,8), ela se humilha e se refugia na oração. E diz: Senhor, que não és contemplado senão pelos corações puros, eu procuro, pela leitura e pela meditação, qual é, e como poder ser adquirida a verdadeira doçura do coração, a fim de por ela conhecer-te, ao menos um pouco.

Quanto ao último passo à Contemplatio, Desta etapa a pessoa não é dona. É um momento que pertence a Deus e sua presença misteriosa, sim, mas sempre presença. É um momento no qual se permanece em silêncio diante de Deus. Se ele o conduzirá à contemplação, louvado seja Deus! Se ele lhe dará apenas a tranqüilidade de uns momentos de paz e silêncio, louvado seja Deus! Se para você será um momento de esforço para ficar na presença de Deus, louvado seja Deus!

Portanto, diante deste patrimônio da nossa Igreja que é este método de Oração da Lectio Divina, desejo a todos que ao lerem este artigo comecem a tomar gosto pela Leitura Orante da Palavra de Deus, pois, nós sabemos que a oração é um dos alimentos da alma que obtemos forças para enfrentar tantas adversidades em nossa caminhada. Que Deus os abençõe nesta nova etapa espiritual.
Fonte:
Pe. Jair Cardoso Alves Neto (Arquidiocese de Cuiabá).

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