Vocação

Vocação

vocações 03A razão mais sublime da dignidade do homem consiste na sua vocação à união com Deus. É desde o começo da sua existência que o homem é convidado a dialogar com Deus: pois, se existe, é só porque, criado por Deus por amor, é por Ele por amor constantemente conservado; nem pode viver plenamente segundo a verdade, se não reconhecer livremente esse amor e se entregar ao seu Criador. Porém, muitos dos nossos contemporâneos não atendem a esta íntima e vital ligação a Deus, ou até a rejeitam explicitamente; de tal maneira que o ateísmo deve ser considerado entre os fatos mais graves do tempo atual e submetido a atento exame” (Gaudium et Spes, 19).

“Vocação” tem assim um significado muito amplo e se aplica a toda a humanidade, chamada à salvação cristã.

Entretanto, “vocação” se realiza em atitudes e deveres particulares que determinam a escolha que cada pessoa faz para dar à própria vida um sentido ideal: cada estado de vida, cada profissão, cada dedicação aos outros pode ser caracterizada como vocação, que lhe dá uma dignidade superior e um valor transcendente. Mas a palavra vocação adquire um significado específico quando se trata de uma vocação especial, que vem de Deus diretamente, como um raio fulgurante de luz que ilumina o mais profundo da consciência humana e se expressa numa entrega total da vida ao amor de Deus, que depois se desdobra no amor e no serviço ao próximo. Trata-se de um fato tão sagrado que exige uma atenção especial da Igreja, justamente pelo valor da “pérola preciosa” (Mt 13, 46) que aí se expressa (Cf. Beato Paulo VI, Mensagem para a Jornada Mundial de Orações pelas vocações, 1967).

Mais ainda. A Igreja não vive sem pessoas que se dediquem à evangelização. “De fato, ‘todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo’. Ora, como invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele que não ouviram? E como o ouvirão, se ninguém o proclamar? E como o proclamarão, se não houver enviados? Assim é que está escrito: ‘Bem vindos os pés dos que anunciam boas novas!'” (Rm 10, 13-15). E aqui está o desafio, pois a Igreja não organiza uma rede de propagandistas profissionais, mas envia homens e mulheres livres e voluntários, seguidores de Cristo que lhe dão tudo o que são e o que têm, com todos os riscos que este seguimento comporta. Com que alegria meu olhar se dirige a tantos jovens, rapazes e moças, que têm acolhido o chamado de Deus a esta radicalidade de vida!

Mas onde se encontram tais pessoas? Onde encontrar mais gente que se dedique ao anúncio do Evangelho? “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita!” (Mt 9, 37-38). Um assunto tão delicado foi confiado por Deus a nós e à nossa oração! Ele quer depender justamente de nós para que as vocações de especial consagração a ele e ao seu Reino sejam despertadas e cultivadas na Igreja. Imensa bondade e confiança indescritível na responsabilidade das pessoas e das comunidades cristãs. Aqui nasce o primeiro apelo para o mês de agosto, dedicado às vocações. Se são importantes todos os estados de vida na Igreja, desta feita nos permitimos voltar nosso olhar de modo especial à consagração específica de dedicação exclusiva à Igreja e ao Reino de Deus.

Onde se encontram estas pessoas? Em nossas Paróquias e Comunidades. Durante o mês dedicado às vocações, chegue minha palavra aos sacerdotes, especialmente os que têm a cura pastoral nas Paróquias. Chamem e o façam de modo bem claro e explícito, pois as vocações estão presentes na Igreja. O que falta é trato, carinho, cuidado atencioso. Proponho que todos os padres e em todas as missas, especialmente aos domingos, durante o mês de agosto, convoquem para o seguimento de Jesus crianças, adolescentes e jovens, para a vida sacerdotal, religiosa, missionária e para as novas formas de dedicação à Igreja. Depois, queira Deus que sejam procurados pelas vocações assim despertadas e dediquem tempo para acompanhá-las.

Onde se encontram tais pessoas? Sem dúvida alguma nas famílias! Peço aos pais e mães que perguntem com liberdade e força aos seus filhos e filhas sobre “vocação”. E tenham a coragem de abrir-lhes o horizonte, dizendo que ser consagrado a Deus é um caminho de grande felicidade! Tenho a certeza de que existem vocações escondidas, quais pedras preciosas, que aguardam pais e mães capazes de as cultivarem com carinho e oração.

Onde se encontram tais pessoas? São crianças, adolescentes e jovens aos quais chegam estas palavras, destinadas a abrir o mês vocacional. É você que já sentiu um apelo irresistível pela entrega total da vida a Deus. Pode ser que o ambiente da sociedade não lhe favoreça responder positivamente, mas muito maior do que todos os ventos que correm é a voz de Deus que lhe diz ser este o seu lugar, na dedicação total a ele e ao seu Reino, no coração da Igreja.

Onde se entram tais pessoas? No coração de Deus! Por isso, proponho às famílias e às Paróquias rezarem durante o mês de agosto uma das mais belas e conhecidas orações pelas vocações:

“Senhor da messe e pastor do rebanho, faz ressoar em nossos ouvidos teu forte e suave convite: ‘Vem e segue-me’! Derrama sobre nós o teu Espírito, que Ele nos dê sabedoria para ver o caminho e generosidade para seguir tua voz. Senhor, que a messe não se perca por falta de operários. Desperta nossas comunidades para a missão. Ensina nossa vida a ser serviço. Fortalece os que querem dedicar-se ao Reino, na vida consagrada e religiosa. Senhor, que o rebanho não pereça por falta de pastores. Sustenta a fidelidade de nossos bispos, padres e ministros. Dá perseverança a nossos seminaristas. Desperta o coração de nossos jovens para o ministério pastoral em tua Igreja. Senhor da messe e pastor do rebanho, chama-nos para o serviço de teu povo. Maria, Mãe da Igreja, modelo dos servidores do Evangelho, ajuda-nos a responder SIM. Amém”.

Dom Alberto Taveira Corrêa

Arcebispo de Belém do Pará

Fonte:CNBB

Share
Padre: uma bela vocação e missão

Padre: uma bela vocação e missão

Padre 01

O mês de agosto, dedicado às vocações, se inicia com o dia do padre. Isto porque no dia 04 de agosto recordamos S. João Maria Vianney, ardoroso pároco de Ars, na França, no século XIX. É o padroeiro dos padres, pela exemplaridade de sua vida doada no seu ministério pastoral. Durante 40 anos doou sua vida pelo seu rebanho. Permanecia até 18 horas diárias no confessionário atendendo os fiéis, vivendo no despojamento.

Conhecido por vários nomes

Os vários modos como o padre é conhecido e chamado indicam as diferentes missões que lhe são confiadas: o padre, porque é o pai espiritual; o presbítero, porque é o mestre, guia e sinal de comunhão nas comunidades; sacerdote, porque participa do sacerdócio de Cristo e preside as celebrações litúrgicas; homem de oração, porque místico e especialista nas coisas de Deus; o servo, porque, como Jesus, busca fazer de sua vida uma entrega, por amor; o profeta, porque é o mensageiro da Palavra viva de Jesus; o pastor, porque procura espelhar em seu agir as atitudes do Bom Pastor, no cuidado, na misericórdia e no amor, sobretudo pelos mais sofridos.

Uma bela forma de vida

“Um homem tirado por Deus do meio do povo e colocado a serviço desse mesmo povo nas coisas de Deus!” (Hb 5,1). Sim, o padre é um homem do nosso tempo, com suas alegrias e seus dramas. Por isso, também os padres encontram dificuldades, desafios e incompreensões. Sentem em si as fraquezas, pecados e, infelizmente, até escândalos. Às vezes, bate-lhes à porta o cansaço e o desânimo. Não deixam nunca de serem humanos. Mas tudo isso não tira sua beleza. É bela a vida do padre! Isto nos disse o Papa Francisco, ao afirmar que a missão do padre “são compromissos nos quais o nosso coração estremece e se comove. Alegramo-nos com os noivos que vão casar; rimos com a criança que trazem para batizar; acompanhamos os jovens que se preparam para o matrimônio e para ser família; entristecemo-nos com quem recebe a unção dos enfermos no leito do hospital; choramos com os que enterram uma pessoa querida…” E quando a missão traz o cansaço, diz o Papa, “este cansaço é bom, é saudável. É o cansaço do sacerdote com o cheiro das ovelhas, mas com o sorriso de um pai que contempla os seus filhos ou os seus netinhos.” (Homilia da Missa do Crisma – 02/04/15).

Uma vida que se faz serviço

É bela a vida do padre porque ela é um chamado, uma vocação que brota do amor de Deus e encontra acolhida e resposta generosa. É consagrada a Deus pela unção sacerdotal. Sabe que o ministério que lhe é depositado nas mãos não lhe pertence. Bela é a vida que não é projetada somente a partir de algum interesse humano ou pela busca da autorrealização, mas para servir, por isso, fonte de felicidade. Belo é o ministério do padre, porque é um sinal sacramental do Bom Pastor, “que dá sua vida pelas ovelhas” (Jo 10,11). Bela, ainda, porque acredita na ação da graça de Deus, no poder da misericórdia, do perdão, da paz e olha para os pobres com a compaixão que Jesus teve por eles. Enfim, é bela porque é “total”, de “todo o coração, de todo o entendimento, e com todas as forças” (Dt 6,5).

Abraço e saúdo os padres pelo seu dia. Deus os abençoe.

Dom Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta (RS)

Fonte: Site CNBB

 

Share
JMJ de Cracóvia será grande jubileu dos jovens

JMJ de Cracóvia será grande jubileu dos jovens

JMJ Polonia

No domingo (26/7), o Papa Francisco foi o primeiro peregrino a se inscrever para a Jornada Mundial da Juventude de Cracóvia, no ano que vem. O Card. Stanislaw Rylko, presidente do Pontifício Conselho para os Leigos (PCL), afirmou que a JMJ será o jubileu dos jovens.

“O tema ‘Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia’ insere muito oportunamente a próxima JMJ no quadro do Jubileu Extraordinário da Misericórdia… uma bem-aventurança a qual inspirar-se com devoção neste Ano Santo”, escreveu o cardeal em uma nota publicada no dia em que se iniciou a contagem regressiva de um ano para o maior evento jovem católico do mundo.

Porta Santa

O centro espiritual da JMJ de Cracóvia será o Santuário da Divina Misericórdia e de Santa Faustina Kowalska, Apóstola da Divina Misericórdia, onde os jovens poderão atravessar a Porta Santa do Jubileu e receber assim a Indulgência Jubilar.

O local da vigília e missa de envio – que marcam a conclusão da JMJ – acontecerão no Campus da Misericórdia, onde uma Porta Santa simbólica será construída. “O Papa, acompanhado pelos jovens, atravessará a Porta no início da vigília em 30 de julho e, no domingo, 31 de julho, entregará a cinco casais dos cinco continentes lâmpadas acesas, símbolo do fogo da misericórdia de Cristo”, adiantou o Cardeal Rylko.

Inscrições

As inscrições para os grupos já estão abertas. (RB)

Fonte: Rádio Vaticano

Share
Papa aos prefeitos: Laudato si não é uma encíclica verde, mas social

Papa aos prefeitos: Laudato si não é uma encíclica verde, mas social

AP2990979_ArticoloO Papa quis participar pessoalmente do encontro organizado pelo Vaticano que reúne prefeitos de todo o mundo, de Nova Iorque a Paris, de São Paulo a Roma, sobre o tráfico de seres humanos, ou seja, as várias formas de escravidão moderna, além de mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável.

Ao final do encontro desta terça-feira (21/7), Francisco foi até a Sala Nova do Sínodo. No seu pronunciamento, em espanhol e no improviso, o Pontífice falou da sua esperança que as Nações Unidas promovam “um acordo de base fundamental”, porque “a ONU precisa realmente assumir uma forte posição sobre esses problemas, em particular, sobre o tráfico de seres humanos, devido às mudanças climáticas. O Papa disse também ter “grandes esperanças sobre o encontro de Paris em dezembro”.

Desenvolvimento integral

O Papa disse ainda que “a sua Encíclica não é uma ‘encíclica verde’, mas, uma ‘encíclica social’, porque, dentro dela, da vida social do homem, não podemos separar o cuidado com o ambiente. Mais ainda, o problema do ambiente é uma atitude social, que nos socializa”.

Francisco também enfatizou que a cultura do cuidado pelo ambiente não é uma atitude somente “digo, no bom sentido, verde, é muito mais. Cuidar do ambiente significa uma atitude de ecologia humana. Já não podemos dizer a pessoa está aqui, e a Criação e o ambiente estão ali. A ecologia é total, é humana. Foi o que eu quis expressar na Encíclica Laudato si. Que não se pode separar o homem do resto. Existe uma relação de incidência mútua. Seja do ambiente sobre a pessoa, seja da pessoa no modo como trata o ambiente. E, também, o efeito de ‘rebote’ contra o homem, quando o ambiente é mal tratado”.

Fonte: Rádio Vaticano

Share
Amizade que tem raiz nunca morre

Amizade que tem raiz nunca morre

Fotos de amigos

As sementes de amizade estão guardadas no solo fértil e generoso do nosso coração

Imagine aquele amigo que, durante anos, conviveu com você, dividiu sonhos, brincadeiras, sorrisos, lutas e conquistas. Enfim, essa pessoa que deu mais cor e brilho à sua vida, mas, por algum motivo, precisou partir. O tempo foi passando, alimentado por boas lembranças e algumas vagas notícias. Falta de iniciativas, descuido pelo afeto, respeito ao processo que cada um precisou viver? Talvez um pouco de tudo isso, mas o certo é que uma amizade verdadeira nunca morre, ela é como a boa semente que, guardada na terra dos corações, espera silenciosa o tempo de germinar e voltar a florir. Então, quando o vento dos acontecimentos sopra e o sol da primavera desperta essa amizade, ela rompe o silêncio do tempo e revela a força que jamais deixou de possuir.

Dias atrás, reencontrei uma amiga depois de vários anos distantes. Aliás, anos que foram marcados por grandes acontecimentos em nossas vidas. Casamento, mudança de país, perda de parentes, conclusão da faculdade, conquista de títulos… Enfim, muitas coisas se passaram sem partilharmos. Aos poucos, o contato que era diário passou a ser semanal, mensal, depois anual e quase deixou de existir.

Sinceramente, até duvidei de que aquela amizade ainda tivesse muita importância. Porém, o reencontro ocasional me provou o contrário. De braços abertos, minha amiga veio em minha direção sorrindo como se não existisse espaço de tempo entre o ontem e o agora. Enquanto me abraçava fortemente, disse-me uma frase que define o sentimento: “Onde há raiz, a gente pode descansar. Que bom te encontrar de novo!”.

A amizade estava ali vivinha, pronta para florescer e embelezar tudo à sua volta. Alegramo-nos ao recordar nossas aventuras, brincadeiras diversas e nosso jeito simples, talvez até ingênuo de nos aprofundar na fé. Vivemos tudo como um sinal de Deus, e tentar agradá-Lo era sempre nossa meta. Ouvindo as histórias, pensei em silêncio: “Preciso continuar vendo os sinais de Deus em todas as coisas. Ele não mudou!”. Lembramo-nos também do quanto ríamos à toa por qualquer motivo. A vida parecia mais leve e os compromissos eram outros, sorríamos tanto que, às vezes, dependendo do ambiente, era preciso disfarçar o olhar das situações engraçadas para não dar um boa gargalhada e sermos incompreendidas. Pensando sobre isso, constatei também que preciso sorrir mais.

Sorrir é uma das melhores coisas da vida, traz inúmeros benefícios a nós e a quem está ao nosso redor, e o melhor é que não custa nada. Por que nos tornamos tão sérios em nossos dias? Dizem que um amigo que sempre nos faz rir merece o céu como recompensa. Bom, lembrei-me ainda das nossas orações em comum. Combinávamos de uma rezar pelas intenções da outra e oferecer sacrifícios diversos, até alcançarem a graça desejada. Percebi que tenho rezado pouco por meus amigos e estou retomando essa prática.

Reencontrar aquela amiga ajudou-me a reencontrar-me também, e esse, aliás, é um dos papéis primordiais da verdadeira amizade, pois nos coloca diante de nós mesmos, faz com que sejamos quem realmente somos e nos instiga a sermos melhores do que imaginávamos ser. Certamente, é por isso que a Palavra de Deus afirma em Eclesiástico 6, 14: “Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, encontrou um tesouro”. Como sou grata a Deus por cada tesouro que Ele me permitiu encontrar!

Pelo bem que a experiência me fez, proponho-lhe hoje pensar com carinho nas sementes de amizade que estão guardadas no solo fértil e generoso do seu coração. Essas sementes podem germinar e voltar a florescer para embelezar sua vida e influenciar tudo a sua volta.

Provavelmente, hoje seja um dia oportuno para manifestar aos seus amigos o quanto eles são preciosos e importantes em sua vida. Então, não perca tempo e vá ao encontro deles seja como for. Dessa forma, estará alimentando as sementes de vida e alegria que chamamos de amizade.

 Fonte: Canção Nova

Share
Escapulário do Carmo: Significado e Espiritualidade

Escapulário do Carmo: Significado e Espiritualidade

Nossa Senhora do Carmo

Adilson José Colombi scj, vigário paroquial

O Escapulário é um objeto sacro ligado à história e à espiritualidade da Ordem dos Irmãos do Carmelo e à devoção a Virgem Maria, Mãe de Jesus e nossa. Quem o recebe assume livre e conscientemente compromisso de viver a espiritualidade cristã, com inspiração do Carmelo, de acordo com a característica de seu estado de vida.

  •  Dados históricos

A ligação entre o escapulário e a devoção à Virgem Maria teve seu início quando um grupo de eremitas se reuniu e fundou, no Monte Carmelo, na Terra Santa, a Ordem dos Irmãos de Nossa Senhora do Monte Carmelo. Sua proposta de vida em comunidade era o seguimento de Jesus, na Terra de Jesus. Este lugar (o Monte Carmelo), já na Antiga Aliança, era considerado sagrado, desde tempos imemoriais. O próprio profeta Elias o tornou célebre. O nome Carmelo significa jardim ou pomar. Ali, então, nasce a Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria.

Tempos depois foram perseguidos e se transferiram para a Europa. Ali, também, passaram por muitas dificuldades e tribulações. Em 16 de julho de 1251, quando rezava em seu convento de Cambridge, Inglaterra, São Simão Stock, superior da Ordem, pediu a Nossa Senhora um sinal de sua proteção, que fosse visível a seus inimigos. Reza a tradição que ele teria recebido o escapulário como prova dessa promessa de proteção. Esta data foi comemorada como sendo a Festa de Nossa Senhora do Carmo (Carmelo) desde 1332 e foi estendida a toda a Igreja, em 1726, pelo Papa Bento XIII.

Em sua residência no Monte Carmelo, os primeiros eremitas, porém, deixaram no meio das celas que lhes foram destinadas para viver a vida pessoal, num ambiente comunitário, um oratório (capela), onde se congregavam para celebrar a Eucaristia. Este oratório foi dedicado a Maria, Mãe de Jesus, dando-lhe, desta forma, uma especial presença e devoção. O povo notou esta predileção pela Virgem Maria, de modo que passaram a serem vistos e tidos como “Irmãos da Santíssima Virgem Maria do Monte Carmelo”. E, assim, também são depois conhecidos oficialmente. Santo Alberto de Vercelli (1214) compôs uma Regra para a Ordem. Essa Regra de Vida depois foi confirmada pelo Papa Honório III.

Desta experiência do seguimento evangélico de Jesus, inspirada na devoção à Virgem Maria, nasce a característica profundamente mariana da espiritualidade carmelita. Espiritualidade que tem em grande estima, entre tantos valores próprios do seguimento de Jesus, a escuta da Palavra de Deus, principalmente, todos os acontecimentos do Evangelho referentes à pessoa e ao testemunho de Jesus; a atenção e o desvelo com os necessitados, material e espiritualmente; a assiduidade e perseverança na oração e na contemplação, como respaldos para a ação apostólica.

Com o passar do tempo esta espiritualidade carmelitana atraiu os fiéis que queriam viver esse ideal de vida e, assim, desfrutar e participar de suas características, inclusive, mesmo em suas famílias e nos ambientes que frequentavam ter um sinal externo. Um sinal que lhes indicasse sua pertença, de alguma forma, a fraternidade do Carmelo. Sinal externo que lhes lembrassem permanentemente de sua relação com a espiritualidade mariana do Carmelo. Chegou-se, então, a representação do sinal externo da admissão a fraternidade do Carmelo (o hábito carmelita) da Ordem. Esta representação da pertença, simbolicamente, firmou-se definitivamente no objeto, hoje, denominado “escapulário”.

Todavia, o escapulário desde sua origem até seu formato atual passou por evolução histórica. Vejamos alguns lances principais. Escapulário (do latim Scapulae = ombros), já no século VI com São Bento, era constituído por uma faixa de pano, em forma de cruz posta sobre o peito e as costas, para auxiliar o ajuste do hábito nos afazeres. Mais tarde, mudou o significado tornou-se uma espécie de cruz alongada que protegia a testa e os ombros da chuva, frio e neve. Depois, foi se alongando até o joelho, depois até os pés. Por fim, sua imposição gradualmente tornou-se um símbolo nas formas de profissão monástica, como traje religioso.

Os monges do Monte Carmelo também o portavam. Fiéis devotos da Virgem Maria formavam confrarias, entre elas a Confraria de Nossa Senhora do Carmo (1280). Para simbolizar a pertença a essas confrarias surgiu uma miniatura do escapulário dos religiosos que seus fiéis membros deveriam portá-la permanentemente. Assim, as Ordens Religiosas receberam da autoridade eclesiástica a faculdade de benzer e impor pequenos escapulários e impô-los aos fiéis devotos, independentes de estarem ou não ligados à confraria. A medalha-escapulário foi o Papa Pio X, em 1910, que concedeu a permissão de se usar uma medalha de metal, devendo ter em uma das faces o Sagrado Coração e na outra a Santíssima Virgem.

O Escapulário do Carmo ou Bentinho como é popularmente conhecido é um objeto de devoção. Mas, mais do que objeto é sinal de compromisso assumido do seguimento de Jesus, inspirado na devoção à Virgem Maria. Assumir a responsabilidade de portar o escapulário é assumir o propósito de viver os valores próprios da espiritualidade carmelita, segundo seu estado de vida e colocar-se espontaneamente sob a proteção da Mãe de Jesus, dedicando inteira confiança em todos os momentos de sua vida. Desta forma, a recepção e o uso do escapulário tornaram-se parte da tradição da devoção à Virgem Maria e profundamente arraigados na religiosidade popular, operando, por vezes, verdadeiras transformações na vida pessoal, conjugal e familiar.

A história e a evolução da devoção à Maria de Nazaré, simbolizada no escapulário, hoje, apresentam várias categorias de devotos que vivem a espiritualidade carmelitana. São eles: os religiosos e as religiosas da Ordem Carmelita; A Ordem Secular (já chamada Ordem Terceira); os que pertencem à Confraria do Escapulário; todas as pessoas que recebem o escapulário e vivem sua espiritualidade nas diversas modalidades da associação; os que receberam o escapulário e vivem esta devoção fora de qualquer associação.

  •  Espiritualidade do Escapulário

É de extrema importância compreender o significado espiritual do escapulário. Jamais, pode ser visto e usado como se amuleto fosse. Algo que produza automaticamente efeitos mágicos. Sempre é bom recordar que na Igreja Católica não há nada que tenha esta finalidade mágica. Nosso Deus não é um mago. Nem a Mãe de Jesus, com o título de Nossa Senhora do Carmo o é.

Por isso que quem porta em si o Escapulário tem a obrigação de buscar sempre mais uma fé esclarecida, consciente, madura, alicerçada na Palavra de Deus e na Doutrina da Igreja Católica a respeito da Pessoa e da proposta da Boa Nova do Reino de Deus, no empenho constante em viver a vida cristã de maneira sempre mais autêntica e coerente, buscando ser mais perfeito no amor aos irmãos, principalmente os mais necessitados.

O escapulário usado com piedade e tentando realizar o propósito acima lembrado, certamente, torna-se um sinal de bênção e incentivo a seguir o Mestre Jesus Cristo como discípulo-missionário. Sua presença, com certeza, provocará a lembrança constante ao devoto a seguir o exemplo da Virgem de Nazaré, a discípula-missionária mais perfeita, segundo o testemunho de vida de serviço a Deus e aos irmãos. Como a Virgem Maria, o devoto aprenderá a colocar, em sua vida, a Deus e a fazer a vontade dele, em todos os momentos de sua existência. Também, a servir aos irmãos com o mesmo desvelo que a Mãe do Senhor sempre vivenciou.

Os atos de piedade que são recomendados aos devotos de Nossa Senhora do Carmo e portadores do escapulário são aqueles reconhecidos pela Igreja. Tais como: participação na Celebração da Eucaristia, a comunhão Eucarística, a busca da reconciliação sacramental, a récita do rosário ou terço, Oficio de Nossa Senhora, as orações marianas aprovadas pela autoridade eclesiástica, a prática da caridade… Portanto, o que vale não é portar um Escapulário do Carmo, mas sim viver uma espiritualidade cristã sólida, inspirada na vida e no testemunho da Mãe do Jesus. O escapulário é como um “lembrete” permanentemente à vista que chama a servir o Senhor, como sua mãe o serviu, inclusive, na pessoa dos mais carentes.

O fundamental da mensagem do escapulário está no apelo constante à busca do aperfeiçoamento pessoal, a fim de atingir a salvação eterna, empenhando-se para libertar-se do pecado, por meio de uma espiritualidade inspirada na espiritualidade relacionada à Ordem do Monte Carmelo, da qual a Virgem Maria é a Rainha. Desta forma, “Escapulário como veste da Virgem é o sinal e o penhor da proteção da Mãe de Deus” (Pio XII, Carta Neminem profecto de 11/02/1950). Veste que é sinal, para quem o recebeu e o traz consigo, de pertença e consagração voluntárias à Maria de Nazaré, e da parte de Nossa Senhora, o engajamento a socorrer aquele que o porta em toda ocasião, particularmente na hora da morte. Claro que não se trata de uma observância puramente exterior, independente de disposições interiores de conversão, de vivência e testemunho do seguimento da proposta de vida do Cristo.

O escapulário é um sinal “fonte” aprovado pela Igreja há vários séculos e simboliza para o portador o compromisso do seguimento de Jesus a exemplo de Maria, sua Mãe; da abertura consciente e livre a Deus e a sua vontade; do deixar-se guiar pela fé, pela esperança e pelo amor, praticando a solidariedade, sobretudo, para com os necessitados, material e espiritualmente, criando o hábito da oração assídua e perseverante, partilhando a espiritualidade da família do Carmelo, alimentando a esperança do encontro definitivo com Deus na vida eterna sob a proteção de Maria Santíssima.

 Fonte: Revista A Palavra – Paróquia São Luís Gonzaga – Brusque- SC

Share

Por que chamamos a Virgem Maria de Nossa Senhora?

A Virgem Maria sempre foi chamada de Nossa Senhora

Nossa senhora de Lourdes

O título de Senhor e Senhora, desde os primeiros séculos do Cristianismo, eram usados para os senhores de escravos, muito comum naquele tempo. Dentro desse contexto, a Virgem Maria disse ao anjo: “Eis aqui a escrava do Senhor” (Lc 1, 38).

Mas “Jesus é o Senhor”, como disse São Paulo (Fl 2,11); é o Rei dos Reis; e Sua Mãe é Rainha por consequência. Por isso, a Igreja entendeu que deveria chama-lá de Senhora. Os súditos do Rei eram também servos da Rainha. Ora, se somos súditos de Jesus, o somos também de Maria. A Ladainha Lauretana chama a Virgem Maria de Rainha dos Anjos, Rainha dos Santos, Rainha dos Apóstolos, Rainha dos Mártires, Rainha dos Confessores, Rainha da Virgens, Rainha dos Profetas. Ora, toda Rainha é Senhora em seu reino.

A Virgem Maria é aquela “cheia do Espírito Santo”, como a saudou sua prima Santa Isabel, que em alta voz disse: “Bendita és tu entre as mulheres” (Lc 1,42). Ela é “a filha predileta de Deus”, diz o Concílio Vaticano II (LG n. 53), “aquela que, na Santa Igreja, ocupa o lugar mais alto depois de Cristo e o mais perto de nós” (Lumen Gentium, n. 54).

São Bernardo, doutor da Igreja, o apaixonado cantor da Virgem Maria, no Sermão 47 diz: “Ave Maria, cheia de graça, porque é agradável a Deus, aos anjos e aos homens. Aos homens, por causa de sua fecundidade; aos anjos, por sua virgindade; a Deus por sua humildade. Ela mesma atesta que Deus olhou para ela porque viu sua humildade”.

São Tomas de Aquino afirmou: “A bem-aventurada Virgem Maria, pelo fato de ser Mãe de Deus, tem uma espécie de dignidade infinita por causa do bem infinito que é Deus”. Ela é Senhora!

“A graça que adornou a Santíssima Virgem sobrepujou não só a de cada um em particular, mas a de todos os santos reunidos”, afirma Santo Afonso de Ligório, doutor da Igreja. Por isso ela cantou no Magnificat: “Desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo…” (Lc 1,42). Ela é Senhora!

Maria é um “espelho especialíssimo de Deus”, diz São Tomás de Aquino: “Os outros santos são exemplos de virtudes particulares: um foi humilde, outro casto, outro misericordioso, e assim nos são oferecidos como exemplos de uma virtude. Mas a bem-aventurada Virgem é exemplo de todas as virtudes”, diz o santo.

São Bernardo e Santo Antônio, doutores da Igreja, afirmam que, “para ser eleita e destinada à dignidade de Mãe de Deus, devia a Santíssima Virgem possuir uma perfeição tão grande e consumada que nela excedesse todas as outras criaturas”. Ela é Nossa Senhora!

“Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado” (Mt 23,12). Repetiu várias vezes o Senhor. Logo que Deus determinou fazer-se Homem para redimir o homem decaído e assim manifestar ao mundo Sua misericórdia infinita, certamente buscava entre todas as mulheres aquela que fosse a mais santa e humilde para ser Sua Mãe. Como diz o Livro dos Cânticos: “Há um sem número de virgens (a meu serviço), mas uma só é a minha pomba, a minha eleita” (Ct 6, 8-9).

Foi por sua imensa humildade que Deus tanto exaltou Maria e a fez Sua Mãe, Rainha e Senhora nossa. E a própria Virgem diz no seu canto: “porque olhou para a humildade de sua serva” (Lc 1,48).

Foi essa “humildade” profunda e real que tanto encantou o coração de Deus, fez com que a elegesse a “bendita entre as mulheres”, Sua Mãe, nossa Mãe e Senhora.

Fonte: Canção Nova

Share
Os males do comunismo

Os males do comunismo

O comunismo elimina o mais sagrado dom que o homem recebeu de Deus: a liberdade

Desde que o comunismo (socialismo) surgiu no mundo, como expressão prática do marxismo-leninismo, a Igreja o combateu sem tréguas, por ser ateu, materialista, desumano, utópico, adverso a Deus e à Igreja. Segundo os seus mentores, Karl Marx, Lenin e outros, “a religião é o “ópio do povo”, isto é, a droga que deixa o povo alienado e sujeito às explorações do capitalismo e dos ricos. A acusação vazia contra a Igreja é a de que ela só ensinava aos fiéis buscarem o céu, abandonando a Terra, sem lutar pelos direitos sociais.
As muitas encíclicas dos Papas, desde a Rerum Novarum de Leão XIII (1878-1903) até o “Evangelho da Alegria” do Papa Francisco, desmentem essa mentira. A Igreja sempre foi a Instituição, em toda a história da humanidade, que mais caridade fez no mundo.

Para “libertar” os proletários, o comunismo prega a revolução violenta, a “luta de classes” até a eliminação de todas as classes, o que é uma utopia; incita a revolta dos empregados contra os patrões, dos pobres contra os ricos; joga irmãos contra irmãos, prega a eliminação da propriedade privada e persegue todo tipo de religião, de modo especial o Cristianismo.

Acima de tudo, o comunismo elimina o mais sagrado dom que o homem recebeu de Deus: a liberdade. Veja o que se passa em Cuba ainda hoje: o cidadão não pode deixar o país; é uma “ilha-prisão” em pleno século XXI, onde o povo não vota há mais de cinquenta anos. E ainda tem gente que a defenda.

Piérre Proudhon (†1865) disse: “O comunismo degrada os dons naturais do homem, coloca a mediocridade no nível da excelência e chama a isso igualdade”. Na verdade, tenta criar uma igualdade utópica que Deus nunca desejou.

A fé católica ensina a socorrer o pobre em suas necessidades materiais, mas não pela violência, não derramando sangue inocente nem tirando a liberdade e a vida preciosa do ser humano e o transformando apenas em um dente da engrenagem do deus Estado. A moral não aceita que se faça o bem por meios maus; os fins não podem justificar os meios. Para os comunistas todos os meios são válidos para implantar o comunismo. É um sistema maquiavélico que matou milhões.

Winston Churchill (†1965) dizia: “Um jovem que não foi comunista não tinha coração; mas o adulto que permanece comunista não tem cérebro”. M. Thatcher dizia que “o socialismo acaba quando acaba de gastar o dinheiro dos outros”.

É importante meditar um pouco sobre o que a Igreja já falou sobre isso. O documento de Puebla (III CELAM, 1979) deixou bem claro: “(…) A libertação cristã usa ‘meios evangélicos’, com a sua eficácia peculiar, e não recorre a nenhum tipo de violência, nem à dialética da luta de classes (…)” (nº 486) ‘ou à práxis ou análise marxista’” (nº 8).

Na Encíclica do Papa Pio XI, a“ Divini Redemptoris, sobre o “”Comunismo Ateu” (19 de março de 1937), ele a condena veementemente. Pio IX disse: “E, apoiando-se nos funestíssimos erros do comunismo e do socialismo, asseguram que a ‘sociedade doméstica tem sua razão de ser somente no direito civil’ (Quanta Cura, 5). Leão XIII pediu: “Não ajudar o socialismo. Tomai ademais sumo cuidado para que os filhos da Igreja Católica não deem seu nome nem façam favor nenhum a essa detestável seita” (Quod Apostolici Muneris, no. 34).

“Porque, enquanto os socialistas, apresentando o direito de propriedade como invenção humana contrária à igualdade natural entre os homens; enquanto, proclamando a comunidade de bens, declaram que não pode tratar-se com paciência a pobreza e que impunemente se pode violar a propriedade e os direitos dos ricos, a Igreja reconhece muito mais sabia e utilmente que a desigualdade existe entre os homens, naturalmente dissemelhantes pelas forças do corpo e do espírito, e que essa desigualdade existe até na posse dos bens. Ordena, ademais, que o direito de propriedade e de domínio, procedente da própria natureza, se mantenha intacto e inviolado nas mãos de quem o possui, porque sabe que o roubo e a rapina foram condenados pela lei natural de Deus” (Quod Apostolici Muneris, – Encíclica contra as seitas socialistas, no. 28/29).

“Entretanto, embora os socialistas, abusando do próprio Evangelho para enganar mais facilmente os incautos, costumem torcer seu ditame, contudo há tão grande diferença entre seus perversos dogmas e a puríssima doutrina de Cristo, que não poderia ser maior” (Quod Apostolici Muneris, 14).

“A Igreja, pregando aos homens que eles são todos filhos do mesmo Pai celeste, reconhece como uma condição providencial da sociedade humana a distinção das classes; por essa razão, ensina que apenas o respeito recíproco dos direitos e deveres, e a caridade mútua darão o segredo do justo equilíbrio, do bem estar honesto, da verdadeira paz e prosperidade dos povos. (…) “Mais uma vez, nós o declaramos: o remédio para esses males não será jamais a igualdade subversiva das ordens sociais” ( Alocução de 24/01/1903 ao Patriarcado e à Nobreza Romana).

“A sociedade humana, tal qual Deus a estabeleceu, é formada de elementos desiguais, como desiguais são os membros do corpo humano; torná-los todos iguais é impossível: resultaria disso a própria destruição da sociedade humana.”

“Disso resulta que, segundo a ordem estabelecida por Deus, deve haver na sociedade príncipes e vassalos, patrões e proletários, ricos e pobres, sábios e ignorantes, nobres e plebeus, os quais todos, unidos por um laço comum de amor, se ajudam mutuamente para alcançar o seu fim último no céu e o seu bem-estar moral e material na terra” (Quod Apostolici Muneris).

Pio XI disse: “(…) Como pede a nossa paterna solicitude, declaramos: o socialismo, quer se considere como doutrina, quer como fato histórico, ou como ‘ação’, se é verdadeiro socialismo, (…) não pode conciliar-se com a doutrina católica, pois concebe a sociedade de modo completamente avesso a verdade cristã.”

“Socialismo religioso, socialismo cristão são termos contraditórios: ninguém pode, ao mesmo tempo, ser bom católico e socialista verdadeiro” (Quadragesimo Anno, nº 117 a 120).

Pio XII explicou bem a diferença entre as pessoas:

“Pois bem, os irmãos não nascem nem permanecem todos iguais: uns são fortes, outros débeis; uns inteligentes, outros incapazes; talvez algum seja anormal, e também pode acontecer que se torne indigno. É pois inevitável uma certa desigualdade material, intelectual, moral, numa mesma família (…) Pretender a igualdade absoluta de todos seria o mesmo que pretender idênticas funções a membros diversos do mesmo organismo” (Discurso de 4/4/1953 a católicos de paróquias de S. Marciano).

João XXIII, como os demais Papas, defendeu a necessidade da propriedade privada: “Da natureza humana origina-se ainda o direito à propriedade privada, mesmo sobre os bens de produção” (Pacem in Terris, n°. 21).

João Paulo II, falando contra o capitalismo selvagem, disse: “Nesta luta contra um tal sistema, não se veja, como modelo alternativo, o sistema socialista, que, de fato, não passa de um capitalismo de estado, mas uma sociedade do trabalho livre, da empresa e da participação” (no. 35) “A Igreja reconhece a justa função do lucro, como indicador do bom funcionamento da empresa” (nº. 35). “Aquele Pontífice (Leão XIII), com efeito, previa as consequências negativas sob todos os aspectos – político, social e econômico – de uma organização da sociedade, tal como a propunha o ‘socialismo’, e que então estava ainda no estado de filosofia social e de movimento mais ou menos estruturado” (Enc. Centesimus Annus, n°12).

João Paulo II também mostra o erro grave do socialismo: “(…) É preciso acrescentar que o erro fundamental do socialismo é de caráter antropológico. De fato, ele considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social, de tal modo que o bem do indivíduo aparece totalmente subordinado ao funcionamento do mecanismo econômico-social, enquanto, por outro lado, defende que esse mesmo bem se pode realizar prescindindo da livre opção, da sua única e exclusiva decisão responsável em face do bem e do mal. O homem é reduzido a uma série de relações sociais, e desaparece o conceito de pessoa como sujeito autônomo de decisão moral, que constrói, através dessa decisão, o ordenamento social. Desta errada concepção da pessoa deriva a distorção do direito, que define o âmbito do exercício da liberdade, bem como a oposição à propriedade privada” (nº 13).

“Na Rerum Novarum, Leão XIII, com diversos argumentos, insistia fortemente contra o socialismo de seu tempo, no caráter natural do direito de propriedade privada. Este direito, fundamental para a autonomia e o desenvolvimento da pessoa, foi sempre defendido pela Igreja até nossos dias” (nº 30).

O “Livro Negro do Comunismo – Crimes, Terror e Repressão” (Stéphane Courtois, Nicolas Werth, Jean-Louis Panné, Andrzej Paczkowski, Karel Bartosek, Jean-Louis Margolin, Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 1999, 917 págs.) – faz um balanço do amargo fruto que este diabólico regime gerou para a humanidade. Oitenta anos depois da Revolução Bolchevique na Rússia (1917) e sete depois de a União Soviética ter acabado (1997), a trajetória trágica do comunismo pode ser contabilizada pelo número de vítimas.

É a história da trágica aplicação na vida real de uma ideologia carregada de falsas promessas de igualdade e justiça que custou entre 80 e 100 milhões de vidas, com a esmagadora maioria de vítimas nos dois gigantes do marxismo-leninismo, a União Soviética e a China; além de Cuba, Viet Nan, Laos, Cambodja, Bulgária, Romênia, Tchecoslováquia, Polônia, Hungria, etc.

Na China, houve cerca de 65 milhões de mortos, a maioria dizimada pela fome desencadeada a partir do “Grande Salto para a Frente”, o desastroso projeto de autossuficiência implantado por Mao Tsé-tung em meados dos anos 50. Tratou-se da pior fome da História, acompanhada de ondas de canibalismo e de campanhas de terror contra camponeses acusados de esconder comida.

Na URSS, de 1917 a 1953, ano da morte de Stalin, os expurgos, a fome, as deportações em massa e o trabalho forçado no Gulag mataram 20 milhões de pessoas. Só a grande fome de 1921-1922, desatada em grande parte pelo confisco de alimentos dos camponeses, ceifou mais de 5 milhões de vidas.

Na Coreia do Norte, comunista de carteirinha que ainda perdura, a execução de “inimigos do povo” contabiliza pelo menos 100 mil mortos. Em termos proporcionais, contudo, o maior genocida comunista é o Khmer Vermelho do Camboja: em três anos e meio (1975-1979), com sua política inclemente de transferência forçada dos moradores das cidades para o campo, matou de fome e exaustão quase 25% da população.”

Os crimes do stalinismo e a matriz da política de terror empregada por outros regimes comunistas ficaram bem conhecidos desde o XX Congresso do Partido Comunista Soviético em 1956.

O organizador do Livro, Stéphane Courtois, é um ex-maoísta convertido em crítico do marxismo; ele argumenta que o crime é intrínseco ao comunismo e não apenas um instrumento de Estado ou um desvio stalinista de uma ideologia de princípios humanitários. Courtois também sugere a equiparação do comunismo ao nazismo, com base na ideia de que ambos partilham a mesma lógica do genocídio. “Os mecanismos de segregação e de exclusão do totalitarismo de classe são muito parecidos com os do totalitarismo de raça”, escreve Courtois.

Fonte: Professor Felipe Aquino

Site Canção Nova

Share
Dia 10 de julho, Arcebispo celebra o dom da vida

Dia 10 de julho, Arcebispo celebra o dom da vida

O Arcebispo da Arquidiocese de Florianópolis, Dom Wilson Tadeu Jönck, scj, completa 64 anos neste dia 10. A data será marcada por uma Missa em ação de graças na Igreja Matriz do Saco dos Limões, em Florianópolis, às 10h.

Biografia

Dom Wilson nasceu em 10 de julho de 1951, no município de Vidal Ramos, Santa Catarina. Entrou para a Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos), no ano de 1972, sendo ordenado sacerdote em 17 dezembro de 1977, também em Vidal Ramos.

A ordenação episcopal ocorreu no dia 16 de agosto de 2003. Em 11 de junho do mesmo ano, foi nomeado bispo titular de Gemellae in Byzacena e auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião, no Rio de Janeiro. Tem como lema episcopal: “Maximus amor pro amicismori” (Amar é dar a vida).

Em 26 de maio de 2010, o Papa Bento XVI o nomeou bispo da Diocese de Tubarão, em Santa Catarina. Já em 15 de novembro de 2011, tomou posse como arcebispo da Arquidiocese de Florianópolis.

Fonte: Site Arquidiocese

Share
Em primeiro discurso como Papa emérito, Bento XVI fala da música

Em primeiro discurso como Papa emérito, Bento XVI fala da música

Pela primeira vez desde que se tornou Papa emérito, em 28 de fevereiro de 2013, a voz de Bento XVI voltou a ser registrada oficialmente pela Rádio Vaticano, neste sábado (04/7).

Bento XVI agradeceu, na Residência Pontifícia de Castel Gandolfo, ao Cardeal-arcebispo de Cracóvia, Dom Stanisław Dziwisz, que lhe conferiu dois títulos de Doutorado “honoris Causa” em nome dos reitores da Academia Musical de Cracóvia e da Pontifícia Universidade João Paulo II, instituída por Bento XVI em 19 de junho de 2009.
Esta condecoração, disse o Cardeal Dziwisz, “representa a gratidão destas duas instituições pela grande estima que Bento XVI sempre nutriu para com São João Paulo II. Em segundo lugar, pelo seu serviço Pontifício e pela grande herança da sua doutrina e benevolência”.

Papa emérito lembra São João Paulo II
Por sua vez, o Papa emérito expressou seu vivo apreço e reconhecimento pela Condecoração a ele conferida, que reforça sua profunda ligação com a Polônia, pátria do grande santo João Paulo II, do qual foi íntimo colaboração por longos anos e sobre o qual disse: “Sem ele, o meu caminho espiritual e teológico nem pode ser imaginado. Com o seu exemplo vivo, ele nos ensinou que a alegria da grande música sacra pode caminhar de mãos dadas com a participação comum da sacra liturgia, como também a alegria solene e a simplicidade da humilde celebração da fé”.

A música para Bento XVI
Aqui, Bento XVI perguntou: “O que é, enfim, a música? De onde provém e para onde leva?” E respondeu focalizando três fontes da música: a experiência do amor, a experiência da tristeza e o encontro com o divino. A poesia, o canto e a música nasceram da dimensão do amor, de uma nova dimensão da vida e de um toque amoroso de Deus. E acrescentou: “A qualidade da música depende da pureza e da grandeza do encontro com o divino, com a experiência do amor e da dor. Quanto mais esta experiência for pura e verdadeira, tanto mais pura e grande será a música, que dela nasce e se desenvolve”.
Falando de sua experiência pessoal, o Papa emérito afirmou que “no âmbito das culturas e das religiões mais diferentes encontramos uma grande arquitetura, pinturas e esculturas, mas também uma grande música. Contudo, em nenhum outro âmbito cultural há uma grandeza musical que possa se comparada com aquela nascida no âmbito da fé.

Música e Igreja
A música ocidental, explicou Bento XVI, é uma coisa única e incomparável com outras culturas, e apresentou como exemplo, Bach, Händel, Mozart, Beethoven, Bruckner: “A música ocidental supera sobremaneira o âmbito religioso e eclesial. Todavia, ela encontra a sua fonte mais profunda na liturgia e no encontro com Deus. A resposta da grande e pura música ocidental desenvolveu-se no encontro com Deus, que, na liturgia, se torna presente em Jesus Cristo”.
Bento XVI concluiu seu pronunciamento dizendo que “as duas universidades, que lhe conferiram este Doutorado “honoris causa” representa uma contribuição essencial, para que o grande dom da música, que provém da tradição da fé, não se dissipe”.

Fonte: Rádio Vaticano

Share